...tentar descobrir o mistério de uma grande vendilhona. Já antes tinha falado do assunto de forma genérica, mas agora vou comentar um caso em concreto, uma enfermeira directora de um hospital do Porto (que dizem ser parecido com o Santa Maria). Esta misteriosa senhora, entrou para o cargo na altura do governo socrático e o grande mistério é ainda o manter depois da "mudança de cor" ocorrida (após umas demissões e readmissões polémicas). Afinal que "camisola veste" esta individualidade? Rosa ou laranja? Nem uma nem outra, tendo em conta que foi candidata (suplente) à assembleia de freguesia de Moreira da Maia pelo... BE! Trata-se portanto de mais uma enfermeira a "vestir a camisola" vermelha (que pouco abona a favor da enfermagem). Mas então porque ocupa ela o cargo de directora? Como seria de esperar pelo título do post, porque é uma (grande) vendilhona! Vende a preço de saldo quase 2000 enfermeiros (e de forma indireta muitos mais). Esta senhora é conhecida por atitudes para com os seus "colegas" muito pouco dignas e de nenhuma "camaradagem", como seja o desprezo por estes, os insultos a enfermeiros de modo pouco (ou nada) civilizado, em pleno corredor, incluindo a enfermeiros-chefe, é conhecida por expressões como "não gostas manda embora que tenho centenas deles a bater à porta todos os dias" - referindo-se a colegas enfermeiros, e agora em "época de crise económica", gosta de fazer o seu brilharete cortando de forma cega na dotação de enfermeiros por turno, ignorando todas as teorias da motivação (no trabalho); será que não teve Psicologia Organizacional durante o Curso de Administração de Serviços de Enfermagem? Não compreende algo tão simples como o facto dos turnos menos trabalhosos serem uma compensação que ajuda a tolerar (física e psicologicamente) os turnos com verdadeiro trabalho de escravatura e que os enfermeiros olhando para o lado vêem os médicos que apesar de auferirem ordenados bem mais chorudos não são dispensados do trabalho e estão lá a "esfregar as barrigas" toda a manhã por não terem um único doente? Ou resolve tudo mandando embora estes e admitindo mais uns quantos dos que batem à porta (e alguns se calhar até à janela)? E tudo isto em troca de quê? Dos €80.000 anuais? Somando ainda uma Avensis "da empresa", quando ela até é das que menos usa "o carro da empresa", com apenas cerca de 20.000 Km anuais... talvez prefira usar o telemóvel, onde é a mais gastadora (os seus camaradas não devem ser Vodafone). Assim, em troca de "pouca coisa", prostitui tantos enfermeiros, como se não bastasse a prostituição (de nível menor) que eles já vão cometendo e é destes "paus-mandados" que os governos gostam, por isso vai continuando "no poleiro". Como diz o outro, we are doomed!
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13 agosto, 2012
A vendilhona (pouco) misteriosa
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13 julho, 2012
A greve de década
...fazer o rescaldo daquela que me parece ter sido a greve mais mediática dos últimos tempos - a greve geral dos médicos. A principal razão desta greve parece-me ser claramente a pretensão da demissão do ministro da saúde, para ir para o seu lugar (mais) um médico e assim terem tudo o que querem, como tem sido regra até agora, daí só agora terem feito greve (em 25 anos!) e sem disponibilidade para negociações antes desta, mesmo perante cedências do ministro. A outra razão serão as condições laborais/salariais; mesmo com o país falido, onde (quase) toda a gente tem de se sacrificar, correndo grandes riscos de ir parar ao desemprego, os médicos decidiram fazer greve porque nas suas horas extra diminuíram de 80 (!!!) para 30€/h (só???). O privilégio desta classe não é segredo nenhum e nem adianta disfarçá-lo, só a certeza de emprego seguro aquando da finalização do curso vale o que vale, mas os inúmeros privilégios não começam só aqui e acabam bem longe.
Gostei da intenção dos médicos de fazerem os utentes acreditarem que não valia a pena deslocarem-se ás instituições de saúde porque estas não estariam a funcionar (a saúde são médicos, só!) e ainda gostei mais da conivência de alguns enfermeiros que cancelaram as consultas de enfermagem por estas não fazerem sentido sem haver consultas médicas (depois não se podem queixar muito dos 7€/h ou mesmo dos 4); recordo-me de na última greve dos enfermeiros os médicos terem tirado o estetoscópio do pescoço e se terem armado em enfermeiros, furando a greve por pena dos doentinhos (essa desta vez esfumou-se).
A minha última reflexão vai para os serviços mínimos assegurados. Chegou a hora de fazer contas... no meu serviço, turno da manhã:
- enfermeiros: dia normal, 20; dia de greve, 12 - mínimos: 60%
- médicos: dia normal, 16 (80 contando com os internos); dia de greve, 1 - mínimos: 6% / 1%
Que conclusões se podem tirar destes números, e destas, quais as acertadas?
Porque é que só são precisos 1 - 6% dos médicos para realizar os serviços mínimos, quando são precisos 10 - 60 vezes mais enfermeiros? Será que 60% daquilo que os enfermeiros fazem é o mínimo indispensável, enquanto que 94 - 99% do trabalho dos médicos é perfeitamente dispensável? Será que os enfermeiros são assim tão mais eficientes que os médicos? Se alguém conseguir tirar mais alguma conclusão, esteja à vontade para a publicar...
Porque é que só são precisos 1 - 6% dos médicos para realizar os serviços mínimos, quando são precisos 10 - 60 vezes mais enfermeiros? Será que 60% daquilo que os enfermeiros fazem é o mínimo indispensável, enquanto que 94 - 99% do trabalho dos médicos é perfeitamente dispensável? Será que os enfermeiros são assim tão mais eficientes que os médicos? Se alguém conseguir tirar mais alguma conclusão, esteja à vontade para a publicar...
