...tentar descobrir o mistério de uma grande vendilhona. Já antes tinha falado do assunto de forma genérica, mas agora vou comentar um caso em concreto, uma enfermeira directora de um hospital do Porto (que dizem ser parecido com o Santa Maria). Esta misteriosa senhora, entrou para o cargo na altura do governo socrático e o grande mistério é ainda o manter depois da "mudança de cor" ocorrida (após umas demissões e readmissões polémicas). Afinal que "camisola veste" esta individualidade? Rosa ou laranja? Nem uma nem outra, tendo em conta que foi candidata (suplente) à assembleia de freguesia de Moreira da Maia pelo... BE! Trata-se portanto de mais uma enfermeira a "vestir a camisola" vermelha (que pouco abona a favor da enfermagem). Mas então porque ocupa ela o cargo de directora? Como seria de esperar pelo título do post, porque é uma (grande) vendilhona! Vende a preço de saldo quase 2000 enfermeiros (e de forma indireta muitos mais). Esta senhora é conhecida por atitudes para com os seus "colegas" muito pouco dignas e de nenhuma "camaradagem", como seja o desprezo por estes, os insultos a enfermeiros de modo pouco (ou nada) civilizado, em pleno corredor, incluindo a enfermeiros-chefe, é conhecida por expressões como "não gostas manda embora que tenho centenas deles a bater à porta todos os dias" - referindo-se a colegas enfermeiros, e agora em "época de crise económica", gosta de fazer o seu brilharete cortando de forma cega na dotação de enfermeiros por turno, ignorando todas as teorias da motivação (no trabalho); será que não teve Psicologia Organizacional durante o Curso de Administração de Serviços de Enfermagem? Não compreende algo tão simples como o facto dos turnos menos trabalhosos serem uma compensação que ajuda a tolerar (física e psicologicamente) os turnos com verdadeiro trabalho de escravatura e que os enfermeiros olhando para o lado vêem os médicos que apesar de auferirem ordenados bem mais chorudos não são dispensados do trabalho e estão lá a "esfregar as barrigas" toda a manhã por não terem um único doente? Ou resolve tudo mandando embora estes e admitindo mais uns quantos dos que batem à porta (e alguns se calhar até à janela)? E tudo isto em troca de quê? Dos €80.000 anuais? Somando ainda uma Avensis "da empresa", quando ela até é das que menos usa "o carro da empresa", com apenas cerca de 20.000 Km anuais... talvez prefira usar o telemóvel, onde é a mais gastadora (os seus camaradas não devem ser Vodafone). Assim, em troca de "pouca coisa", prostitui tantos enfermeiros, como se não bastasse a prostituição (de nível menor) que eles já vão cometendo e é destes "paus-mandados" que os governos gostam, por isso vai continuando "no poleiro". Como diz o outro, we are doomed!
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13 agosto, 2012
A vendilhona (pouco) misteriosa
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13 julho, 2012
A greve de década
...fazer o rescaldo daquela que me parece ter sido a greve mais mediática dos últimos tempos - a greve geral dos médicos. A principal razão desta greve parece-me ser claramente a pretensão da demissão do ministro da saúde, para ir para o seu lugar (mais) um médico e assim terem tudo o que querem, como tem sido regra até agora, daí só agora terem feito greve (em 25 anos!) e sem disponibilidade para negociações antes desta, mesmo perante cedências do ministro. A outra razão serão as condições laborais/salariais; mesmo com o país falido, onde (quase) toda a gente tem de se sacrificar, correndo grandes riscos de ir parar ao desemprego, os médicos decidiram fazer greve porque nas suas horas extra diminuíram de 80 (!!!) para 30€/h (só???). O privilégio desta classe não é segredo nenhum e nem adianta disfarçá-lo, só a certeza de emprego seguro aquando da finalização do curso vale o que vale, mas os inúmeros privilégios não começam só aqui e acabam bem longe.
