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20 julho, 2011

CSI



...encaixar provavelmente em certos "perfis típicos". Alguém adivinha (sem consultar a fonte nem pesquisar no google) de que é este perfil típico? Será de um enfermeiro?

"Perfil típico de um (?)

    
    Os (?) normalmente não se imitam uns aos outros. Mas por qualquer motivo, o modo de agir é idêntico, como se todos fossem geneticamente iguais ou criados num mesmo ambiente

 Aparência Geral
    Inteligente. Intenso. Abstraido. Surprendentemente, para uma profissão que é sedentaria, a maioria dos (?) tende a ser magra; ambos os extremos são mais comuns que em qualquer outro lugar. Os bronzeados são raros.

 Forma de vestir
    Casual, vagamente pós-hippie; t-shirts, jeans, ténis, sandálias ou pés descalços. Cabelo comprido, barbas e bigodes são comuns. Alta incidência de t-shirts com “slogans” (tipo "vai ao cinema mas não me chames").
      Uma minoria substâncial prefere roupas “de camping”: coletes e calças militares e de campismo, etc.
    Os (?) vestem-se para o conforto, a funcionalidade e para terem o mínimo de manutenção, pecando na aparência (alguns levam isso a sério e negligênciam a higiene pessoal). Os (?) têm um índice de tolerância baixo a roupas de "negocios"; e até é comum eles largarem um emprego para não usarem roupa formal. (?) do sexo feminino tendem a nunca usar maquilhagem visivel. A maioria não usa.

 Hábitos de leitura
    Normalmente com grandes quantidades de ciência e ficção cientifica. Qualquer coisa como “American Scientific”, “Super Interessante”, "Science & Vie", etc.
    Os (?) normalmente têm uma capacidade de leitura de coisas tão diferentes que impressionam pessoas de vários géneros. Têm porém a tendência de não comentar muito isso. Muitos (?) gastam a ler o que outros gastam a assistir TV e têm sempre estantes e estantes de livros selecionados em casa.

 Outros interesses
    Alguns hobbies são bastante partilhados e reconhecidos como tendo a haver com a cultura: ficção cientifica, musica, medievalismo (na forma activa praticada por Grupos que se isolam da sociedade e organizações similares) xadrez, gamão, jogos de guerra e jogos intelectuais de todos os tipos. (os RPGs eram muito difundidos até começarem a ser explorados pela massa). Há muitos (?) que praticam rádio amadorismo e outros que se dedicam a construir robots e máquinas electrónicas, empregando tecnologia muito avançada na sua construção.

 Actividade física ou desportos
    Muitos não seguem nenhum desporto e são anti-exercício. Aqueles que fazem, não curtem ficar a ver os outros fazer, como espectadores. Para os (?) o desporto é algo que se faz e não algo que se vê os outros fazer. Também evitam desportos de grupo como se fossem a peste, com possivel excepção de voleibol. Os desportos desse tipo são, quase sempre, aqueles que envolvem competição individual e auto-superação, concentração, força interior, e capacidades motoras como: as artes marciais, andar de bicicleta, corrida de karts ou automóveis, escalagem, aviação, tiro ao alvo, navegar, esquiar, andar de skate, snowboard, etc.

 Educação
    Quase todos os (?), acima da adolescência, são portadores de diploma ou educados até um nivel equivalente. O (?) que aprendeu sozinho é sempre considerado (pelo menos para os outros (?)) como mais motivado, e pode ser mais respeitado que o seu equivalente com o canudo. As áreas incluem (além da obvia ciência de computação e engenharia electrónica) a fisica, a matemática, as linguas e a filosofia.

 Coisas que os (?)detestam e evitam
    Mainframes da IBM. Burocracias. Gente estúpida. Música fácil de ouvir (música barata e comercial, etc.). Televisão (excepto pelo velho "Star Trek" e os "Simpsons"). Desonestidade. Incompetência. Tédio. COBOL. BASIC. Interfaces não gráficas.
   
 Religião
    Agnóstica. Ateista. Judeu não praticante. Neo-pagão. Mais comum, três ou quatro desses aspectos combinados. Crentes sâo muito raros mas não desconhecidos."