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10 fevereiro, 2012
Portugracia
...ficar pissed off com a "burrocracia" que reina em Portugal. Penso que tenho direito a algo, até porque me parece mais que legitimo; vou aos sites dos respetivos organismos públicos... informação vaga e por vezes contraditória, e apontando para meia dúzia de leis; vou ler as leis... estas vão fazendo saltar a leitura apontando de uns artigos para outros e no final de tanta volta chego à conclusão que de concreto nada têm, pelo contrário, transbordam de ambiguidade de modo que posso interpretar de várias maneiras, até contraditórias; telefono para lá ou desloco-me lá para ver se me esclarecem... aconselham-me a ir a outro sítio e nesse sítio dizem-me "não é aqui" e mandam-me para outro sítio e assim vou andando até acabar por voltar ao primeiro; começam por dizer que sim, mas depois dizem-me que não... entretanto "arrisque!"... hum?! Bem, se eles dizem, vamos lá arriscar... olha, afinal tinha mesmo direito, fiz bem arriscar; passado algum tempo, uma carta no correio... olha, afinal não tinha direito e vou ter de devolver tudo; então mas ali o senhor da padaria disse-me que na mesma situação teve direito e tudo, vou ver o que se passou... "pois, se está na carta, é porque é assim"... "Disseram-lhe? e quem foi?"... eh pá, devia ter guardado o nome das dezenas de pessoas com quem já tinha falado até aqui... "mas se não concorda, reclame"; se calhar é boa ideia, gastar 100 para depois recuperar 10... E pronto, mesmo que até possa ter direito, fico sem nada, apenas com muito tempo gasto, algum dinheiro e dores de cabeça. Assim é este país e sem perspetivas de mudanças (para melhor), viva o chico-espertismo, a sorte, o compadrio, os connects e "as castas".
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26 agosto, 2011
Rica vida
...ser mais uma vez do contra. Tenho mais uma opinião que a par da opinião do sufrágio universal/restrito poderá levantar alguma polémica, porquê? Porque me parece ser aceite como irrefutável (sobretudo nesta altura de crise económica) que os ricos devem pagar mais esta crise que os pobres, ou seja, que "os ricos devem descontar mais que os pobres" e eu não concordo com isso, pelo menos com o significado com que é dito. Concordo que quem tem mais desconte mais, mas numa lógica percentual, que matematicamente também pode ser vista como "todos descontam o mesmo (valor percentual)". Esta visão comunista da sociedade estimula a preguiça, a inércia, a negligência... padece das fraquezas do comunismo. Para quê trabalhar, para quê esforçar-me para evoluir se depois o meu dinheiro vai ser distribuído por quem não se esforçou, por quem não trabalhou, pelos preguiçosos? Sim, tenho ideias/ideais capitalistas e se muitos mais portugueses tivessem também, não teríamos o país neste estado miserável em que se encontra, resultado de não ser capitalista, quando é o capital que move o mundo. Se queremos sair da crise, temos de produzir, de investir e não de poupar, sem contudo gastar mais do que aquilo que podemos como tem acontecido nos últimos anos. A sorte deste "país socialista" é existirem "países capitalistas" que o vão ajudando a levantar-se, obtendo obviamente alguns beneficios no processo (ou não fossem eles capitalistas). Na enfermagem, acho que também há uma grande deficiência desta visão capitalista das coisas. Os enfermeiros parecem não entender que as pessoas também são números, que a saúde são números (e bem grandes) e que temos de aprender a jogar com esses números em nosso favor.
"A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objetivo. O interessante é o jogo."
Aristóteles Onassis
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05 maio, 2011
Livro de reclamações s.f.f.!
...descobrir conversando. "Aqui ninguém faz nada... em França é que era bom... estão a gozar com os doentes... era chamar cá a SIC para ver isto... demoram tanto tempo só para fazer isso?!... poupam numas coisas mas estragam noutras e aqui estraga-se muito dinheiro dos nossos impostos...". Assim ia mais um turno a ouvir o doente mais queixoso do serviço, mas nesse dia tinha (miraculosamente) um tempinho livre e então decidi sentar-me para conversarmos e tentar perceber a verdadeira origem de tanta revolta. Passados poucos minutos cheguei onde queria "Aqui as empregadas estragam muito" (dizia ele) -"Não acho isso" (respondo eu) -"Ah... a mim também pouco me importa" (ele) -"Mas devia importar, se estragam, é dinheiro de todos nós."(eu) -"Meu, não!"(ele) -"Não?! Como assim?"(eu) -"Porque eu não desconto nada para impostos e ainda é o estado que me paga um subsídio por causa de eu ter miopia desde a nascença (?!)..." Pronto, está a explicação encontrada, confirmando o que eu defendo, quem não desconta, quem não paga os serviços é quem mais reclama, quem mais abusa, quem mais direitos quer ter, passando mesmo os limites onde começam os dos outros. É por estas e por outras, que eu sou a favor do fim do SNS... Saúde gratuita e universal para todos é uma grande treta, nada é gratuito, há sempre um preço, o que varia é quem o paga. Pago eu com os meus impostos, para outros que não pagam nada usufruírem, para usarem e abusarem, porque nem têm nenhuma taxa que modere o uso do mesmo, mas não há problema, nós pagamos, pagamos o público, "universal e gratuito" para eles e pagamos depois o privado onde temos de recorrer quando precisamos, porque o público está entupido pelos outros. É certo e sabido que geralmente não se dá o devido valor ao que é gratuito por isso nada o devia ser e ainda vêm agora com a implementação do regime de dispensa gratuita de medicamentos após a alta de internamento... estou enganado ou estamos numa severa crise económica, praticamente à beira da falência? Quantos medicamentos não vão parar ao lixo, quantos medicamentos pagos por quem tem mais deveres do que direitos não vão mas é poluir solos e águas por esse país fora? Assim é este país miserável, que IMHO troika nenhuma conseguirá mudar.