Gostei da intenção dos médicos de fazerem os utentes acreditarem que não valia a pena deslocarem-se ás instituições de saúde porque estas não estariam a funcionar (a saúde são médicos, só!) e ainda gostei mais da conivência de alguns enfermeiros que cancelaram as consultas de enfermagem por estas não fazerem sentido sem haver consultas médicas (depois não se podem queixar muito dos 7€/h ou mesmo dos 4); recordo-me de na última greve dos enfermeiros os médicos terem tirado o estetoscópio do pescoço e se terem armado em enfermeiros, furando a greve por pena dos doentinhos (essa desta vez esfumou-se).
A minha última reflexão vai para os serviços mínimos assegurados. Chegou a hora de fazer contas... no meu serviço, turno da manhã:
- enfermeiros: dia normal, 20; dia de greve, 12 - mínimos: 60%
- médicos: dia normal, 16 (80 contando com os internos); dia de greve, 1 - mínimos: 6% / 1%
Que conclusões se podem tirar destes números, e destas, quais as acertadas?
Porque é que só são precisos 1 - 6% dos médicos para realizar os serviços mínimos, quando são precisos 10 - 60 vezes mais enfermeiros? Será que 60% daquilo que os enfermeiros fazem é o mínimo indispensável, enquanto que 94 - 99% do trabalho dos médicos é perfeitamente dispensável? Será que os enfermeiros são assim tão mais eficientes que os médicos? Se alguém conseguir tirar mais alguma conclusão, esteja à vontade para a publicar...
Porque é que só são precisos 1 - 6% dos médicos para realizar os serviços mínimos, quando são precisos 10 - 60 vezes mais enfermeiros? Será que 60% daquilo que os enfermeiros fazem é o mínimo indispensável, enquanto que 94 - 99% do trabalho dos médicos é perfeitamente dispensável? Será que os enfermeiros são assim tão mais eficientes que os médicos? Se alguém conseguir tirar mais alguma conclusão, esteja à vontade para a publicar...
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26 agosto, 2011
Rica vida
...ser mais uma vez do contra. Tenho mais uma opinião que a par da opinião do sufrágio universal/restrito poderá levantar alguma polémica, porquê? Porque me parece ser aceite como irrefutável (sobretudo nesta altura de crise económica) que os ricos devem pagar mais esta crise que os pobres, ou seja, que "os ricos devem descontar mais que os pobres" e eu não concordo com isso, pelo menos com o significado com que é dito. Concordo que quem tem mais desconte mais, mas numa lógica percentual, que matematicamente também pode ser vista como "todos descontam o mesmo (valor percentual)". Esta visão comunista da sociedade estimula a preguiça, a inércia, a negligência... padece das fraquezas do comunismo. Para quê trabalhar, para quê esforçar-me para evoluir se depois o meu dinheiro vai ser distribuído por quem não se esforçou, por quem não trabalhou, pelos preguiçosos? Sim, tenho ideias/ideais capitalistas e se muitos mais portugueses tivessem também, não teríamos o país neste estado miserável em que se encontra, resultado de não ser capitalista, quando é o capital que move o mundo. Se queremos sair da crise, temos de produzir, de investir e não de poupar, sem contudo gastar mais do que aquilo que podemos como tem acontecido nos últimos anos. A sorte deste "país socialista" é existirem "países capitalistas" que o vão ajudando a levantar-se, obtendo obviamente alguns beneficios no processo (ou não fossem eles capitalistas). Na enfermagem, acho que também há uma grande deficiência desta visão capitalista das coisas. Os enfermeiros parecem não entender que as pessoas também são números, que a saúde são números (e bem grandes) e que temos de aprender a jogar com esses números em nosso favor.
"A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objetivo. O interessante é o jogo."
