...tentar descobrir o mistério de uma grande vendilhona. Já antes tinha falado do assunto de forma genérica, mas agora vou comentar um caso em concreto, uma enfermeira directora de um hospital do Porto (que dizem ser parecido com o Santa Maria). Esta misteriosa senhora, entrou para o cargo na altura do governo socrático e o grande mistério é ainda o manter depois da "mudança de cor" ocorrida (após umas demissões e readmissões polémicas). Afinal que "camisola veste" esta individualidade? Rosa ou laranja? Nem uma nem outra, tendo em conta que foi candidata (suplente) à assembleia de freguesia de Moreira da Maia pelo... BE! Trata-se portanto de mais uma enfermeira a "vestir a camisola" vermelha (que pouco abona a favor da enfermagem). Mas então porque ocupa ela o cargo de directora? Como seria de esperar pelo título do post, porque é uma (grande) vendilhona! Vende a preço de saldo quase 2000 enfermeiros (e de forma indireta muitos mais). Esta senhora é conhecida por atitudes para com os seus "colegas" muito pouco dignas e de nenhuma "camaradagem", como seja o desprezo por estes, os insultos a enfermeiros de modo pouco (ou nada) civilizado, em pleno corredor, incluindo a enfermeiros-chefe, é conhecida por expressões como "não gostas manda embora que tenho centenas deles a bater à porta todos os dias" - referindo-se a colegas enfermeiros, e agora em "época de crise económica", gosta de fazer o seu brilharete cortando de forma cega na dotação de enfermeiros por turno, ignorando todas as teorias da motivação (no trabalho); será que não teve Psicologia Organizacional durante o Curso de Administração de Serviços de Enfermagem? Não compreende algo tão simples como o facto dos turnos menos trabalhosos serem uma compensação que ajuda a tolerar (física e psicologicamente) os turnos com verdadeiro trabalho de escravatura e que os enfermeiros olhando para o lado vêem os médicos que apesar de auferirem ordenados bem mais chorudos não são dispensados do trabalho e estão lá a "esfregar as barrigas" toda a manhã por não terem um único doente? Ou resolve tudo mandando embora estes e admitindo mais uns quantos dos que batem à porta (e alguns se calhar até à janela)? E tudo isto em troca de quê? Dos €80.000 anuais? Somando ainda uma Avensis "da empresa", quando ela até é das que menos usa "o carro da empresa", com apenas cerca de 20.000 Km anuais... talvez prefira usar o telemóvel, onde é a mais gastadora (os seus camaradas não devem ser Vodafone). Assim, em troca de "pouca coisa", prostitui tantos enfermeiros, como se não bastasse a prostituição (de nível menor) que eles já vão cometendo e é destes "paus-mandados" que os governos gostam, por isso vai continuando "no poleiro". Como diz o outro, we are doomed!
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13 agosto, 2012
A vendilhona (pouco) misteriosa
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13 julho, 2012
A greve de década
...fazer o rescaldo daquela que me parece ter sido a greve mais mediática dos últimos tempos - a greve geral dos médicos. A principal razão desta greve parece-me ser claramente a pretensão da demissão do ministro da saúde, para ir para o seu lugar (mais) um médico e assim terem tudo o que querem, como tem sido regra até agora, daí só agora terem feito greve (em 25 anos!) e sem disponibilidade para negociações antes desta, mesmo perante cedências do ministro. A outra razão serão as condições laborais/salariais; mesmo com o país falido, onde (quase) toda a gente tem de se sacrificar, correndo grandes riscos de ir parar ao desemprego, os médicos decidiram fazer greve porque nas suas horas extra diminuíram de 80 (!!!) para 30€/h (só???). O privilégio desta classe não é segredo nenhum e nem adianta disfarçá-lo, só a certeza de emprego seguro aquando da finalização do curso vale o que vale, mas os inúmeros privilégios não começam só aqui e acabam bem longe.
Gostei da intenção dos médicos de fazerem os utentes acreditarem que não valia a pena deslocarem-se ás instituições de saúde porque estas não estariam a funcionar (a saúde são médicos, só!) e ainda gostei mais da conivência de alguns enfermeiros que cancelaram as consultas de enfermagem por estas não fazerem sentido sem haver consultas médicas (depois não se podem queixar muito dos 7€/h ou mesmo dos 4); recordo-me de na última greve dos enfermeiros os médicos terem tirado o estetoscópio do pescoço e se terem armado em enfermeiros, furando a greve por pena dos doentinhos (essa desta vez esfumou-se).
A minha última reflexão vai para os serviços mínimos assegurados. Chegou a hora de fazer contas... no meu serviço, turno da manhã:
- enfermeiros: dia normal, 20; dia de greve, 12 - mínimos: 60%
- médicos: dia normal, 16 (80 contando com os internos); dia de greve, 1 - mínimos: 6% / 1%
Que conclusões se podem tirar destes números, e destas, quais as acertadas?
