25 março, 2011

Não Stresses


...conhecer músicas que nos conhecem.

"Esta é pa quem tá fechado das nove às dezoito
A trabalhar por alguem que nem merece respeito
E a pensar: quando é que me reconhecem talento
A descontar pa incompetentes indiferentes ao teu sustento
Ou à forma como vives, desgastado
Chegas a casa e já só queres estar sentado
A ver imagens que já tens comprado
Com mensagens que te dão o prazer de ser anestesiado
Cada vez mais afastado daqueles que amas
Porque amanhã cai-te tudo de novo nas costas
Ja sabes que isso te remoe e reages assim
Sais com uma nesga de luz o dia tá no fim
Não te deixes atingir, ir abaixo, sentir o fundo
Ou talvez nunca voltes desse mundo refundo
Eu por aì passei algumas vezes confesso
Numa divisão sem luzes à parede encostado... Não stresses!

Refrão:
Não é só para ti que eu falo, é para toda a gente
Não stresses! - Expulsa o negativo aí de dentro!
Não é só por mim que eu falo, é por todos nós
Não stresses! - Junta-te à nossa voz com sentimento!

Esta vida são dois dias, nós passamos um a passar-nos
Outro a arrependermo-nos de como não aproveitamos
O tempo de outra maneira, mais útil, mais verdadeira
Mais pura e ordeira e nunca mais do fútil prisioneira
Uma forma sem forma, uma soma sem fórmula
Uma norma vazia de dogmas e filtros de boa energia
E de bom karma, portanto, dá um retiro à tua alma
E com calma, aprende a aceitar o que se passa
À tua volta, tudo tem uma razão de ser
Contrariar esse facto, só o torna mais exacto
Só complica a tua existência, só te atrasa o passo
Pagarás caro a arrogância de saíres do compasso
Sai antes do espaço que encerra o teu equilíbrio
Liberta-te de qualquer motivo para entrares em delírio
Não sejas passivo, mas não queiras ser estóico
Deixa o fluxo no seu curso e não sejas paranóico

Refrão:
Não é só para ti que eu falo, é para toda a gente
Não stresses! - Expulsa o negativo aí de dentro!
Não é só por mim que eu falo é por todos nós
Não stresses! - Junta-te à nossa voz com sentimento

Inspira... Expira... (...) Relaxa!

Pôr as coisas noutro ângulo, observar de outra perspectiva
É meio caminho andado para uma atitude mais positiva
Que por sua vez é outro meio para chegar à harmonia
Acredita, porque a verdade está nos olhos de quem mira.
Desabafa hoje deita tudo cá pa fora
Vamos partir esta pista levantar voo daqui pa outra
Agora abana a cabeça afasta o mau karma
É aqui que entras num diferente comprimento de onda
Discussões com a companhia tiram-te o sono e os apetites
E dão-te uma sensação estranha de vazio na barriga?
Complicações na ocupação incomodam-te como encefalites
Ou dermatites entre os dois extremos da bacia
Sabemos o que isso é, vamos livrar-te desse peso
Penso que te posso ajudar a passar por este momento
E por este tempo, porque este tema bem pode ser
Uma iniciação para a solução dum problema

Refrão:
Não é só para ti que eu falo, é para toda a gente
Não stresses! Expulsa o negativo aí de dentro
Não é só por mim que eu falo é por todos nós
Não stresses! Junta-te à nossa voz com sentimento"