14 fevereiro, 2011
Ditadura na saúde
...referir-se a um assunto, não tanto como enfermeiro, mas mais como utente/cliente, pois acho que as "relações interdependentes" (como p.ex. limpar o suor da testa ao cirurgião), podiam e deviam tender para a extinção, mas sobre isto estou a pensar referir-me noutro post. A prescrição por DCI volta a estar "na berlinda" e os mais importantes de todo o processo (os utentes) ficam a ver passar "a berlinda" sem poderem fazer nada. Confesso que fico um pouco chocado (neste país já começa a ser difícil haver algo que me choque muito) ao ver a insolência com que os médicos se assumem como ditadores na saúde (ou melhor, na doença) dos seus utentes/doentes e mais que isso, na carteira dos mesmos. Assim de repente "só" me surgem muitas perguntas em que a resposta pouco terá a ver com a "defesa dos doentes":
-No curso de medicina, aprendem a prescrever substâncias ativas ou marcas?
-Ainda que diferentes marcas possam ter efeitos terapêuticos diferentes, como sabem os médicos quais são os melhores? Experimentam-nos neles, fazem dos doentes cobaias, ou acreditam no Pai-Natal (leia-se delegado de informação médica)?
-A quem cabe avaliar a qualidade dos medicamentos à venda no mercado português? À Ordem dos Médicos ou ao Infarmed? Quem tem a competência e capacidade técnica para tal e quem tem uma opinião corporativa e baseada em mitos?
-Se no internamento prescrevem por principio ativo, porque não o fazem em ambulatório, prescrevendo normalmente uma marca diferente daquela na qual confiaram durante o internamento e que melhorou o doente?
-Se no internamento prescrevem por principio ativo, porque não o fazem em ambulatório, prescrevendo normalmente uma marca diferente daquela na qual confiaram durante o internamento e que melhorou o doente?
-Porque é que a opinião do bastonário da OM é sempre coincidente com a da indústria farmacêutica e sempre com preocupações mais industriais que científicas?
O nosso Presidente (da República) que percebe imenso de medicina, vetou o diploma, zelando pela saúde dos doentes, para que estes não andem por aí a tomar medicamentos baratos (o que não é nada chic) e como não têm dinheiro para os de marca, não tomam medicamentos, pelo que da cura já não morrem, morrerão da doença?
A Indústria Farmacêutica (e seu representante mais ativo, i.e. Bastonário da OM) congratulou-se com esta decisão (porque será) e até disse que assim foram salvos cerca de 1000 postos de trabalho (pagos com o dinheiro de quem?); resta saber se neste número estão incluidos os empregos relativos ao "turismo médico", negócio de LCDs/LEDs, smartphones e afins, sim, porque se para a opinião pública as prendinhas dos delegados de informação médica se calhar são só rumores, ajudada pela rapidez com que as denúncias fundamentadas/factuais destas situações são abafadas na comunicação social, quem como nós sabe a realidade (ou pelo menos parte dela), não pode deixar de sentir revolta por este sistema mafioso. A marca serve apenas para proteger o mercado e consequentemente o preço do medicamento após a caducidade das patentes (período após o qual começam a aparecer os genéricos), mas isto pouco interessa ao doente (e ao Estado), pelos vistos só interessa aos médicos (e à indústria farmacêutica). O doente, que compra o medicamento e que o vai tomar é que é lógica e racionalmente quem decide a marca, após o aconselhamento com o seu médico e com o farmacêutico (que por sinal percebe mais de farmacologia que o médico), de acordo com as suas possibilidades monetárias, numa decisão livre, informada e responsável. Ainda gostava de ver a reação de um médico se na próxima vez que fosse ás compras e quisesse comprar por exemplo leite, estivesse lá um nutricionista para o obrigar a comprar leite de determinada marca, uma vez que ele percebe mais de leites do que o médico. Situações ridículas num pais ridículo, onde os médicos nem precisavam de se preocupar tanto com esta situação, uma vez que para a maioria do portuguesinho, aquilo que o sr. dr. médico disser é lei. Coroam-nos e não querem que reinem?
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18 novembro, 2010
A doença do hospital de Viana do Castelo
...dar a voz aos nossos clientes. Publico a pedido da autora o seguinte:
"A DOENÇA DO HOSPITAL DE VIANA DO CASTELO (ULSAM)
ANTÓNIO MARTINS PARADELA JÚNIOR, meu pai está novamente internado na cama 21, piso 4, cirurgia 1. Este internamento, foi decidido, após uma espera de 26 horas nos corredores da URGÊNCIA, chamado na ULSAM de VIANA DO CASTELO, de OBS - MACAS, com horas de visitas marcadas, como se estivesse o doente num OBS. Um corredor de loucos !
Os maqueiros batem com as camas nas macas por falta de espaço, auxiliares que gritam de um lado para o outro, parece que estão no 'Campo d' Ágonia', os enfermeiros correm de um lado para o outro porque não são suficientes, os médicos saem da urgência para o bloco e o doente fica sem saber nada sobre o seu diagnóstico, porque só pode ser dito pelo médico que o acompanha e o mesmo está no bloco. Um TAC mandado fazer às 9h45m, só é informado à família o resultado, às 21h30m.
Meu pai entrou na urgência no dia 7 de Outubro de 2010, às 21h45m, e subiu para internamento, no dia 8 de Outubro de 2010, às 23h50m. Com 87 anos, não é permitido acompanhante, porque está em OBS - MACAS, no corredor de um manicómio, onde todos gritam e ralham, e ninguém tem razão.
Sra. Ministra Ana Jorge, permita-me que lhe faça um convite especial. Venha passar 26 horas em OBS - MACAS, nos corredores da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo. Ofereço-lhe a MACA I, do Sr. António Martins Paredela Júnior, meu pai, a quem AMO muito, como com certeza a Sra. Ministra, ama o seu. Venha sentir na própria pele o desespero da espera, da solidão, do afastamento da família junto com a doença, a razão pela qual nos leva a ficar nesse corredor o tempo que nos obrigam.