Porque é que só são precisos 1 - 6% dos médicos para realizar os serviços mínimos, quando são precisos 10 - 60 vezes mais enfermeiros? Será que 60% daquilo que os enfermeiros fazem é o mínimo indispensável, enquanto que 94 - 99% do trabalho dos médicos é perfeitamente dispensável? Será que os enfermeiros são assim tão mais eficientes que os médicos? Se alguém conseguir tirar mais alguma conclusão, esteja à vontade para a publicar...
Porque é que só são precisos 1 - 6% dos médicos para realizar os serviços mínimos, quando são precisos 10 - 60 vezes mais enfermeiros? Será que 60% daquilo que os enfermeiros fazem é o mínimo indispensável, enquanto que 94 - 99% do trabalho dos médicos é perfeitamente dispensável? Será que os enfermeiros são assim tão mais eficientes que os médicos? Se alguém conseguir tirar mais alguma conclusão, esteja à vontade para a publicar...
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14 fevereiro, 2011
Ditadura na saúde
...referir-se a um assunto, não tanto como enfermeiro, mas mais como utente/cliente, pois acho que as "relações interdependentes" (como p.ex. limpar o suor da testa ao cirurgião), podiam e deviam tender para a extinção, mas sobre isto estou a pensar referir-me noutro post. A prescrição por DCI volta a estar "na berlinda" e os mais importantes de todo o processo (os utentes) ficam a ver passar "a berlinda" sem poderem fazer nada. Confesso que fico um pouco chocado (neste país já começa a ser difícil haver algo que me choque muito) ao ver a insolência com que os médicos se assumem como ditadores na saúde (ou melhor, na doença) dos seus utentes/doentes e mais que isso, na carteira dos mesmos. Assim de repente "só" me surgem muitas perguntas em que a resposta pouco terá a ver com a "defesa dos doentes":
-No curso de medicina, aprendem a prescrever substâncias ativas ou marcas?
-Ainda que diferentes marcas possam ter efeitos terapêuticos diferentes, como sabem os médicos quais são os melhores? Experimentam-nos neles, fazem dos doentes cobaias, ou acreditam no Pai-Natal (leia-se delegado de informação médica)?
-A quem cabe avaliar a qualidade dos medicamentos à venda no mercado português? À Ordem dos Médicos ou ao Infarmed? Quem tem a competência e capacidade técnica para tal e quem tem uma opinião corporativa e baseada em mitos?
-Se no internamento prescrevem por principio ativo, porque não o fazem em ambulatório, prescrevendo normalmente uma marca diferente daquela na qual confiaram durante o internamento e que melhorou o doente?
-Se no internamento prescrevem por principio ativo, porque não o fazem em ambulatório, prescrevendo normalmente uma marca diferente daquela na qual confiaram durante o internamento e que melhorou o doente?
-Porque é que a opinião do bastonário da OM é sempre coincidente com a da indústria farmacêutica e sempre com preocupações mais industriais que científicas?
O nosso Presidente (da República) que percebe imenso de medicina, vetou o diploma, zelando pela saúde dos doentes, para que estes não andem por aí a tomar medicamentos baratos (o que não é nada chic) e como não têm dinheiro para os de marca, não tomam medicamentos, pelo que da cura já não morrem, morrerão da doença?
A Indústria Farmacêutica (e seu representante mais ativo, i.e. Bastonário da OM) congratulou-se com esta decisão (porque será) e até disse que assim foram salvos cerca de 1000 postos de trabalho (pagos com o dinheiro de quem?); resta saber se neste número estão incluidos os empregos relativos ao "turismo médico", negócio de LCDs/LEDs, smartphones e afins, sim, porque se para a opinião pública as prendinhas dos delegados de informação médica se calhar são só rumores, ajudada pela rapidez com que as denúncias fundamentadas/factuais destas situações são abafadas na comunicação social, quem como nós sabe a realidade (ou pelo menos parte dela), não pode deixar de sentir revolta por este sistema mafioso. A marca serve apenas para proteger o mercado e consequentemente o preço do medicamento após a caducidade das patentes (período após o qual começam a aparecer os genéricos), mas isto pouco interessa ao doente (e ao Estado), pelos vistos só interessa aos médicos (e à indústria farmacêutica). O doente, que compra o medicamento e que o vai tomar é que é lógica e racionalmente quem decide a marca, após o aconselhamento com o seu médico e com o farmacêutico (que por sinal percebe mais de farmacologia que o médico), de acordo com as suas possibilidades monetárias, numa decisão livre, informada e responsável. Ainda gostava de ver a reação de um médico se na próxima vez que fosse ás compras e quisesse comprar por exemplo leite, estivesse lá um nutricionista para o obrigar a comprar leite de determinada marca, uma vez que ele percebe mais de leites do que o médico. Situações ridículas num pais ridículo, onde os médicos nem precisavam de se preocupar tanto com esta situação, uma vez que para a maioria do portuguesinho, aquilo que o sr. dr. médico disser é lei. Coroam-nos e não querem que reinem?