Mind da Gap

02 março, 2011

Penso, logo existo


...tomar noção de si próprio. Na enfermaria, duas enfermeiras discutem sobre lençóis, qual a melhor técnica para os dobrar e afins, numa outra, estagiários de enfermagem empolgam-se pela possibilidade de poderem observar um procedimento médico (efetuado por um médico), ao mesmo tempo, os médicos reúnem-se na sua sala para discutir sobre a melhor maneira de curar as doenças dos seus doentes, entro no elevador e dois delegados de informação médica trocam números de telemóvel de médicos "é que ela é das mais importantes e tenho de a avisar que o horário do voo foi alterado", empregadas da limpeza sonham em voz alta o que fariam se lhes saísse o Euromilhões enquanto esfregam o chão, o administrador passa no corredor em passo apressado e com ar pensativo, em que pensará? Numa medida que pode afetar a vida de milhares de pessoas? E enquanto eu observo isto, numa atitude socrática, penso: o que estão os outros 7 biliões de pessoas a fazer? Haverá com certeza engenheiros a preparar o futuro, aquele de que nós só vamos tomar conhecimento daqui a muito tempo, ou mesmo nunca, haverá professores  a ensinar futuros enfermeiros, médicos e engenheiros, a abrir-lhes as mentes para o mundo do conhecimento, do pensamento, da existência; haverá cientistas prestes a descobrir coisas que nós nem imaginamos, a inventar coisas que num futuro não tão longínquo nos poderão fácil e eficazmente substituir depois de devidamente desenvolvidas pelos engenheiros; haverá lideres mundiais prestes a tomar decisões capazes de mudar o mundo e a história, haverá terroristas prestes a mudar o mundo de algumas pessoas; haverá soldados a lutar por ideais e ideias que não são deles; haverá pessoas a tentar bater recordes mundiais; haverá pessoas a transaccionar dinheiro em quantidades para nós inimagináveis, apesar de também ser nosso, e ganhando muito com isso... enfim, o que fazemos nós enquanto isso? Estamos a contribuir para mudar o mundo ou pelo menos o mundo de alguém, ou somos meros peões? 
Ás vezes dá-me para isto...

14 fevereiro, 2011

Ditadura na saúde


...referir-se a um assunto, não tanto como enfermeiro, mas mais como utente/cliente, pois acho que as "relações interdependentes" (como p.ex. limpar o suor da testa ao cirurgião), podiam e deviam tender para a extinção, mas sobre isto estou a pensar referir-me noutro post. A prescrição por DCI volta a estar "na berlinda" e os mais importantes de todo o processo (os utentes) ficam a ver passar "a berlinda" sem poderem fazer nada. Confesso que fico um pouco chocado (neste país já começa a ser difícil haver algo que me choque muito) ao ver a insolência com que os médicos se assumem como ditadores na saúde (ou melhor, na doença) dos seus utentes/doentes e mais que isso, na carteira dos mesmos. Assim de repente "só" me surgem muitas perguntas em que a resposta pouco terá a ver com a "defesa dos doentes":
-No curso de medicina, aprendem a prescrever substâncias ativas ou marcas?
-Ainda que diferentes marcas possam ter efeitos terapêuticos diferentes, como sabem os médicos quais são os melhores? Experimentam-nos neles, fazem dos doentes cobaias, ou acreditam no Pai-Natal (leia-se delegado de informação médica)?
-A quem cabe avaliar a qualidade dos medicamentos à venda no mercado português? À Ordem dos Médicos ou ao Infarmed? Quem tem a competência e capacidade técnica para tal e quem tem uma opinião corporativa e baseada em mitos?
-Se no internamento prescrevem por principio ativo, porque não o fazem em ambulatório, prescrevendo normalmente uma marca diferente daquela na qual confiaram durante o internamento e que melhorou o doente?
-Porque é que a opinião do bastonário da OM é sempre coincidente com a da indústria farmacêutica e sempre com preocupações mais industriais que científicas?
O nosso Presidente (da República) que percebe imenso de medicina, vetou o diploma, zelando pela saúde dos doentes, para que estes não andem por aí a tomar medicamentos baratos (o que não é nada chic) e como não têm dinheiro para os de marca, não tomam medicamentos, pelo que da cura já não morrem, morrerão da doença?
A Indústria Farmacêutica (e seu representante mais ativo, i.e. Bastonário da OM) congratulou-se com esta decisão (porque será) e até disse que assim foram salvos cerca de 1000 postos de trabalho (pagos com o dinheiro de quem?); resta saber se neste número estão incluidos os empregos relativos ao "turismo médico", negócio de LCDs/LEDs, smartphones e afins, sim, porque se para a opinião pública as prendinhas dos delegados de informação médica se calhar são só rumores, ajudada pela rapidez com que as denúncias fundamentadas/factuais destas situações são abafadas na comunicação social, quem como nós sabe a realidade (ou pelo menos parte dela), não pode deixar de sentir revolta por este sistema mafioso. A marca serve apenas para proteger o mercado e consequentemente o preço do medicamento após a caducidade das patentes (período após o qual começam a aparecer os genéricos), mas isto pouco interessa ao doente (e ao Estado), pelos vistos só interessa aos médicos (e à indústria farmacêutica). O doente, que compra o medicamento e que o vai tomar é que é lógica e racionalmente quem decide a marca, após o aconselhamento com o seu médico e com o farmacêutico (que por sinal percebe mais de farmacologia que o médico), de acordo com as suas possibilidades monetárias, numa decisão livre, informada e responsável. Ainda gostava de ver a reação de um médico se na próxima vez que fosse ás compras e quisesse comprar por exemplo leite, estivesse lá um nutricionista para o obrigar a comprar leite de determinada marca, uma vez que ele percebe mais de leites do que o médico. Situações ridículas num pais ridículo, onde os médicos nem precisavam de se preocupar tanto com esta situação, uma vez que para a maioria do portuguesinho, aquilo que o sr. dr. médico disser é lei. Coroam-nos e não querem que reinem?