Por onde anda a Sra. Ministra Ana Jorge ? Em 3 meses é a terceira vez que exponho neste livro o meu descontentamento (14/10/2010), e nunca obtive resposta do seu gabinete. Isto só prova que a saúde também está muito mal no seu ministério. Venha para a rua, venha para os hospitais. O que os olhos não vêem, o coração não sente !
Os utentes, que também são contribuintes é que sofrem com a má gestão feita dos dinheiros públicos. E agora só se ouve falar em 'CONTENÇÃO'. 'ABUNDÂNCIA PARA OS MAIS FAVORECIDOS, CONTENÇÃO PARA OS MAIS NECESSITADOS'.
É isto que a Sra. Ministra tem para nos dar !
É este o País que temos !
Espero que a Sra. Ministra esteja bem de saúde e se lembre da saúde dos outros. Onde estão os direitos dos doentes ?. Será que os mesmos só têm deveres ?. A Sra. Ministra, sabe quais são os seus deveres ?, ou só sabe os seus direitos ?.
O HOSPITAL DISTRITAL DE VIANA DO CASTELO, hoje, ULSAM, foi construído para prestar cuidados de saúde cinco estrelas, só que, quatro já caíram e a quinta está balançando.
Isto é um exemplo da saúde da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo, com certeza o câncer já tem ramificações suficientes para infectar muitos utentes que por ali passam. É caso para dizer, pensem, antes de ficar doentes !.
LÚCIA FRANCISCA PARADELA
Rua do Calvário Nº 89
Vila Mou - Viana do Castelo
Estrada da Papanata Nº 73 - 1º Esq.
Viana do Castelo
Contribuinte - 124572650"
Parece que não são só os enfermeiros a ver que a saúde em Portugal está doente, neste modelo de saúde centrado nos médicos, onde se valoriza a doença e não a saúde, neste modelo onde os enfermeiros se deixam enrolar não remando contra a maré, não defendendo os seus interesses e os seus clientes. Os resultados estão à vista...
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01 setembro, 2010
Férias!
...finalmente gozar as merecidas e desejadas férias. Apesar de quase toda a gente já ter gozado as suas "férias grandes" eu só vou agora, não me deixando demover pelos meios de comunicação social que me invadem constantemente com a mensagem que "as férias já acabaram", ou "o verão chegou ao fim", "de volta ao trabalho"... é triste, mas os enfermeiros não podem gozar (todos) férias em Agosto como as outras pessoas (maioria), mesmo que queiram. É só mais uma desvantagem de ser enfermeiro, mais uma daquelas desvantagens inerentes à profissão mas negligenciada. Espero conseguir recuperar do cansaço... físico e psicológico, restaurar energias, a paciência, a tolerância e bom humor. Boas férias para quem como eu ainda vai de férias e bom trabalho para quem já foi.
Até ao meu regresso!...
08 junho, 2010
Como? Porquê?
...preocupar-se demais com o "como" (advérbio) e de menos com o "porquê". A grande maioria dos enfermeiros (que eu conheço) preocupa-se em saber como executar as técnicas, mas atrapalham-se todos quando lhes é questionado o porquê de as executar, uma vez que o fazem "porque sim... porque me ensinaram assim... porque os outros também fazem". Nós não somos meros técnicos de saúde a quem só importa a técnica. Podíamos formar facilmente qualquer pessoa para executar as técnicas, como aliás fazemos aquando dos ensinos aos cuidadores, sendo que o que nos distingue é o conhecimento por trás das técnicas, o referido "porquê" e só este conhecimento nos pode trazer a autonomia na nossa prática; se soubermos porque estamos a fazer isto ou aquilo e porque o fazemos dessa forma e não de outra, se actuarmos de forma fundamentada, ninguém nos conseguirá descredibilizar. Um bem haja aos enfermeiros que incutem nos potenciais futuros colegas este espírito critico, esta capacidade reflexiva, este "thinking outside the box", para que no futuro da enfermagem o nosso valor enquanto profissionais licenciados não seja questionado e não tenha de ser exigido com greves.
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16 fevereiro, 2010
Olha a postura
...saber estar. Durante o tempo de curso, sobretudo em alturas de estágio, fui constantemente atormentado pelo "saber estar... saber ser", pela "postura" e penso que isto seja generalizado no nosso país. Com "postura", referiam-se certamente ao modo como nos comportamos, à nossa conduta durante o trabalho, perante os doentes e os outros profissionais, e já agora, perante os colegas. Na altura achava isto da "postura" um bocado ridículo... e contínuo a achar! Ridículo pela maneira como era abordado pelos nossos professores: "o cabelo tem de estar bem preso, nem um fio de cabelo solto no meio da testa... durante a passagem de turno e nas enfermarias, nada de estar encostado a nada ou com as mãos nos bolsos...". Depois incutiam-nos comportamento perante o doente de "ajuda... carinho... atenção... simpatia... ser prestável", e de maneira mais dissimulada, "servidão, escravidão, submissão e vassalagem" perante o doente, que "tem sempre razão" e "cujos desejos deverão ser as nossas ordens, pois estamos ali para o servir e sempre com um sorriso nos lábios", é a badalada "relação de ajuda" que a mim sempre me meteu alguma confusão, ainda não compreendi se pelo que é ou por aquilo que fazem dela. A verdade é que a "postura" é importante, em qualquer profissão e precisa realmente de ser melhorada nos enfermeiros onde existem muitas falhas que contribuem para uma imagem negativa da profissão. Contra mim falarei, mas quão comum não é os enfermeiros estarem numa enfermaria a discutir assuntos pessoais perante os doentes ou a contarem piadas, entre si ou com os doentes e já agora, na presença de outros profissionais? É isso comum noutros profissionais? Qual é a abordagem por exemplo dos médicos aos doentes? Contam-lhes o que almoçaram ou assumem uma atitude séria para serem levados a sério? Porque é que é visto como uma piada os cirurgiões agirem desta forma (descontraída/relaxada) durante uma cirurgia? Será que o nosso trabalho não é sério, rigoroso e exige concentração? Penso que devemos adoptar uma "postura séria" perante os outros para sermos levados a sério, para valorizarmos o nosso trabalho e mantermos alguma autoridade. Se pensarmos bem, quem nos atende com extrema simpatia é quem mais nos quer enganar. Os vendedores, sobretudo os "da banha da cobra" são de uma extrema simpatia. Já abordei a questão da simpatia e suas consequências anteriormente, acabando este post por ser um complemento do mesmo, mas surgindo por razões diferentes. A nossa imagem social é em grande parte construída por nós mesmos e será do nosso maior interesse sermos levados a sério por toda a gente para que ninguém tenha dúvidas de quando estamos "a brincar" ou "a sério" e assim nos darem a importância que precisamos por vezes e merecemos sempre.