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18 novembro, 2010
A doença do hospital de Viana do Castelo
...dar a voz aos nossos clientes. Publico a pedido da autora o seguinte:
"A DOENÇA DO HOSPITAL DE VIANA DO CASTELO (ULSAM)
ANTÓNIO MARTINS PARADELA JÚNIOR, meu pai está novamente internado na cama 21, piso 4, cirurgia 1. Este internamento, foi decidido, após uma espera de 26 horas nos corredores da URGÊNCIA, chamado na ULSAM de VIANA DO CASTELO, de OBS - MACAS, com horas de visitas marcadas, como se estivesse o doente num OBS. Um corredor de loucos !
Os maqueiros batem com as camas nas macas por falta de espaço, auxiliares que gritam de um lado para o outro, parece que estão no 'Campo d' Ágonia', os enfermeiros correm de um lado para o outro porque não são suficientes, os médicos saem da urgência para o bloco e o doente fica sem saber nada sobre o seu diagnóstico, porque só pode ser dito pelo médico que o acompanha e o mesmo está no bloco. Um TAC mandado fazer às 9h45m, só é informado à família o resultado, às 21h30m.
Meu pai entrou na urgência no dia 7 de Outubro de 2010, às 21h45m, e subiu para internamento, no dia 8 de Outubro de 2010, às 23h50m. Com 87 anos, não é permitido acompanhante, porque está em OBS - MACAS, no corredor de um manicómio, onde todos gritam e ralham, e ninguém tem razão.
Sra. Ministra Ana Jorge, permita-me que lhe faça um convite especial. Venha passar 26 horas em OBS - MACAS, nos corredores da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo. Ofereço-lhe a MACA I, do Sr. António Martins Paredela Júnior, meu pai, a quem AMO muito, como com certeza a Sra. Ministra, ama o seu. Venha sentir na própria pele o desespero da espera, da solidão, do afastamento da família junto com a doença, a razão pela qual nos leva a ficar nesse corredor o tempo que nos obrigam.
Por onde anda a Sra. Ministra Ana Jorge ? Em 3 meses é a terceira vez que exponho neste livro o meu descontentamento (14/10/2010), e nunca obtive resposta do seu gabinete. Isto só prova que a saúde também está muito mal no seu ministério. Venha para a rua, venha para os hospitais. O que os olhos não vêem, o coração não sente !
Os utentes, que também são contribuintes é que sofrem com a má gestão feita dos dinheiros públicos. E agora só se ouve falar em 'CONTENÇÃO'. 'ABUNDÂNCIA PARA OS MAIS FAVORECIDOS, CONTENÇÃO PARA OS MAIS NECESSITADOS'.
É isto que a Sra. Ministra tem para nos dar !
É este o País que temos !
Espero que a Sra. Ministra esteja bem de saúde e se lembre da saúde dos outros. Onde estão os direitos dos doentes ?. Será que os mesmos só têm deveres ?. A Sra. Ministra, sabe quais são os seus deveres ?, ou só sabe os seus direitos ?.
O HOSPITAL DISTRITAL DE VIANA DO CASTELO, hoje, ULSAM, foi construído para prestar cuidados de saúde cinco estrelas, só que, quatro já caíram e a quinta está balançando.
Isto é um exemplo da saúde da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo, com certeza o câncer já tem ramificações suficientes para infectar muitos utentes que por ali passam. É caso para dizer, pensem, antes de ficar doentes !.
LÚCIA FRANCISCA PARADELA
Rua do Calvário Nº 89
Vila Mou - Viana do Castelo
Estrada da Papanata Nº 73 - 1º Esq.
Viana do Castelo
Contribuinte - 124572650"
Parece que não são só os enfermeiros a ver que a saúde em Portugal está doente, neste modelo de saúde centrado nos médicos, onde se valoriza a doença e não a saúde, neste modelo onde os enfermeiros se deixam enrolar não remando contra a maré, não defendendo os seus interesses e os seus clientes. Os resultados estão à vista...