03 fevereiro, 2011

Em mudanças


...mudar para evoluir. A(s) transferência(s) de serviço faz(em) parte da maioria da vida profissional dos enfermeiros. Por uma razão ou por várias razões, essa necessidade acaba por surgir e esta não deve ser negligenciada. Mudar, contudo, não é fácil, cortar com laços profissionais e mais que isso, com laços afectivos, afastar-mo-nos de pessoas com quem já passámos tanto tempo, com quem partilhámos emoções e momentos bons e maus, deixar a segurança do conhecido e partir para a insegurança do desconhecido, arriscar a desilusão e o arrependimento, mas mudar é preciso, sem mudança não há evolução e sem evolução paramos no tempo que não pára para esperar por nós. Dizem que a vida é como uma peça de teatro sem oportunidade de ensaios, para mim é um jogo sem hipótese de restart, pelo que se não estivermos a jogar bem, temos de mudar a estratégia de jogo rapidamente, antes do Game Over, que pode surgir inesperadamente. Diz a incontornável sabedoria popular que "quem muda Deus ajuda" e eu, como de costume, estou de acordo e acrescento que há pessoas que nem precisam de muita ajuda, são pessoas que sabem construir a sua sorte e por isso a merecem. Sobretudo, não nos podemos esquecer de ser felizes e de fazer tudo por isso.
Boa sorte! 

"Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão." (Jean Paul Sartre)

24 janeiro, 2011

Ece Enphermeiro


...não saber escrever nem falar. Sendo um problema mais ou menos generalizado atualmente, parece-me que atinge os enfermeiros de uma forma mais acentuada do que seria esperado/desejável, até pela importância que os registos assumem na nossa profissão, e não estou a falar de pequenos erros, de confusões com o acordo ortográfico (que por vezes até a mim me confunde), mas sim de graves erros ortográficos e gramaticais, daqueles capazes de alterar completamente o significado de uma frase ou de a tornar incompressível. Deviam-se ensinar os enfermeiros a falar e a escrever português correto, em vez de se lhes impingir diátipos que ninguém entende, nem os próprios enfermeiros, porque até acabam por chocar com a língua portuguesa, fruto das traduções (dizem eles). Para disfarçar esta lacuna, obrigam os enfermeiros a "clicar em bolinhas", assim não há erros... confesso que esta restrição aos meus registos, esta forma de censura muito me desagrada, pois para a responsabilidade dos mesmos me ser atribuída, diz a filosofia que obrigatoriamente também tem de me ser atribuída a liberdade na execução dos mesmos. Esta solução falaciosa não impede os enfermeiros de fazerem "figuras tristes" nos diálogos com os familiares dos doentes e com outros profissionais, momentos que me fizeram sentir vergonha pela degradação da imagem da nossa profissão que esses colegas conseguem a cada dia. Para quem não percebe a importância daquilo que eu estou a dizer, deixo um exemplo daquilo que a (simples) pontuação pode fazer:

Acabem-se com os enfermeiros! Não precisamos deles.