09 junho, 2011

Tanto por tão pouco


...querer saber porque é que em enfermagem tudo tem de ser tão difícil, tão complicado, tão demorado. Penso que começa logo no curso, onde 4 anos me parece ser demasiado tempo para se ensinar tão pouco. Depois começamos a trabalhar (após termos esperado muito tempo por um mísero lugar) e levamos com (mais de) 40 horas semanais para um ordenado equiparável ao de uma auxiliar (desculpem, mas prefiro esta terminologia) e para o auferirmos ainda temos de trabalhar por roullement, dar cabo do nosso ritmo circadiano, passar festas sem a família, entre os outros (mais que) muitos "ossos do ofício", que por sinal são bem duros de roer. Depois, pensamos em ascender na carreira... qual carreira? Isso já não existe há muito, mas... podes "subir" a especialista! Ai sim? Claro, perdes 2 anos, em que para além das (mais de) 40 horas semanais ainda tens de ir ás aulas, estudar em casa e provavelmente arranjar um part-time para pagar as propinas, e no fim... só com muito custo vais lucrar com isso (se querem adquirir conhecimentos, há outras maneiras de o fazer). Então e um mestrado ou doutoramento? Também podes tirar, mas a história repete-se. Então e posso ser chefe? Sim, se te esforçares para isso desde o início, passados uns 30 anos, com muitos sacrifícios pelo meio, muito dinheiro gasto, muito tempo perdido, muitos sapos engolidos e muita graxa passada podemos ter sorte... ou não! E vale a pena? Para mim, por maior que a alma seja, não vale! Então, mas a enfermagem é uma profissão tão ampla, podemos trabalhar em tantos sítios diferentes, em sítios bem interessantes... sim, mas esses já estão todo ocupados e com uma fila de espera de vários anos, por mais sacrifícios que façamos. Então e se tivermos valor pelas nossas capacidades? Ah... ninguém que saber disso, quanto pior fores tu, melhor sou eu. É engraçado que isto que se passa a um nivel "macro", tambem se passa a um nivel "micro". No nosso dia a dia, naquilo que fazemos, nos nossos turnos, ou aquilo que fazemos exige demasiados sacrifcios  (muitas vezes para nada) ou se não for suficientemente complicado, os enfermeiros tratam de o tornar como tal. Noutras áreas, noutras profissões, procuram-se pessoas com valor, pessoas com potencial, e ajudam-se a desenvolver o mesmo, em vez de se querer aquelas pessoas que se sacrificam por (sozinhas) desenvolverem todo o seu potencial, esgotando-o e ficando a um nível muito aquém do que outros poderiam alcançar. Com muito menos sacrificio, as pessoas passam a desempenhar funções muito mais importantes, de maior reponsabilidade e de valor reconhecido. Em enfermagem não se estimula as pessoas a desenvolver-se, não se reconhece o valor das pessoas, não se deixa crescer e ser mais do que os outros, ser quem se pode ser. As maiores figuras da enfermagem (sobretudo a nível nacional) são pessoas de grande valor/potencial, são verdadeiros génios? Ou serão por outro lado pessoas que sacrificaram tudo o resto pela sua carreira (quão triste isso é), ou pessoas que sacrificaram a sua dignidade e o seu orgulho para ascender, ou ainda produtos da política? 
Dizem que "em terra de cegos, quem tem olho é rei", mas na enfermagem, quem tem olho é preso nas masmorras pelo rei (também ele cego).