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24 outubro, 2010
Adiável mas inevitável
...assistir à chegada dos "auxiliares de enfermagem" ou como lhe querem chamar "técnico auxiliar de saúde". Como eu já esperava, aconteceu o inevitável, e foi publicada a Portaria 1041/2010 que leva à criação destes técnicos. Lendo as funções designadas, à partida, estas pouco ou nada acrescentam ás atuais funções das assistentes operacionais (AO), com a diferença de terem formação específica para as funções a desempenhar e terem funções legalmente definidas, o que nem sempre acontecia com as AO. O enfermeiro deve cuidar do doente, da pessoa com uma doença (nunca podemos negligenciar esta condição). Não se focalizando na doença, que será do domínio médico, o enfermeiro é responsável por assegurar a satisfação das necessidades humanas básicas do doente enquanto este se encontra numa instituição de saúde, atendendo ás limitações impostas pela doença e pela institucionalização, mas é também responsável pela preparação do doente para a sua vida após a alta, com as novas condições impostas pela doença. O enfermeiro deve atuar não enquanto ser humano (com as limitações impostas enquanto tal), mas enquanto profissional de saúde, com o poder, o conhecimento e as competências para ajudar a pessoa doente. Atenção que o facto de ser responsável pela satisfação das necessidades, não significa que tenha de ser ele a executar todas as tarefas, muitas delas podem ser delegadas, sobretudo se tivermos pessoas com um mínimo de formação a quem as possamos delegar. Aos enfermeiros que dizem que vão ficar com pouco trabalho, eu respondo "se quiserem"... Se o enfermeiro fica mais liberto daquelas tarefas rotineiras, que pouco exigem de si enquanto profissional diferenciado que é, tem de aproveitar o tempo que ganha, para estar de facto com os doentes, analisando toda a situação do mesmo com o tempo necessário, todos os problemas, e encetar as medidas necessárias para os ultrapassar ou minimizar, sendo que poderá gastar mais tempo com um doente independente nas AVD's mas com outras necessidades por resolver do que com um doente totalmente nas AVD's, mas que pouco requer na verdade do enfermeiro, o que atualmente só pode acontecer teoricamente. Os doentes começarão a sentir que o enfermeiro está de facto ao seu lado quando necessita dele e não quando este quer/pode (dadas as rotinas impostas) e a imagem social do enfermeiro começará a ser valorizada, com todas as vantagens que daí advêm. Por outro lado, o enfermeiro fica com mais tempo para investir na formação, na sua, na do doente e familiares/cuidadores, devendo ainda aumentar a sua autonomia nas tarefas que desempenha, ou seja, reduzir as intervenções dependentes/interdependentes ao máximo de modo a poder prestar cuidados de modo mais eficaz e eficiente. Espero (embora não acredite muito) que a enfermagem portuguesa saiba aproveitar este impulso, esta indicação do caminho certo a tomar e consiga tornar o enfermeiro num profissional indispensável, coisa que como facilmente se percebe não acontece atualmente.
12 julho, 2010
Escala de valores
...avaliar e ser avaliado. Começou desde que entrei para a escola, quando comecei a ser avaliado e não terminou agora que já o não sou (por enquanto), tendo apenas mudado de lado, passando de avaliado a (potencial) avaliador. Desde então sempre me meteu confusão o uso que os avaliadores fazem da escala de avaliação que teoricamente vai de 0 a 20 (por exemplo), mas que depois é restringida até 17 ou 18 valores porque "o 20 é para Deus, o 19 para o avaliador e o 18 para o aluno ou nem isso"; ou então "para ter 20 tem de ser excelente em tudo e isso é impossível". Esta é mais uma daquelas "faltas de visão" que realmente me irrita e me leva a discutir com as pessoas, em discussões perdidas porque as pessoas não admitem que estão erradas, ainda que "contra factos não haja argumentos" e sempre me levaram a perguntar porque querem os avaliadores ficar "com as notas para eles". Se a escala é de 0 a 20, isso significa que desde o 0 até ao 20, todos os valores são para o aluno, sem qualquer margem para dúvidas ou discussões possíveis. Por outro lado, para "ter 20" não é preciso ser excelente em tudo e melhor até que o avaliador (ainda que tal não seja impossível); numa avaliação, existem objectivos a atingir pelo avaliado e se estes forem atingidos na plenitude a única avaliação possível será a máxima (20), podendo até o avaliado ser péssimo nalgum aspecto que o avaliador ache importante, mas que não influencia nenhum dos parâmetros a ser avaliado. Assim, para mim, a escala de avaliação será sempre usada em toda a sua extensão e não tenho nenhuma objecção em atribuir a nota máxima ao avaliado que atinja a plenitude doa objectivos e a nota mínima àquele que não os atinja minimamente. Para terminar, recordo só "a teoria" de um professor meu durante o curso de enfermagem que não atribuía mais que 14 aos seus alunos pois essa era a sua a média final de curso (de medicina) e não havia nenhum aluno melhor que ele; se agora até dá alguma vontade de rir, na altura não sei o que faria se concedesse livre arbítrio à minha vontade.