Aristóteles Onassis
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22 junho, 2011
Politologia
... questionar o inquestionável. Os ministros foram apresentados, são pessoas aparentemente competentes com um currículo respeitável e obra feita, mas no meio disto tudo há um problema, um grande problema... para chegar ao lugar que ocupam e para se manter lá, precisam dos votos das pessoas e infelizmente toda a gente pode votar e o voto daquele que procura eleger a pessoa mais competente para governar o país, vale tanto como o voto daquele com interesses mais mesquinhos, mais obscuros, que não se importa de trocar o bem do país e de todos os seus habitantes pelo seu bem individual, por "um tacho", por uma benesse ou apenas por querer que ganhe o seu partido da mesma maneira que quer que ganhe o seu clube de futebol. Sim, eu estou a questionar se o direito de sufrágio devia ser universal, mesmo sabendo que muita gente me chacinaria por isso enquanto me falavam interminavelmente do 25 de Abril. Será que toda a gente tem capacidade reflexiva para acompanhar os conflitos sociais, económicos, jurídicos e filosóficos que o Estado enfrenta e escolher as pessoas mais capazes para o cargo? Será que que todos os eleitores colocam a defesa da sua sociedade e espécie acima do seu bem-estar e sobrevivência? Eu acredito que a resposta a todas estas perguntas, sobretudo em Portugal é um redondo "não"! A consequência disto é que os políticos, que precisam dos votos, têm de ir de encontro à maioria da vontade dos eleitores, sendo que esta nem sempre passa pelo rigor, pela transparência e pela competência. Os eleitores preferem muitas vezes uma mentira bonita a uma verdade feia, preferem um bom marketing a uma transparência, preferem gastar enquanto há do que poupar para o que virá, dizem que estão contra "os tachos", mas todos os querem e se não se houver "jobs for the boys", não há "boys" e não há portanto quem angarie votos. É isto que leva a que se deixe o país na quase bancarrota, para se conseguir os votos que nos permitem ficar lá mais uns anitos, é por isso que se dizem tantas mentiras na política mesmo sabendo que mais tarde ou mais cedo acabam por ser desmascaradas, é por isso que eu suspeito do sucesso (político) deste governo, apesar de estar muito confiante no seu sucesso na recuperação económica (e até social) do país.
E por isso questiono o sufrágio universal e acredito que no futuro este venha a dar lugar a um sufrágio restrito, confirmando a visão de Heinlein em "Starship Troopers".
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09 junho, 2011
Tanto por tão pouco
...querer saber porque é que em enfermagem tudo tem de ser tão difícil, tão complicado, tão demorado. Penso que começa logo no curso, onde 4 anos me parece ser demasiado tempo para se ensinar tão pouco. Depois começamos a trabalhar (após termos esperado muito tempo por um mísero lugar) e levamos com (mais de) 40 horas semanais para um ordenado equiparável ao de uma auxiliar (desculpem, mas prefiro esta terminologia) e para o auferirmos ainda temos de trabalhar por roullement, dar cabo do nosso ritmo circadiano, passar festas sem a família, entre os outros (mais que) muitos "ossos do ofício", que por sinal são bem duros de roer. Depois, pensamos em ascender na carreira... qual carreira? Isso já não existe há muito, mas... podes "subir" a especialista! Ai sim? Claro, perdes 2 anos, em que para além das (mais de) 40 horas semanais ainda tens de ir ás aulas, estudar em casa e provavelmente arranjar um part-time para pagar as propinas, e no fim... só com muito custo vais lucrar com isso (se querem adquirir conhecimentos, há outras maneiras de o fazer). Então e um mestrado ou doutoramento? Também podes tirar, mas a história repete-se. Então e posso ser chefe? Sim, se te esforçares para isso desde o início, passados uns 30 anos, com muitos sacrifícios pelo meio, muito dinheiro gasto, muito tempo perdido, muitos sapos engolidos e muita graxa passada podemos ter sorte... ou não! E vale a pena? Para mim, por maior que a alma seja, não vale! Então, mas a enfermagem é uma profissão tão ampla, podemos trabalhar em tantos sítios diferentes, em sítios bem interessantes... sim, mas esses já estão todo ocupados e com uma fila de espera de vários anos, por mais sacrifícios que façamos. Então e se tivermos valor pelas nossas capacidades? Ah... ninguém que saber disso, quanto pior fores tu, melhor sou eu. É engraçado que isto que se passa a um nivel "macro", tambem se passa a um nivel "micro". No nosso dia a dia, naquilo