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25 janeiro, 2010
GREVE DIAS 27, 28 E 29
...apelar à greve. Porque o momento assim o exige, apelo a todos os enfermeiros (e futuros enfermeiros) que façam greve nos dias 27, 28 e 29 e que participem na manifestação nacional, em Lisboa no dia 29. Apelo ainda à participação em todas as manifestações regionais organizadas de modo a pararmos não só o SNS mas o país na medida do possível, valendo-nos do nosso elevado número. Não basta demonstrarmos a nossa importância na saúde, temos de captar a atenção das pessoas para as injustiças de que a nossa classe profissional é constantemente alvo, interferindo com o seu quotidiano, perturbando-as, captando a atenção dos media para assim levarmos o nosso descontentamento a toda a gente. Este é o verdadeiro momento para os enfermeiros do "agora ou nunca", pois tudo vai ficar decidido e não haverá mais greves ou manifestações que possam reverter a situação. Não podemos dar desculpa aos sindicatos para não conseguirem negociar uma carreira condigna à semelhança de todos os outros profissionais portugueses que recebem um ordenado correspondente ao seu grau académico. Quem não quiser/puder participar na manifestação deve assegurar os cuidados mínimos de modo a permitir a participação dos colegas interessados e quem assegurar mínimos tem de compreender que um dia de greve não é um dia normal e o serviço não deve funcionar normalmente ou se possível nem funcionar de todo e doentes e seus familiares devem sentir os efeitos da greve de modo a que esta seja eficaz. Não podemos continuar a ser (literalmente) o "parente pobre" da saúde. A greve assume-se neste momento como uma obrigação e não um direito!
Quem não berra, não mama!
Sabedoria popular
(E quem não "berrar" agora, "que se cale para sempre")
14 dezembro, 2009
Fashion & Style
...ter estilo. Penso que seja generalizada a censura das escolas de enfermagem em relação à imagem/estilo dos seus alunos. Na minha escola em particular, em estágio era (e fui) "aconselhado" a cortar o cabelo por "já estar demasiado comprido" ou a cortar a barba, que "devia ser cortada todos os dias". Mais grave ainda era o facto de mesmo durante o tempo de aulas haver uma censura constante e atenta ás roupas e ao estilo dos alunos em geral. Nada de roupas mais extravagantes e um colega foi proibido pela directora de entrar na escola enquanto não mudasse o corte de cabelo (pouco convencional) que tinha feito. Sem me referir sequer aos aspectos legais, que autoridade (moral) tem qualquer professor ou director ou quem quer que seja na escola para me proibir de vestir qualquer roupa ou usar determinado penteado, piercing, tatuagem, de interferir com o meu estilo próprio, a minha identidade (respeitando obviamente o pudor público)? O mais interessante é que estas ideias são incutidas em grande parte dos alunos que depois, enquanto profissionais, acabam por exercer a mesma censura sobre os colegas que ousam afirmar o seu estilo, a sua identidade. Não basta já todos nós termos de usar um uniforme/farda que de estético pouco ou nada tem e cujos objectivos não são certamente conhecidos na totalidade pela maioria dos colegas (este assunto dará origem a um futuro post certamente interessante). Felizmente assistimos cada vez mais a enfermeiros que alheios a esta censura vivem e trabalham com o seu estilo próprio, com todo o tipo de penteados, piercings e tatuagens, como todos os profissionais, uma vez que isto não influencia a qualidade do seu trabalho. A enfermagem já não é (só) praticada por freiras!
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19 novembro, 2009
Prenda de Natal antecipada
...não ter Natal. Já tive conhecimento do "horário das festas 2009"; vou ficar (outra vez) sem Natal. Fazer tarde a 24 e tarde a 25 impede-me de jantar com a minha família no dia 24 e de almoçar com ela no dia 25 por esta se encontrar relativamente longe, mas... hei! Tens o Ano Novo livre!!! Que bom... só é pena que a passagem de ano não tenha qualquer significado para mim... festejos há muitos, festas com a família junta (para mim) não. E o que recebo eu em troca, como consolação? Um ordenado base como nos outros meses, que não reflecte a minha licenciatura, ao contrário de todos os outros profissionais licenciados; como este ano não faço a noite em si, nem aos pobres suplementos (iguais aos de qualquer outra noite) tenho direito. Sinceramente, o simples facto de saber que posso tornar melhor o Natal de outras pessoas não compensa a minha perda (do Natal), quando (quase) toda a gente está a viver um dia(/noite) tão especial junto dos seus familiares, a celebrar como só se faz uma vez no ano, com troca de prendas, de afectos e com iguarias que não se comem no resto do ano, ou pelo menos não têm definitivamente o mesmo sabor. As montras enfeitadas com pinheiros de Natal e bonecos-de-neve não nos fazem lembrar o Natal, mas o hospital, a publicidade aos brinquedos, aos perfumes, aos bombons e ao uísque não nos fazem lembrar as prendas mas o trabalho, os normais votos de "boas festas!" são substituídos por votos de "uma noite de trabalho sem percalços" e o "jantar de Natal do serviço" da praxe torna-se uma mostra do que vamos perder. É isto que é ser enfermeiro; se eu não sabia disso quando optei por este caminho? Sim, sabia, mas não sabia era que tal sacrifício era tão desprezado pelos demais.