23 abril, 2010
Profissão mais antiga do mundo
...praticar diversas formas de prostituição. Não, não venho falar da famosa história das alunas de enfermagem (nesta altura já enfermeiras?) que eram/são simultaneamente "acompanhantes de luxo". Vou falar de outros tipos de prostituição, com outros tipos de recompensas. Falo de enfermeiros que se prostituem a si e prostituem toda a enfermagem a troco de um favor do sr. doutor, de um reconhecimento dos seus superiores ou de trabalho de outros. São os enfermeiros que servem de empregados aos srs. doutores porque precisam de um favor para si ou para um familiar, e então lhe atendem o telemóvel, lhe buscam um café ou o que o sr. doutor precisar (cada um com distintos limites); são os enfermeiros que fazem de tudo para agradar aos seus chefes e caírem nas suas boas graças, são os enfermeiros que se sujeitam a executar tarefas que não são suas para que as assistentes operativas façam o trabalho que seria deles. Mas ainda mais grave que estas formas de "auto-prostituição" (ainda que prostituam toda a classe) são os casos dos enfermeiros que usam os seus colegas com quem trabalham; estou-me a referir por exemplo aos enfermeiros-chefe que prostituem os enfermeiros do seu serviço a troco de uma promoção/nomeação ou ainda a troco de umas horas de empregada doméstica (leia-se assistentes operativas) gratuita em sua casa, sendo que neste caso a prostituição é também das assistentes operativas. Há quem lhe chame "banco de favores", mas eu chamo-lhe mesmo prostituição, uma vez que esta num sentido mais lato e figurado também pode ser vista como um banco ou uma troca de "favores". Colegas, prostituam-se à vontade, mas deixem-me fora disso que eu não me importo de continuar com "saldo zero" no "banco de favores" e envergonhem-se de vender ao desbarato a enfermagem!
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16 fevereiro, 2010
Olha a postura
...saber estar. Durante o tempo de curso, sobretudo em alturas de estágio, fui constantemente atormentado pelo "saber estar... saber ser", pela "postura" e penso que isto seja generalizado no nosso país. Com "postura", referiam-se certamente ao modo como nos comportamos, à nossa conduta durante o trabalho, perante os doentes e os outros profissionais, e já agora, perante os colegas. Na altura achava isto da "postura" um bocado ridículo... e contínuo a achar! Ridículo pela maneira como era abordado pelos nossos professores: "o cabelo tem de estar bem preso, nem um fio de cabelo solto no meio da testa... durante a passagem de turno e nas enfermarias, nada de estar encostado a nada ou com as mãos nos bolsos...". Depois incutiam-nos comportamento perante o doente de "ajuda... carinho... atenção... simpatia... ser prestável", e de maneira mais dissimulada, "servidão, escravidão, submissão e vassalagem" perante o doente, que "tem sempre razão" e "cujos desejos deverão ser as nossas ordens, pois estamos ali para o servir e sempre com um sorriso nos lábios", é a badalada "relação de ajuda" que a mim sempre me meteu alguma confusão, ainda não compreendi se pelo que é ou por aquilo que fazem dela. A verdade é que a "postura" é importante, em qualquer profissão e precisa realmente de ser melhorada nos enfermeiros onde existem muitas falhas que contribuem para uma imagem negativa da profissão. Contra mim falarei, mas quão comum não é os enfermeiros estarem numa enfermaria a discutir assuntos pessoais perante os doentes ou a contarem piadas, entre si ou com os doentes e já agora, na presença de outros profissionais? É isso comum noutros profissionais? Qual é a abordagem por exemplo dos médicos aos doentes? Contam-lhes o que almoçaram ou assumem uma atitude séria para serem levados a sério? Porque é que é visto como uma piada os cirurgiões agirem desta forma (descontraída/relaxada) durante uma cirurgia? Será que o nosso trabalho não é sério, rigoroso e exige concentração? Penso que devemos adoptar uma "postura séria" perante os outros para sermos levados a sério, para valorizarmos o nosso trabalho e mantermos alguma autoridade. Se pensarmos bem, quem nos atende com extrema simpatia é quem mais nos quer enganar. Os vendedores, sobretudo os "da banha da cobra" são de uma extrema simpatia. Já abordei a questão da simpatia e suas consequências anteriormente, acabando este post por ser um complemento do mesmo, mas surgindo por razões diferentes. A nossa imagem social é em grande parte construída por nós mesmos e será do nosso maior interesse sermos levados a sério por toda a gente para que ninguém tenha dúvidas de quando estamos "a brincar" ou "a sério" e assim nos darem a importância que precisamos por vezes e merecemos sempre.