que fazemos, nos nossos turnos, ou aquilo que fazemos exige demasiados sacrifcios (muitas vezes para nada) ou se não for suficientemente complicado, os enfermeiros tratam de o tornar como tal. Noutras áreas, noutras profissões, procuram-se pessoas com valor, pessoas com potencial, e ajudam-se a desenvolver o mesmo, em vez de se querer aquelas pessoas que se sacrificam por (sozinhas) desenvolverem todo o seu potencial, esgotando-o e ficando a um nível muito aquém do que outros poderiam alcançar. Com muito menos sacrificio, as pessoas passam a desempenhar funções muito mais importantes, de maior reponsabilidade e de valor reconhecido. Em enfermagem não se estimula as pessoas a desenvolver-se, não se reconhece o valor das pessoas, não se deixa crescer e ser mais do que os outros, ser quem se pode ser. As maiores figuras da enfermagem (sobretudo a nível nacional) são pessoas de grande valor/potencial, são verdadeiros génios? Ou serão por outro lado pessoas que sacrificaram tudo o resto pela sua carreira (quão triste isso é), ou pessoas que sacrificaram a sua dignidade e o seu orgulho para ascender, ou ainda produtos da política?
Dizem que "em terra de cegos, quem tem olho é rei", mas na enfermagem, quem tem olho é preso nas masmorras pelo rei (também ele cego).
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29 maio, 2011
Σωκράτης
...não votar no PS de José Sócrates. Podia até dizer que não compreendo como há quem vote numa pessoa tão inadequada para o cargo a que se candidata, mas até percebo. Parte dos 60 MM euros estourados serviram para comprar votos; há muita gente à boa vida a viver de subsídios, pagos com o dinheiro dos trabalhadores, dos contribuintes, há muitos boys com bons empregos (pouco trabalho e muito dinheiro), há ainda os homossexuais (há quem fale em lobby gay) que agora se podem casar, há as mulheres que passaram a usar o aborto como "método contraceptivo", há alguns mais crentes quem acreditam que se pode continuar a viver gastando mais do que o que se tem, há quem assimile o medo que Sócrates incute nos portugueses relativamente a tudo e todos (menos a ele), há quem goste de fazer a escolaridade sem por os pés numa escola, quem goste de ser um doutor burro e desempregado, há quem seja partidarista e vote sempre no mesmo partido, independentemente de quem seja o seu candidato, há quem prefira uma boa mentira do que uma má verdade.
Não gostam de nenhum dos outros candidatos/partidos? Não votem em ninguém, votem em branco, votem em todos simultaneamente, façam tudo menos votar em quem tem tem conduzido o país para o abismo e que pelos crimes económicos cometidos devia ser julgado. Tendo em conta o ritmo a que desperdiça dinheiro, de quanto tempo precisará para gastar os quase 78 MM Euros emprestados? Os tais que iam ser conseguidos com o PEC IV (como?!)... José Sócrates jamais conseguirá cumprir os compromissos assumidos com a "troika", tal não está sequer previsto no seu programa eleitoral (ou melhor, folheto publicitário), nunca agiu de forma séria e não vai mudar agora de repente; adiou até ao último momento o pedido de ajuda externa, mentindo aos portugueses enquanto prejudicava exponencialmente a economia do país, agravando a recuperação só para se poder manter no poder mais algum tempo. Não votem em quem brincava aos TGV's e aos aeroportos mesmo com a dívida astronómica que contraiu, em quem sempre esteve envolvido numa série de escândalos mais ou menos abafados, desde a sua licenciatura tirada ao Domingo até ao Freeport e muito mais, em quem promoveu um ambiente de censura... "quem não é por mim é contra mim!". E os enfermeiros, tão prejudicados por este governo, sobretudo enquanto funcionários públicos, pelo menos considerados como tal nos deveres, não têm nenhuma razão para nutrir a mínima simpatia pelo mesmo, não podem continuar nesta situação de bode expiatório, não podem continuar a trabalhar cada vez mais e a descontar cada vez mais (ganhando cada vez menos) para pagar a boa vida dos que não querem trabalhar. Não pretendo dizer-lhes em quem devem votar, pretendo apenas manifestar a minha opinião e ao mesmo tempo alertar os mais desantentos, os que se deixaram entorpecer pela eficaz super-máquina de marketing socialista, para não correr o risco de ver este país na bancarrota, para que eu, os meus filhos e os meus netos não tenhamos de pagar a factura da desmedida sede de poder de um incompetente, mentiroso e ainda por cima cínico. Não tenho nada a ganhar em particular com os vossos votos, mas posso ter muito a perder (todos nós!).