14 novembro, 2009
Trocas e baldrocas
...ser trocado. Uma das poucas vantagens (talvez a única verdadeira) do roullement é a flexibilidade do nosso horário, sendo que o podemos ajustar ás nossas necessidades. Qual é o limite deste ajuste? Excluindo aqueles chefes que (quase) proíbem as trocas (e os limites legais), "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros", e aqui chegamos ao cerne deste post. O facto de se fazer uma troca significa que se vai trocar um turno nosso pelo turno de outro colega, o que pressupõe que alterando o nosso horário vamos também alterar o horário do colega. Aquilo a que eu assisto diariamente são colegas que conseguem em pouco tempo alterar (quase) todos os turnos, ficando com um horário completamente diferente, de acordo com as suas preferências; depois vejo as colegas que trocam menos turnos, mas decidem sempre juntar muitas folgas ou não querem fazer manhãs (p.ex.), temos ainda os colegas que trocam os turnos para ganhar mais algum em horas de qualidade e depois temos os colegas que só trocam mesmo os turnos por necessidade, por incompatibilidade e que acabam por fazer mais trocas porque lhe pedem. O que se passa é que normalmente (e se for bem elaborado), o horário encontra-se equilibrado em termos de tipos de turno, dias seguidos de trabalho, folgas... quem posteriormente troca activamente os turnos altera este equilíbrio a seu favor e quem troca passivamente acaba por ficar com um horário desequilibrado, ou porque acredita que quem troca o faz realmente por necessidade e portanto merece um sacrifício ou porque vai aceitando as trocas até dar conta do resultado final e a verdade é que raramente uma troca beneficia os dois intervenientes. Depois, há os mais variados métodos usados pelos "trocadores activos", que vão desde a mentira até à pressão psicológica/emocional, passando pela chantagem e o "suborno". Há ainda outro aspecto das trocas que merece atenção e que é o mesmo direito de todos a um horário equilibrado, que por vezes é "esquecido" por quem faz o horário e frequentemente pelos "trocadores activos"; todos têm esse direito, independentemente de terem filhos, pais ou animais, independentemente de terem outro emprego ou ocupação, independentemente de serem novos ou velhos, gordos ou magros, solteiros ou casados, homens ou mulheres... Como facilmente se percebe, incluo-me no grupo dos "trocadores passivos", pelo que já perdi folgas porque o colega "precisava muito" e depois reparei que precisava muito para juntar uma folgas e tirar umas "mini-férias", já fiquei sem folga quase 2 semanas porque o colega "precisava de ir à santa terrinha" e afinal descobri que não foi e nunca teve intenções de ir, já fiquei praticamente com "horário fixo" (só manhãs) porque o colega tinha umas coisas importantes para fazer, podia ter dito logo que acumulava noutro sítio, já desmarquei encontros com amigos porque o colega precisava de cuidar de um familiar e afinal o familiar foi cuidado por alguém enquanto o colega foi a uma festa, já ganhei menos trabalhando mais porque o colega não podia fazer aquela noite e o verdadeiro motivo era porque a minha noite era mais rentável (e menos trabalhosa). Assim, decidi restringir ao máximo as minhas trocas para evitar desequilibrar o meu horário. Eu não trabalho em mais que um sítio nem tiro uma especialidade (também) para não perder tempo livre, tempo de qualidade em família, tempo de descanso, por isso, porque hei-de perder esse mesmo tempo de qualidade para que outros colegas possam ganhar mais algum dinheiro? Fico sem o tempo e sem o dinheiro! É certo que o saldo final de horas acaba por ser sempre o mesmo, mas num rápido raciocínio se percebe que o tempo livre é diferente (qualitativamente) conforme os turnos que trabalharmos.
11 novembro, 2009
(Des)ordem
...ser ordenado. Penso que a maioria dos enfermeiros espera mais do Ordem dos Enfermeiros (OE) do que aquilo que ela tem feito até hoje e parte deles não concorda com a sua existência que parece servir apenas para nos cobrar as quotas sem perdoar. Se por um lado também acho que a OE podia fazer mais pela enfermagem e pelos enfermeiros, por outro não pondero sequer a hipótese da sua extinção (e das respectivas quotas). Como se pode ler no Estatuto da Ordem dos Enfermeiros "A Ordem goza de personalidade jurídica e é independente dos órgãos do Estado, sendo livre e autónoma no âmbito das suas atribuições" - aqui começa a nossa autonomia, os enfermeiros começam a auto-regular-se, tornam-se independentes dos órgãos do Estado. Continuando para (algumas das) suas atribuições:
-"Exercer jurisdição disciplinar sobre os enfermeiros"; assim, temos enfermeiros a avaliar enfermeiros e não somos regulados por outros profissionais.
-"Proteger o título e a profissão de enfermeiro, promovendo procedimento legal contra quem o use ou exerça a profissão ilegalmente"; um poder que a ser correctamente usado, puniria muitos AAM (entre outros profissionais)...
-"Contribuir, através da elaboração de estudos e formulação de propostas, para a definição da política da saúde"; um grande poder... subaproveitado ou não verdadeiramente atribuído;
-"Zelar pela função social, dignidade e prestígio da profissão de enfermeiro, promovendo a valorização profissional e científica dos seus membros"; upsss... aqui a OE falha um bocado (grande);
-"Promover a solidariedade entre os seus membros"; solidariedade entre enfermeiros?! yeah right...