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01 fevereiro, 2010
O fim do cuidar
...ter os horizontes curtos (ou demasiado longos). Como referido em posts anteriores, cá está a minha reflexão sobre os enfermeiros que tentam aproximar ao máximo a enfermagem da sua essência, ao cuidar, que neste post será sempre no seu sentido mais restrito (e mais histórico). Estes enfermeiros que me parece estarem maioritariamente nas escolas (fora da prestação de cuidados portanto), mas também fora delas querem tornar a enfermagem autónoma e distinta das outras optando por um campo de acção que actualmente não é "ocupado" por ninguém, o do cuidar. Pergunto eu: nesta "guerra territorial" na área da saúde a que assistimos actualmente em que cada profissão tenta ficar com os campos de acção que mais lhe convêm, "guerra" essa onde a enfermagem tem sido (inertemente) vítima da usurpação de muitas das suas funções por vários profissionais, desde os mais antigos (farmacêuticos) até recentemente criados (ou em vias disso) TAE's, mas não se ficando por aqui, porque é que este campo de acção não foi ainda cobiçado por ninguém? Por antecipação e perspicácia da enfermagem não foi de certeza! Vou referir o Maslow, que com a sua hierarquia das necessidades nos diz que o mais importante para as pessoas é a fisiologia (respiração, comida, sono, excreção...) - plano onde os enfermeiros desempenham um importante papel, mas onde facilmente podem ser substituídos (pelo menos em grande parte das tarefas). Em seguida, depois de satisfeitas estas, surge a necessidade de segurança (do corpo, da saúde), onde o médico desempenha um papel fundamental - foi pela falta de saúde que a pessoa recorreu à instituição de saúde e portanto só depois de restaurada a saúde (altura em que tem alta e vai embora) é que a pessoa se começa a preocupar com a auto-estima, a solução de problemas, o respeito dos outros, a moralidade, ausência de preconceitos, etc. e assim se compreende que o doente não se importe que o médico não respeite tanto estas últimas necessidades, uma vez que satisfaz outras necessidades mais importantes para eles no momento. Assim, os referidos enfermeiros pretendem actuar na área das necessidades menos importantes das pessoas (doentes), pelo que nunca lhes poderá ser dada grande importância na sociedade actual, em que mal se consegue satisfazer a necessidade de saúde das pessoas e se procura a rendibilidade e a utilidade, a cura, não sendo possível financiar a satisfação de necessidades de menor importância. Quando num futuro (distante) a necessidade básica de saúde for facilmente satisfeita, então aí fará todo o sentido apostar em profissionais especializados nas áreas da estima e realização pessoal, mas nessa altura alguém se antecipará com certeza aos enfermeiros. E assim termino a minha análise do cuidar, seu passado e futuro.
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08 novembro, 2009
Ad libitum
...optimizar fraldas. Assisti recentemente a (mais) um episódio "daqueles"... Um médico, em plena enfermaria, em frente aos doentes, a ensinar enfermagem a enfermeiros, nomeadamente a explicar como fazer a drenagem postural de um membro, com todos os passos a dar, com as vantagens da técnica, a fisiologia envolvida, etc... e os enfermeiros atentos como se fosse uma grande novidade, uma aprendizagem de algo novo (seria?). Mais caricato ainda é que nesse grupo estavam presentes daqueles enfermeiros que no turno anterior tinham perdido largos minutos a discutir diagnósticos médicos, medicação prescrita e outros assuntos assuntos médicos mais, que para a prestação de cuidados de enfermagem nada importa (como de resto já é costume). Este foi só mais um episódio no meio de outros, que deviam deixar os enfermeiros a reflectir seriamente no assunto. Andam muitos enfermeiros preocupados que os AAM (ou AO) lhes possam usurpar a optimização da fralda e descuram áreas em que devíamos saber mais que ninguém, para que nenhum médico precisasse de ensinar mais enfermagem a enfermeiros. Eu sei que exige mais conhecimentos (científicos) optimizar uma drenagem postural de um membro que uma fralda ou travar/destravar um cadeirão, e se nós não formos capazes de preencher essa lacuna, os médicos estão prontos a isso e depois não se podem queixar de ver prescrições médicas como "aspirar secreções em SOS", "realizar cuidados de higiene à boca", ou "oferecer água"; se nós não soubermos praticar enfermagem alguém nos ensinará. Há um aspecto que temos no entanto de ter em atenção, que são os conhecimentos por trás das técnicas; temos de ter sólidas bases científicas de todas as técnicas que praticarmos, mais que o médico que nos quiser ensinar a praticar enfermagem. Nunca deveria ser o médico a sugerir a instalação de relógios e calendários nas enfermarias para ajudar os doentes na orientação temporal; reflectem os enfermeiros sobre a optimização das fraldas e da lavagem das costas ao "velhinho" em vez de reflectirem na manutenção do ambiente do doente? Até quando vamos deixar que retalhem a enfermagem e levem os pedaços a seu bel-prazer?
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31 outubro, 2009
Atchimmm!!!