Sócrates, nunca mais!
"O socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros."
(Margaret Thatcher)
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02 março, 2011
Penso, logo existo
...tomar noção de si próprio. Na enfermaria, duas enfermeiras discutem sobre lençóis, qual a melhor técnica para os dobrar e afins, numa outra, estagiários de enfermagem empolgam-se pela possibilidade de poderem observar um procedimento médico (efetuado por um médico), ao mesmo tempo, os médicos reúnem-se na sua sala para discutir sobre a melhor maneira de curar as doenças dos seus doentes, entro no elevador e dois delegados de informação médica trocam números de telemóvel de médicos "é que ela é das mais importantes e tenho de a avisar que o horário do voo foi alterado", empregadas da limpeza sonham em voz alta o que fariam se lhes saísse o Euromilhões enquanto esfregam o chão, o administrador passa no corredor em passo apressado e com ar pensativo, em que pensará? Numa medida que pode afetar a vida de milhares de pessoas? E enquanto eu observo isto, numa atitude socrática, penso: o que estão os outros 7 biliões de pessoas a fazer? Haverá com certeza engenheiros a preparar o futuro, aquele de que nós só vamos tomar conhecimento daqui a muito tempo, ou mesmo nunca, haverá professores a ensinar futuros enfermeiros, médicos e engenheiros, a abrir-lhes as mentes para o mundo do conhecimento, do pensamento, da existência; haverá cientistas prestes a descobrir coisas que nós nem imaginamos, a inventar coisas que num futuro não tão longínquo nos poderão fácil e eficazmente substituir depois de devidamente desenvolvidas pelos engenheiros; haverá lideres mundiais prestes a tomar decisões capazes de mudar o mundo e a história, haverá terroristas prestes a mudar o mundo de algumas pessoas; haverá soldados a lutar por ideais e ideias que não são deles; haverá pessoas a tentar bater recordes mundiais; haverá pessoas a transaccionar dinheiro em quantidades para nós inimagináveis, apesar de também ser nosso, e ganhando muito com isso... enfim, o que fazemos nós enquanto isso? Estamos a contribuir para mudar o mundo ou pelo menos o mundo de alguém, ou somos meros peões?
Ás vezes dá-me para isto...
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18 novembro, 2010
A doença do hospital de Viana do Castelo
...dar a voz aos nossos clientes. Publico a pedido da autora o seguinte:
"A DOENÇA DO HOSPITAL DE VIANA DO CASTELO (ULSAM)
ANTÓNIO MARTINS PARADELA JÚNIOR, meu pai está novamente internado na cama 21, piso 4, cirurgia 1. Este internamento, foi decidido, após uma espera de 26 horas nos corredores da URGÊNCIA, chamado na ULSAM de VIANA DO CASTELO, de OBS - MACAS, com horas de visitas marcadas, como se estivesse o doente num OBS. Um corredor de loucos !
Os maqueiros batem com as camas nas macas por falta de espaço, auxiliares que gritam de um lado para o outro, parece que estão no 'Campo d' Ágonia', os enfermeiros correm de um lado para o outro porque não são suficientes, os médicos saem da urgência para o bloco e o doente fica sem saber nada sobre o seu diagnóstico, porque só pode ser dito pelo médico que o acompanha e o mesmo está no bloco. Um TAC mandado fazer às 9h45m, só é informado à família o resultado, às 21h30m.