E agora:

Acabem-se com os enfermeiros? Não! Precisamos deles.

Como vêem, não saber escrever "pode acabar" com os enfermeiros...

06 janeiro, 2011

Relatividade do tempo


...não saber o valor do tempo. "Tempo é dinheiro", sim, mas não só. Um enfermeiro que aceita 2 euros por uma hora de trabalho sabe o valor do tempo? Isto, para não falar dos que trabalham gratuitamente. A última proposta para limpeza de casa que recebi foi de 12 euros/hora, comparações? São fáceis de fazer. Mas, como disse, o tempo não é só dinheiro, pois há coisas que o dinheiro não consegue comprar, e que devemos pensar se são mais valiosas que o dinheiro ou não, sejam 2 ou 12 euros. Quanto vale poder passar o Natal, ou outras festas com a família? Alguns até dizem que vale o mesmo que um dia vulgar, mas como diz o outro "pimenta no rabo dos outros, para mim é refresco". Quanto vale todo o tempo passado com a família mais próxima, pais, cônjuges, filhos, irmãos? Quanto vale uma noite passada na nossa cama, sem gritos, sem campainhas, sem trabalhar? Quanto vale um dia da nossa vida perdido? Quanto vale a saúde física e mental? Quanto vale um ritmo circadiano adequado? Quanto vale uma tarde passada com um amigo a conduzir um kart, ou um Ferrari? Quanto vale um dia de sossego sem chamadas de telemóvel inquietantes? Quanto vale a felicidade?
Se os enfermeiros soubessem dar o devido valor ao seu tempo, os outros também teriam de o fazer. Não se esqueçam ainda que 75% ou até 200% de pouco, provavelmente continuará a ser pouco.

"Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde; Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro; Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido." (Dalai Lama)

31 dezembro, 2010

2010 -> 2011


...ver aproximar-se o inicio de mais um ano, ou será que esse ano já começou? Se Cristo nasceu no Natal, então aí será o início do ano 0 (d.c.), e não passado 6 dias, não? Há certamente uma boa explicação para isso, mas eu não sei e não me apetece googlar, por isso, se alguém se quiser exprimir, esteja à vontade. Agora, os tradicionais votos de Ano Novo:

Reflitam no ano que passou e tirem conclusões úteis para o ano que aí vem. Apesar das más perspetivas, os enfermeiros têm a vantagem (?) de já estarem habituados a grandes dificuldades. Saibamos usar mesmo o que for mau em nosso favor, saibamos ver as coisas por uma perspectiva mais positiva, saibamos lutar pelo que queremos com persistência e sentido de responsabilidade, saibamos ser felizes e se o desejo de muita gente para o novo ano é o de saúde, aproveitemos o facto de sermos as pessoas mais indicadas para lhes dar (ou vender) isso! Eu próprio vou (infelizmente) fazer isso desde o primeiro minuto.


Boas entradas e bom ano 2011!

24 dezembro, 2010

Boas Festas


...desejar a todos os visitantes deste blog um:

Feliz Natal!!!

Aproveitem ao máximo esta época e guardem um bocadinho do espírito natalício para os restantes dias do ano.