...ser cobaia. Penso que seria inadmissível não dedicar um post à gripe A e à adesão (ou não) por parte dos enfermeiros à polémica Pandemrix, uma vez que até um "bastordinário" de uma Ordem que não a dos enfermeiros "mandou bitaites" sobre o assunto (que não lhe dizia respeito). Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que os enfermeiros não são considerados grupo prioritário por serem um grupo de risco pela maior probabilidade de contacto com o vírus, mas sim por serem necessário em caso de (verdadeira) pandemia, ou seja, não é para a sua protecção pessoal mas para a protecção da mão-de-obra; não querem saber dos nossos riscos laborais mas do nosso trabalho (barato), colegas desenganem-se! Podia dissertar sobre o verdadeiro risco da gripe A e os números da mortalidade, comparados com outras doenças, incluindo a gripe sazonal, mas penso que já serão do conhecimento geral. Passando então à Pandemrix, uma vacina comercializada pela GlaxoSmithKline, que misteriosamente deixou de poder ser consultada no site da mesma, não é considerada segura por todos os organismos. Segundo o Infarmed, foi "estabelecida a relação benefício-risco e o benefício foi considerado superior ao risco" pela Agência Europeia do Medicamento. Esta vacina não foi aprovada pelos Estados Unidos por conter substâncias na sua composição que podem alegadamente causar danos à saúde, a Suiça impõe restrições à toma da mesma e os políticos alemães optaram por tomar antes a Cevalpan (da Baxter) - será que os nosso estão a fazer o mesmo "ás escondidas"? Penso no entanto que a relutância dos enfermeiros não está tanto nos riscos conhecidos da vacina, pela sua constituição, mas como frisa Rui Nunes, porque "sabem que não há ainda resultados verdadeiramente sólidos que permitam determinar com clareza se a pessoa deve ser vacinada". Os enfermeiros sabem que o tempo que demora a desenvolver e comercializar qualquer medicamento é normalmente muito superior ao que foi despendido nestas vacinas. Os enfermeiros sabem que ainda decorre o período experimental das vacinas e que na verdade servirão de cobaias. Os enfermeiros sabem que se vão sujeitar aos riscos do tiomersal para que se possa utilizar o sistema da multidose e do escaleno para reduzir o tempo da cultura de vírus inactivos, para que a produção do medicamento satisfaça a procura em menos tempo de produção e aumente exponencialmente os lucros das respectivas farmacêuticas como se tem vindo a verificar (por exemplo, valores de 27 dólares em Março deste ano para 42 dólares actualmente, por acção da GSK) . Os enfermeiros sabem que são pressionados a correr estes riscos para diminuir os riscos de contágio da restante população. Os enfermeiros sabem, e Pedro Nunes, não sabe? Então a ignorância é dele! Pelos vistos os seus colegas também sabem e seguem o mesmo caminho dos enfermeiros e já agora, da maioria das restantes pessoas consideradas como grupos prioritário, incluindo os deputados. Eu pessoalmente, não estou disposto a servir de cobaia e arriscar a minha saúde pela saúde dos meus clientes/utentes/doentes - o meu altruísmo não chega a tanto e julgo ter tanto direito a uns dias "de baixa" com uma gripe como qualquer outro profissional (sarcasmo) e apenas pelo maior risco de contacto com o vírus e para evitar contagiar os meus familiares pondero correr os riscos e ser vacinado.
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22 outubro, 2009
O bom, o mau e o vilão
...ser bom. Normalmente os profissionais ficam contentes quando as pessoas os elogiam como sendo "bons profissionais". Vamos ver o que acontece na Enfermagem: o cliente/doente diz-nos (geralmente) que somos bons enfermeiros quando fazemos mais que o nosso dever, quando executamos uma tarefa que seria de outro profissional menos diferenciado (AAM, telefonista, esteticista, empregado de limpeza, moço de recados...); o familiar diz-nos que somos bons enfermeiros quando também fazemos tarefas que não nos competem ou quando quebramos as regras institucionais. Não nos elogiam por cumprir rigorosamente e com profissionalismo as nossas tarefas... "isso é obrigação dele", "é para isso que lhe pagam"... Já um médico que seja competente, é um excelente profissional... "podia não ser, mas ele é muito bom médico" (ser competente é uma mais valia e não uma obrigação, aqui já não "é para isso que lhe pagam").
Para quem nos avalia (enfermeiros chefe), ser bom enfermeiro é gastar pouco material, trabalhar por 2 ou 3 e manter os doentes e familiares sempre satisfeitos (independentemente das exigências). Para os médicos, ser bom enfermeiro é ser subalterno e servir de empregado. Para os AAM, ser bom enfermeiro é não lhes delegar nenhuma tarefa. Para os colegas, ser bom enfermeiro é fazer as trocas de horário que eles precisam, não deixar nenhum trabalho para o turno seguinte e pedir pouca colaboração.
Depois do exposto, só posso concluir que eu não quero ser bom enfermeiro, eu quero ser é um enfermeiro competente (como "eles" dizem... "é para isso que me pagam").