Meu pai entrou na urgência no dia 7 de Outubro de 2010, às 21h45m, e subiu para internamento, no dia 8 de Outubro de 2010, às 23h50m. Com 87 anos, não é permitido acompanhante, porque está em OBS - MACAS, no corredor de um manicómio, onde todos gritam e ralham, e ninguém tem razão.
Sra. Ministra Ana Jorge, permita-me que lhe faça um convite especial. Venha passar 26 horas em OBS - MACAS, nos corredores da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo. Ofereço-lhe a MACA I, do Sr. António Martins Paredela Júnior, meu pai, a quem AMO muito, como com certeza a Sra. Ministra, ama o seu. Venha sentir na própria pele o desespero da espera, da solidão, do afastamento da família junto com a doença, a razão pela qual nos leva a ficar nesse corredor o tempo que nos obrigam.
Por onde anda a Sra. Ministra Ana Jorge ? Em 3 meses é a terceira vez que exponho neste livro o meu descontentamento (14/10/2010), e nunca obtive resposta do seu gabinete. Isto só prova que a saúde também está muito mal no seu ministério. Venha para a rua, venha para os hospitais. O que os olhos não vêem, o coração não sente !
Os utentes, que também são contribuintes é que sofrem com a má gestão feita dos dinheiros públicos. E agora só se ouve falar em 'CONTENÇÃO'. 'ABUNDÂNCIA PARA OS MAIS FAVORECIDOS, CONTENÇÃO PARA OS MAIS NECESSITADOS'.
É isto que a Sra. Ministra tem para nos dar !
É este o País que temos !
Espero que a Sra. Ministra esteja bem de saúde e se lembre da saúde dos outros. Onde estão os direitos dos doentes ?. Será que os mesmos só têm deveres ?. A Sra. Ministra, sabe quais são os seus deveres ?, ou só sabe os seus direitos ?.
O HOSPITAL DISTRITAL DE VIANA DO CASTELO, hoje, ULSAM, foi construído para prestar cuidados de saúde cinco estrelas, só que, quatro já caíram e a quinta está balançando.
Isto é um exemplo da saúde da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo, com certeza o câncer já tem ramificações suficientes para infectar muitos utentes que por ali passam. É caso para dizer, pensem, antes de ficar doentes !.
LÚCIA FRANCISCA PARADELA
Rua do Calvário Nº 89
Vila Mou - Viana do Castelo
Estrada da Papanata Nº 73 - 1º Esq.
Viana do Castelo
Contribuinte - 124572650"
Parece que não são só os enfermeiros a ver que a saúde em Portugal está doente, neste modelo de saúde centrado nos médicos, onde se valoriza a doença e não a saúde, neste modelo onde os enfermeiros se deixam enrolar não remando contra a maré, não defendendo os seus interesses e os seus clientes. Os resultados estão à vista...