-"Fomentar o desenvolvimento da formação e da investigação em enfermagem, pronunciar-se sobre os modelos de formação e a estrutura geral dos cursos de enfermagem"; quanto à investigação, já me pronunciei sobre o assunto, quanto aos cursos de enfermagem, tenho poucas dúvidas que será a área onde a intervenção da OE recolhe mais criticas.
Assim sendo, a importância da OE revela-se no mesmo sítio que os seus pontos fracos. Apesar de se ter assistido ultimamente a uma OE mais interventiva, mais mediática, espera-se mais, espera-se que usufrutue ao máximo dos seus direitos legais e que estes sejam vistos como deveres perante todos os enfermeiros deste país. Para finalizar, espero que a OE passe esta fase "inicial" onde apenas exerce o seu poder de acção disciplinar sobre os enfermeiros para os fazer cumprir os seus deveres, para se dirigir para uma OE que defenda todos os direitos dos enfermeiros, incluindo a "dignidade e prestígio" da profissão que se manifesta também nos seus salários, nas suas regalias económicas, apesar de este ser um campo preferencial dos sindicatos (que actualmente parecem estar inertes). Concluindo, espera-se que a OE siga o exemplo de outras Ordens Profissionais mais "maduras" e evolua de uma imagem castigadora, para uma imagem protectora.
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31 outubro, 2009
Atchimmm!!!
...ser cobaia. Penso que seria inadmissível não dedicar um post à gripe A e à adesão (ou não) por parte dos enfermeiros à polémica Pandemrix, uma vez que até um "bastordinário" de uma Ordem que não a dos enfermeiros "mandou bitaites" sobre o assunto (que não lhe dizia respeito). Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que os enfermeiros não são considerados grupo prioritário por serem um grupo de risco pela maior probabilidade de contacto com o vírus, mas sim por serem necessário em caso de (verdadeira) pandemia, ou seja, não é para a sua protecção pessoal mas para a protecção da mão-de-obra; não querem saber dos nossos riscos laborais mas do nosso trabalho (barato), colegas desenganem-se! Podia dissertar sobre o verdadeiro risco da gripe A e os números da mortalidade, comparados com outras doenças, incluindo a gripe sazonal, mas penso que já serão do conhecimento geral. Passando então à Pandemrix, uma vacina comercializada pela GlaxoSmithKline, que misteriosamente deixou de poder ser consultada no site da mesma, não é considerada segura por todos os organismos. Segundo o Infarmed, foi "estabelecida a relação benefício-risco e o benefício foi considerado superior ao risco" pela Agência Europeia do Medicamento. Esta vacina não foi aprovada pelos Estados Unidos por conter substâncias na sua composição que podem alegadamente causar danos à saúde, a Suiça impõe restrições à toma da mesma e os políticos alemães optaram por tomar antes a Cevalpan (da Baxter) - será que os nosso estão a fazer o mesmo "ás escondidas"? Penso no entanto que a relutância dos enfermeiros não está tanto nos riscos conhecidos da vacina, pela sua constituição, mas como frisa Rui Nunes, porque "sabem que não há ainda resultados verdadeiramente sólidos que permitam determinar com clareza se a pessoa deve ser vacinada". Os enfermeiros sabem que o tempo que demora a desenvolver e comercializar qualquer medicamento é normalmente muito superior ao que foi despendido nestas vacinas. Os enfermeiros sabem que ainda decorre o período experimental das vacinas e que na verdade servirão de cobaias. Os enfermeiros sabem que se vão sujeitar aos riscos do tiomersal para que se possa utilizar o sistema da multidose e do escaleno para reduzir o tempo da cultura de vírus inactivos, para que a produção do medicamento satisfaça a procura em menos tempo de produção e aumente exponencialmente os lucros das respectivas farmacêuticas como se tem vindo a verificar (por exemplo, valores de 27 dólares em Março deste ano para 42 dólares actualmente, por acção da GSK) . Os enfermeiros sabem que são pressionados a correr estes riscos para diminuir os riscos de contágio da restante população. Os enfermeiros sabem, e Pedro Nunes, não sabe? Então a ignorância é dele! Pelos vistos os seus colegas também sabem e seguem o mesmo caminho dos enfermeiros e já agora, da maioria das restantes pessoas consideradas como grupos prioritário, incluindo os deputados. Eu pessoalmente, não estou disposto a servir de cobaia e arriscar a minha saúde pela saúde dos meus clientes/utentes/doentes - o meu altruísmo não chega a tanto e julgo ter tanto direito a uns dias "de baixa" com uma gripe como qualquer outro profissional (sarcasmo) e apenas pelo maior risco de contacto com o vírus e para evitar contagiar os meus familiares pondero correr os riscos e ser vacinado.
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28 outubro, 2009
Trabalhar para aquecer
...trabalhar para ganhar dinheiro. Pelo menos eu trabalho para isso, mas há colegas que dizem trabalhar pelo doente. Será que se não lhe pagassem trabalhavam na mesma? É que doentes há sempre. Os "patrões" é que gostam de saber disto... se trabalham pelos doentes, damos-lhes doentes e não dinheiro, sempre sai (bem) mais barato. São os mesmos colegas que quando se fazem greves, não sabem o que são "cuidados mínimos" e acabam por fazer tudo na mesma (ainda que com menor número de enfermeiros) "porque o doente não tem culpa". Não sabem o que é uma greve; quem querem "que pague"? Os ministros?! Esses nunca sofrem com nenhuma greve, quem tem de sofrer são os clientes, são os eleitores que os elegeram. Pela mesma ordem de ideias, não existiam greves nenhumas, porque a culpa é sempre dos patrões e não dos clientes, mas têm de ser estes a sofrer, a queixarem-se, a fazerem-se ouvir aos patrões; os professores não faziam greve porque nem os alunos nem os pais têm culpa. É mais uma arma que os enfermeiros não sabem aproveitar. Não me canso de repetir que praticar enfermagem (já) não é praticar caridade. É uma profissão que deve ser encarada como qualquer outra, sem necessidades de vocações, mas com necessidade de ciência, de remuneração, com clientes, com horários. Não aceito quando me dizem que ser enfermeiro é algo mais que uma profissão (à qual nos podemos dedicar mais ou menos, como qualquer outra). É só uma profissão e mesmo assim, uma profissão cada vez pior... pior remunerada, com pior visibilidade/respeito, com piores condições de trabalho e estou convicto que a culpa disto é só de quem a pratica.