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18 outubro, 2009
Pontos de vista
...ser autodida(c)ta. Pela razão expressa no anterior post, recorri ao material de estudo que tinha guardado (há uns anos) de Pediatria, para esclarecer dúvidas de pai. A questão é que fiquei na mesma. Não me esclareceu nem uma; o Google, que teimosamente me "envia" para sites brasileiros, provou ser uma ferramenta bem mais útil. Que conclusões posso eu tirar daqui? No curso, não me transmitiram nenhum conhecimento verdadeiramente útil na área de pediatria; muita patologia, teoria sobre coisas incomuns e nada sobre coisas mais comuns e práticas, que possa transmitir à maioria dos pais (essa não é função nossa?). Felizmente a maioria dos colegas do serviço de obstetrícia (Hospital S. João), demonstraram ter alguns desses conhecimentos, adquiridos quase de certeza por iniciativa própria, com formações pagas a posteriori, ou mesmo no já referido popular motor de busca, que transmitindo aos pais, demonstravam ter (enaltecendo a profissão), ficando então uma nota positiva para eles. No outro lado da balança, está a equipa médica, que por várias razões (sempre as mesmas) fica com nota negativa. Para finalizar vou "deitar uma acha na fogueira" (para esta não se apagar): como não podia deixar de ser, o facto de ser enfermeiro, fez com que recebesse "um tratamento" diferente por parte dos colegas no hospital... note-se que o diferente, aqui, significa PIOR. Com amigos assim, quem precisa de inimigos?
11 outubro, 2009
No poupar é que está o ganho (?!)
...ser poupadinho. Esta é mais uma "daquelas coisas" que me deixa abismado com a estupidez, a tacanhez, a falta de visão que está embrenhada nos enfermeiros. Qual é o aluno que nunca foi aconselhado a "poupar material" pelo seu "enfermeiro orientador/supervisor", ou o enfermeiro que não recebeu o mesmo "conselho" da parte do seu chefe? Chega-se ao ridículo de usar agulhas de calibres menores para poder poupar uns cêntimos por caixa (quando não são até ao mesmo preço), ou de cortar compressas (ao meio ou até em quatro) para não gastar tantas; estão de olho na quantidade de adesivo ou de ligaduras que gastamos num penso e somos repreendidos se utilizarmos p.e. um frasco de soro de 1000ml quando um de 500ml podia ser suficiente. Que bom sermos assim poupados, pois conseguimos poupar aos contribuintes (ou nas EPE's, directamente ao hospital) uns cêntimos ao fim do dia, o que se transforma em meia dúzia de euros ao fim do mês, e para quê? Para em seguida vir um médico requisitar uma TAC, RMN ou outro exame ainda mais caro, num doente que até nem precisava, mas o médico decidiu pedir porque sim, por curiosidade (quem nunca assistiu a episódios destes?) e gasta num instante umas centenas de euros, que os enfermeiros vão poupar nalguns anos; isto é, no entanto, só um exemplo no meio de muitos outros de grandes gastos desnecessários, como doentes a fazer antibióticos (que até são por norma, baratinhos!) porque se esqueceram de suspender a prescrição. Pior que isso é que são os mesmos enfermeiros que poupam nas agulhas e nas compressas que depois vão fazer pensos antes da data aconselhada pelo fabricante do produto aplicado no penso "só para ver como está", ou que fazem pensos onde gastam dezenas de euros, num doente em fase terminal, não como medida de conforto, mas porque é assim que fazem sempre e não se sabem adequar ao contexto do doente. Deve ser por sermos os profissionais de saúde mais poupadinhos que somos tão bem remunerados... ou será que a nossa "excelente" remuneração é o reflexo da referida estupidez/tacanhez que nunca deixa de marcar presença na nossa classe?
05 outubro, 2009
Liberdade e Responsabilidade
...viver/trabalhar em contradições. Uma delas, foi estudada nas saudosas aulas de filosofia do secundário. Ensinaram-me nessa altura que a liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres se formos responsáveis, e só podemos ser responsáveis se formos livres. Chegado ao curso de Enfermagem, ensinam-me que em Enfermagem isto não é válido. Tomando por exemplo a prescrição terapêutica: o médico é livre de a prescrever, o enfermeiro não é, e cabe-lhe administrar; se "a coisa" correr mal, a responsabilidade é do médico e do enfermeiro; sim, eu sei que o enfermeiro "é livre" de administrar ou não, mas tem conhecimentos suficientes para decidir (ou prescrever) a administração ou não do fármaco X à pessoa Y? Se tem, porque não é livre de prescrever? Outro: Se não houver médico, o enfermeiro é responsável pela decisão de administração (i.e. prescrição) de medicação numa situação de urgência/risco de vida; tem conhecimentos para isso? se tem porque precisa de prescrição médica na presença deste? Só mais um: o assistente operacional leva o doente ao chuveiro e queima-o com água demasiado quente; sendo que o enfermeiro não tomou a decisão da regulação da temperatura da água (pois não é preciso ser licenciado nem perto disso para regular uma adequada temperatura para o banho), porque é responsável por este erro (ou má intenção)? Generalizando, o enfermeiro tem muita pouca liberdade na tomada de decisões do seu exercício diário, mas sempre que as coisas correm mal (nunca quando correm bem), a responsabilidade cai (quase) sempre sobre este (muitas das vezes com uma ajudinha da Ordem dos Enfermeiros nesse sentido).
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19 setembro, 2009
Apanha que é ladrão!!!
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