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01 fevereiro, 2010
O fim do cuidar
...ter os horizontes curtos (ou demasiado longos). Como referido em posts anteriores, cá está a minha reflexão sobre os enfermeiros que tentam aproximar ao máximo a enfermagem da sua essência, ao cuidar, que neste post será sempre no seu sentido mais restrito (e mais histórico). Estes enfermeiros que me parece estarem maioritariamente nas escolas (fora da prestação de cuidados portanto), mas também fora delas querem tornar a enfermagem autónoma e distinta das outras optando por um campo de acção que actualmente não é "ocupado" por ninguém, o do cuidar. Pergunto eu: nesta "guerra territorial" na área da saúde a que assistimos actualmente em que cada profissão tenta ficar com os campos de acção que mais lhe convêm, "guerra" essa onde a enfermagem tem sido (inertemente) vítima da usurpação de muitas das suas funções por vários profissionais, desde os mais antigos (farmacêuticos) até recentemente criados (ou em vias disso) TAE's, mas não se ficando por aqui, porque é que este campo de acção não foi ainda cobiçado por ninguém? Por antecipação e perspicácia da enfermagem não foi de certeza! Vou referir o Maslow, que com a sua hierarquia das necessidades nos diz que o mais importante para as pessoas é a fisiologia (respiração, comida, sono, excreção...) - plano onde os enfermeiros desempenham um importante papel, mas onde facilmente podem ser substituídos (pelo menos em grande parte das tarefas). Em seguida, depois de satisfeitas estas, surge a necessidade de segurança (do corpo, da saúde), onde o médico desempenha um papel fundamental - foi pela falta de saúde que a pessoa recorreu à instituição de saúde e portanto só depois de restaurada a saúde (altura em que tem alta e vai embora) é que a pessoa se começa a preocupar com a auto-estima, a solução de problemas, o respeito dos outros, a moralidade, ausência de preconceitos, etc. e assim se compreende que o doente não se importe que o médico não respeite tanto estas últimas necessidades, uma vez que satisfaz outras necessidades mais importantes para eles no momento. Assim, os referidos enfermeiros pretendem actuar na área das necessidades menos importantes das pessoas (doentes), pelo que nunca lhes poderá ser dada grande importância na sociedade actual, em que mal se consegue satisfazer a necessidade de saúde das pessoas e se procura a rendibilidade e a utilidade, a cura, não sendo possível financiar a satisfação de necessidades de menor importância. Quando num futuro (distante) a necessidade básica de saúde for facilmente satisfeita, então aí fará todo o sentido apostar em profissionais especializados nas áreas da estima e realização pessoal, mas nessa altura alguém se antecipará com certeza aos enfermeiros. E assim termino a minha análise do cuidar, seu passado e futuro.
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31 outubro, 2009
Atchimmm!!!
...ser cobaia. Penso que seria inadmissível não dedicar um post à gripe A e à adesão (ou não) por parte dos enfermeiros à polémica Pandemrix, uma vez que até um "bastordinário" de uma Ordem que não a dos enfermeiros "mandou bitaites" sobre o assunto (que não lhe dizia respeito). Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que os enfermeiros não são considerados grupo prioritário por serem um grupo de risco pela maior probabilidade de contacto com o vírus, mas sim por serem necessário em caso de (verdadeira) pandemia, ou seja, não é para a sua protecção pessoal mas para a protecção da mão-de-obra; não querem saber dos nossos riscos laborais mas do nosso trabalho (barato), colegas desenganem-se! Podia dissertar sobre o verdadeiro risco da gripe A e os números da mortalidade, comparados com outras doenças, incluindo a gripe sazonal, mas penso que já serão do conhecimento geral. Passando então à Pandemrix, uma vacina comercializada pela GlaxoSmithKline, que misteriosamente deixou de poder ser consultada no site da mesma, não é considerada segura por todos os organismos. Segundo o Infarmed, foi "estabelecida a relação benefício-risco e o benefício foi considerado superior ao risco" pela Agência Europeia do Medicamento. Esta vacina não foi aprovada pelos Estados Unidos por conter substâncias na sua composição que podem alegadamente causar danos à saúde, a Suiça impõe restrições à toma da mesma e os políticos alemães optaram por tomar antes a Cevalpan (da Baxter) - será que os nosso estão a fazer o mesmo "ás escondidas"? Penso no entanto que a relutância dos enfermeiros não está tanto nos riscos conhecidos da vacina, pela sua constituição, mas como frisa Rui Nunes, porque "sabem que não há ainda resultados verdadeiramente sólidos que permitam determinar com clareza se a pessoa deve ser vacinada". Os enfermeiros sabem que o tempo que demora a desenvolver e comercializar qualquer medicamento é normalmente muito superior ao que foi despendido nestas vacinas. Os enfermeiros sabem que ainda decorre o período experimental das vacinas e que na verdade servirão de cobaias. Os enfermeiros sabem que se vão sujeitar aos riscos do tiomersal para que se possa utilizar o sistema da multidose e do escaleno para reduzir o tempo da cultura de vírus inactivos, para que a produção do medicamento satisfaça a procura em menos tempo de produção e aumente exponencialmente os lucros das respectivas farmacêuticas como se tem vindo a verificar (por exemplo, valores de 27 dólares em Março deste ano para 42 dólares actualmente, por acção da GSK) . Os enfermeiros sabem que são pressionados a correr estes riscos para diminuir os riscos de contágio da restante população. Os enfermeiros sabem, e Pedro Nunes, não sabe? Então a ignorância é dele! Pelos vistos os seus colegas também sabem e seguem o mesmo caminho dos enfermeiros e já agora, da maioria das restantes pessoas consideradas como grupos prioritário, incluindo os deputados. Eu pessoalmente, não estou disposto a servir de cobaia e arriscar a minha saúde pela saúde dos meus clientes/utentes/doentes - o meu altruísmo não chega a tanto e julgo ter tanto direito a uns dias "de baixa" com uma gripe como qualquer outro profissional (sarcasmo) e apenas pelo maior risco de contacto com o vírus e para evitar contagiar os meus familiares pondero correr os riscos e ser vacinado.