20 dezembro, 2010

Assimetrias


...ser diferente dos iguais. No outro dia, num certo concurso televisivo onde os concorrentes dizem a sua profissão, uma das concorrentes disse ser enfermeira supervisora. Isto fez-me pensar nas assimetrias da nossa profissão... ou será que até já é mais que uma profissão? Temos assimetrias entre os diferentes países, assimetrias dentro do nosso país, entre as instituições de saúde, dentro das mesmas, dentro de cada serviço e dentro das tarefas de cada um. Será sem dúvida uma das profissões mais heterogéneas que conheço. O conceito de enfermeiro em cada país é tão díspar como os seus ordenados, sendo que no nosso país temos dos enfermeiros mais desenvolvidos, com mais conhecimentos e competências, ainda que sejam dos que têm menor visibilidade social e menores ordenados (o que está correlacionado). Os ordenados variam ainda consoante as regiões, sendo que me parece que os enfermeiros são melhor remunerados no centro do que no norte/sul, ainda que desempenhem funções semelhantes (admitindo contudo que haja algumas diferenças). Em zonas iguais, mas instituições diferentes, os enfermeiros desempenham funções diferentes, têm ordenados diferentes e responsabilidades díspares. Dentro da mesma instituição, em serviços diferentes, vemos enfermeiros com a mesma formação, mas com uma enorme diferença no trabalho que desempenham, a nível do esforço físico/mental, das responsabilidades, e isto sem contar com os muitos cargos diferentes que um enfermeiro pode ocupar. Mesmo dentro do mesmo serviço, enfermeiros semelhantes na sua formação, e no seu percurso académico e até profissional, podem desempenhar funções muito diferentes, nomeadamente a nivel de front office/back office. Estas disparidades podem levar a uma desmotivação quando percepcionadas pelos enfermeiros, com as consequentes implicações disso. Parece que "somos todos colegas"... mas é só ás vezes! Para terminar, saliento ainda a heterogeneidade das funções de um enfermeiro, que num momento está a recolher material para uma intervenção que o médico vai realizar, ou a pentear um cabelo, para a seguir fazer reabilitação, ou ensinos/treinos ao doente. Eu acho que actualmente não faz sentido existir um profissional com um leque tão alargado de funções/responsabilidades, uma vez que o futuro aponta para o caminho da especialização/diferenciação e este "profissional faz-tudo" acabará por não fazer nada, uma vez que o seu leque de funções está a ser facilmente retalhado e "roubado" por outros profissionais e a solução passará por uma especialização numa "parte do leque", algo em que sejamos especializados, algo que desempenhemos melhor que ninguém, sendo insubstituíveis; só falta definir o quê... se ainda formos a tempo!...

03 dezembro, 2010

Vencer a resistência do consciente


...conviver todos os dias com as mesmas coisas e por vezes não pensar em todos os significados das mesmas. As coisas e as situações por vezes passam uma espécie de mensagem subliminar que nós nem sempre reparamos. Começo pela farda... porque se usa a farda? "Para fazer a distinção dos profissionais... porque é prático..."; só por isso? Porque é que nalgumas escolas as crianças têm de usar farda? Para não se confundirem com... os professores?! A farda também serve para uniformizar todas as pessoas que a usem. Todos os enfermeiros, usando a farda são uniformizados; a partir do momento em que despem a roupa "da rua" e vestem a farda, perdem a sua individualidade, ficando "todos iguais". Os médicos e outros profissionais que usam bata, não perdem a sua individualidade, usam uma bata (de preferência aberta), mantendo a sua roupa própria que os diferencia, que não lhes retira a sua individualidade. As enfermeiras são incentivadas a nem sequer usarem maquilhagem nem qualquer adorno e manter o cabelo preso, igual em todas, retirando qualquer possibilidade de expressão individual (porque é que "as das batas" fazem quase sempre o oposto?); resta-nos o calçado e as meias, que é usado por alguns da maneira mais criativa possível, como manifestação da sua individualidade e diferenciação dos demais colegas. E a mania dos médicos usarem o estetoscópio (que os identifica) à volta do pescoço? Qual a simbologia, que mensagem transmite? Passa a mensagem que o médico ouve o que mais ninguém consegue ouvir; mas o médico também consegue ver o que mais ninguém consegue ver, pois usa otoscópios e quadros brancos para visualizar radiografias, sendo instrumentos que socialmente também o identificam. Que instrumentos identificam os enfermeiros?  Para terminar, só mais uma reflexão... os doentes usam campainhas para chamar pelos enfermeiros... quem mais é chamado por campainhas? Os empregados, os criados, certo? Muitas mais coisas na nossa profissão são merecedoras de uma reflexão sobre a mensagem que passam, pois nada é feito/decidido ao acaso e existe muita gente ciente da importância desta mensagem subliminar, da simbologia das coisas, da imagem social e que a sabe usar em seu proveito; infelizmente os enfermeiros não estão incluídos neste grupo e só sabem queixar-se posteriormente da falta de reconhecimento social, sem pensar nas causas da mesma. Por vezes devíamos parar um pouco e refletir nos vários significados das coisas, nas mensagens que passamos, ver para além do óbvio e do concreto; a profissão estaria certamente melhor.