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11 outubro, 2009
No poupar é que está o ganho (?!)
...ser poupadinho. Esta é mais uma "daquelas coisas" que me deixa abismado com a estupidez, a tacanhez, a falta de visão que está embrenhada nos enfermeiros. Qual é o aluno que nunca foi aconselhado a "poupar material" pelo seu "enfermeiro orientador/supervisor", ou o enfermeiro que não recebeu o mesmo "conselho" da parte do seu chefe? Chega-se ao ridículo de usar agulhas de calibres menores para poder poupar uns cêntimos por caixa (quando não são até ao mesmo preço), ou de cortar compressas (ao meio ou até em quatro) para não gastar tantas; estão de olho na quantidade de adesivo ou de ligaduras que gastamos num penso e somos repreendidos se utilizarmos p.e. um frasco de soro de 1000ml quando um de 500ml podia ser suficiente. Que bom sermos assim poupados, pois conseguimos poupar aos contribuintes (ou nas EPE's, directamente ao hospital) uns cêntimos ao fim do dia, o que se transforma em meia dúzia de euros ao fim do mês, e para quê? Para em seguida vir um médico requisitar uma TAC, RMN ou outro exame ainda mais caro, num doente que até nem precisava, mas o médico decidiu pedir porque sim, por curiosidade (quem nunca assistiu a episódios destes?) e gasta num instante umas centenas de euros, que os enfermeiros vão poupar nalguns anos; isto é, no entanto, só um exemplo no meio de muitos outros de grandes gastos desnecessários, como doentes a fazer antibióticos (que até são por norma, baratinhos!) porque se esqueceram de suspender a prescrição. Pior que isso é que são os mesmos enfermeiros que poupam nas agulhas e nas compressas que depois vão fazer pensos antes da data aconselhada pelo fabricante do produto aplicado no penso "só para ver como está", ou que fazem pensos onde gastam dezenas de euros, num doente em fase terminal, não como medida de conforto, mas porque é assim que fazem sempre e não se sabem adequar ao contexto do doente. Deve ser por sermos os profissionais de saúde mais poupadinhos que somos tão bem remunerados... ou será que a nossa "excelente" remuneração é o reflexo da referida estupidez/tacanhez que nunca deixa de marcar presença na nossa classe?
05 outubro, 2009
Liberdade e Responsabilidade
...viver/trabalhar em contradições. Uma delas, foi estudada nas saudosas aulas de filosofia do secundário. Ensinaram-me nessa altura que a liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres se formos responsáveis, e só podemos ser responsáveis se formos livres. Chegado ao curso de Enfermagem, ensinam-me que em Enfermagem isto não é válido. Tomando por exemplo a prescrição terapêutica: o médico é livre de a prescrever, o enfermeiro não é, e cabe-lhe administrar; se "a coisa" correr mal, a responsabilidade é do médico e do enfermeiro; sim, eu sei que o enfermeiro "é livre" de administrar ou não, mas tem conhecimentos suficientes para decidir (ou prescrever) a administração ou não do fármaco X à pessoa Y? Se tem, porque não é livre de prescrever? Outro: Se não houver médico, o enfermeiro é responsável pela decisão de administração (i.e. prescrição) de medicação numa situação de urgência/risco de vida; tem conhecimentos para isso? se tem porque precisa de prescrição médica na presença deste? Só mais um: o assistente operacional leva o doente ao chuveiro e queima-o com água demasiado quente; sendo que o enfermeiro não tomou a decisão da regulação da temperatura da água (pois não é preciso ser licenciado nem perto disso para regular uma adequada temperatura para o banho), porque é responsável por este erro (ou má intenção)? Generalizando, o enfermeiro tem muita pouca liberdade na tomada de decisões do seu exercício diário, mas sempre que as coisas correm mal (nunca quando correm bem), a responsabilidade cai (quase) sempre sobre este (muitas das vezes com uma ajudinha da Ordem dos Enfermeiros nesse sentido).
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25 setembro, 2009
Contra (in)formação
...pagar para trabalhar melhor. Verifica-se uma febre geral na enfermagem pelos "cursilhos de formação" que a ser contagiosa pareço estar imune. Para que servem afinal estes cursos? Na sua maioria para nada, pois (in)formam os enfermeiros sobre coisas que nunca vão exercer, que nunca lhe vão ser úteis ou que não têm autonomia para exercer, pelo que rapidamente passarão à sua zona de "reciclagem cerebral". Há no entanto alguns cursos de formação mais pertinentes (geralmente de carácter mais prático), sendo por norma (ainda) mais caros que os anteriores. E então, pergunto eu (sou uma pessoa cheia de questões): quem beneficia com esta formação, com a melhoria dos cuidados por mim prestados? A instituição em que trabalho, ou, em última instância os clientes da mesma, os doentes. Assim sendo, porque tenho eu de pagar essa mesma formação a somar ao tempo e neurónios gastos? O mesmo se aplica ás especialidades, que a par de outros países deveria dar direito a dispensa total de serviço, mantendo a remuneração e com posterior obrigação de permanência na instituição durante um período de tempo pré-acordado. Melhor ainda são os "posters e comunicações livres que contam para o currículo"... qual currículo? isto é mesmo ridículo (ou eu não estou a ver bem a coisa).
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