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28 outubro, 2009
Trabalhar para aquecer
...trabalhar para ganhar dinheiro. Pelo menos eu trabalho para isso, mas há colegas que dizem trabalhar pelo doente. Será que se não lhe pagassem trabalhavam na mesma? É que doentes há sempre. Os "patrões" é que gostam de saber disto... se trabalham pelos doentes, damos-lhes doentes e não dinheiro, sempre sai (bem) mais barato. São os mesmos colegas que quando se fazem greves, não sabem o que são "cuidados mínimos" e acabam por fazer tudo na mesma (ainda que com menor número de enfermeiros) "porque o doente não tem culpa". Não sabem o que é uma greve; quem querem "que pague"? Os ministros?! Esses nunca sofrem com nenhuma greve, quem tem de sofrer são os clientes, são os eleitores que os elegeram. Pela mesma ordem de ideias, não existiam greves nenhumas, porque a culpa é sempre dos patrões e não dos clientes, mas têm de ser estes a sofrer, a queixarem-se, a fazerem-se ouvir aos patrões; os professores não faziam greve porque nem os alunos nem os pais têm culpa. É mais uma arma que os enfermeiros não sabem aproveitar. Não me canso de repetir que praticar enfermagem (já) não é praticar caridade. É uma profissão que deve ser encarada como qualquer outra, sem necessidades de vocações, mas com necessidade de ciência, de remuneração, com clientes, com horários. Não aceito quando me dizem que ser enfermeiro é algo mais que uma profissão (à qual nos podemos dedicar mais ou menos, como qualquer outra). É só uma profissão e mesmo assim, uma profissão cada vez pior... pior remunerada, com pior visibilidade/respeito, com piores condições de trabalho e estou convicto que a culpa disto é só de quem a pratica.
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01 outubro, 2009
Desistir para vencer
...desistir da causa. Parece estar cada vez mais iminente o instante em que o receio de mudar, de alterar os planos de futuro que pareciam estar já consolidados, o medo de assumir o risco e a preocupação de desperdiçar precioso tempo da minha vida, será suplantado pelo sonho em espera, pelo futuro promissor, pela muito provável melhoria de qualidade de vida e pela hipótese de realização profissional e sobretudo pessoal. "Ajudado" em grande parte pelo Eng.(?) Sócrates (herói nacional reeleito) e seus leais súbditos, mas também por quem tem o poder de fazer algo contra mas parece estar em estado vegetativo, que têm inferiorizado a enfermagem ao limite do ridículo e levado os enfermeiros ao desânimo total. Assim sendo, e se nada posso contra eles, mas também a eles não me quero juntar, só me resta desistir, ou melhor, lutar por outra vida, por outra profissão que me faça chegar ao fim do dia com um sentimento de plenitude mínima e de ânimo para o dia seguinte. Estando ainda não negociadas por completo as negociações da nossa carreira, mas a realizar-se o cenário mais provável, tomarei a médio prazo uma daquelas decisões da nossa vida, que por serem tão importantes também são tão difíceis. A ver vamos o que o futuro (pouco promissor) nos reserva.
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