14 fevereiro, 2011

Ditadura na saúde


...referir-se a um assunto, não tanto como enfermeiro, mas mais como utente/cliente, pois acho que as "relações interdependentes" (como p.ex. limpar o suor da testa ao cirurgião), podiam e deviam tender para a extinção, mas sobre isto estou a pensar referir-me noutro post. A prescrição por DCI volta a estar "na berlinda" e os mais importantes de todo o processo (os utentes) ficam a ver passar "a berlinda" sem poderem fazer nada. Confesso que fico um pouco chocado (neste país já começa a ser difícil haver algo que me choque muito) ao ver a insolência com que os médicos se assumem como ditadores na saúde (ou melhor, na doença) dos seus utentes/doentes e mais que isso, na carteira dos mesmos. Assim de repente "só" me surgem muitas perguntas em que a resposta pouco terá a ver com a "defesa dos doentes":
-No curso de medicina, aprendem a prescrever substâncias ativas ou marcas?
-Ainda que diferentes marcas possam ter efeitos terapêuticos diferentes, como sabem os médicos quais são os melhores? Experimentam-nos neles, fazem dos doentes cobaias, ou acreditam no Pai-Natal (leia-se delegado de informação médica)?
-A quem cabe avaliar a qualidade dos medicamentos à venda no mercado português? À Ordem dos Médicos ou ao Infarmed? Quem tem a competência e capacidade técnica para tal e quem tem uma opinião corporativa e baseada em mitos?
-Se no internamento prescrevem por principio ativo, porque não o fazem em ambulatório, prescrevendo normalmente uma marca diferente daquela na qual confiaram durante o internamento e que melhorou o doente?
-Porque é que a opinião do bastonário da OM é sempre coincidente com a da indústria farmacêutica e sempre com preocupações mais industriais que científicas?
O nosso Presidente (da República) que percebe imenso de medicina, vetou o diploma, zelando pela saúde dos doentes, para que estes não andem por aí a tomar medicamentos baratos (o que não é nada chic) e como não têm dinheiro para os de marca, não tomam medicamentos, pelo que da cura já não morrem, morrerão da doença?
A Indústria Farmacêutica (e seu representante mais ativo, i.e. Bastonário da OM) congratulou-se com esta decisão (porque será) e até disse que assim foram salvos cerca de 1000 postos de trabalho (pagos com o dinheiro de quem?); resta saber se neste número estão incluidos os empregos relativos ao "turismo médico", negócio de LCDs/LEDs, smartphones e afins, sim, porque se para a opinião pública as prendinhas dos delegados de informação médica se calhar são só rumores, ajudada pela rapidez com que as denúncias fundamentadas/factuais destas situações são abafadas na comunicação social, quem como nós sabe a realidade (ou pelo menos parte dela), não pode deixar de sentir revolta por este sistema mafioso. A marca serve apenas para proteger o mercado e consequentemente o preço do medicamento após a caducidade das patentes (período após o qual começam a aparecer os genéricos), mas isto pouco interessa ao doente (e ao Estado), pelos vistos só interessa aos médicos (e à indústria farmacêutica). O doente, que compra o medicamento e que o vai tomar é que é lógica e racionalmente quem decide a marca, após o aconselhamento com o seu médico e com o farmacêutico (que por sinal percebe mais de farmacologia que o médico), de acordo com as suas possibilidades monetárias, numa decisão livre, informada e responsável. Ainda gostava de ver a reação de um médico se na próxima vez que fosse ás compras e quisesse comprar por exemplo leite, estivesse lá um nutricionista para o obrigar a comprar leite de determinada marca, uma vez que ele percebe mais de leites do que o médico. Situações ridículas num pais ridículo, onde os médicos nem precisavam de se preocupar tanto com esta situação, uma vez que para a maioria do portuguesinho, aquilo que o sr. dr. médico disser é lei. Coroam-nos e não querem que reinem?

09 outubro, 2010

Teoria da evolução


...resistir à evolução natural das coisas. A informática está a invadir tudo, incluindo a saúde e como sempre, os enfermeiros são um ponto de resistência à inovação. Na enfermagem, a informática ainda faz pouco mais que substituir o papel pelo "digital" e mesmo assim a implementação é difícil. Parece uma anedota, mas teima-se em passar do registo em papel para o registo digital (até agora tudo bem) e depois... imprimir uma cópia (em papel) dos registos digitais! Mais uma vez, seguindo minha a "mania", pergunto, para quê? Como seria de esperar, as respostas são tão descabidas (para não lhes chamar outra coisa) como o ato em si. Questionam o valor legal da assinatura digital, quando este está decretado desde 1999 no Decreto-Lei n.º 290-D/99, sendo recentemente confirmado pelo Decreto-Lei n.º 62/2003. Falam do risco de perda de informação digital; mesmo sem saber a qualidade do sistema informático do ministério da saúde, sei que é muito difícil perder informação digital, quase de certeza guardada em mais que um servidor, de certeza absoluta mais difícil de perder do que uns papéis mal presos a uma capa velha que corre o hospital e por vezes o exterior deste, por várias mãos; qual a facilidade dos papéis se perderem? Enquanto os papéis podem voar, arder, dissolver-se em água e sei lá que mais fragilidades, os registos digitais dificilmente se perdem ou adulteram, dada a sua extrema fiabilidade (qual a probabilidade de uma catástrofe eletromagnética?). E qual o valor de uma impressão não autenticada, não assinada, não carimbada ou coisa que o valha? Um papel que eu posso muito facilmente copiar e adulterar num programa tão simples como um editor de texto. Quando os frágeis argumentos são rebatidos, resta a habitual afirmação "lá estás tu a ser do contra", quando eu até estou a favor (da evolução tecnológica). Porque insistem os enfermeiros em contrariar a mudança, a evolução, em vez de a usarem para tirarem proveito dela? Damn it! Assim não "saímos da cepa torta"...

27 setembro, 2010

Insight


...vivenciar inesperadamente episódios de introspecção. Depois de uns dias de calma, paz e felicidade aproveitados até ao último minuto, arrumo as coisas todas dentro do carro numa correria interrompida por um agricultor desconhecido que passava e na sua calma pergunta: "Já de partida? pois, é preciso começar a trabalhar não é?" Eu respondi afirmativamente enquanto acabei de arrumar as coisas com mais calma, vendo-o desaparecer como apareceu, a pensar na pergunta e na resposta, pensamento que se prolongou pela viagem, que ainda foi longa. Seria mais feliz o agricultor que na sua calma seguia calmamente para o seu trabalho, não porque "tinha de ser", mas porque "podia ser" ou eu na minha correria para trabalhar porque "tinha de ser" apesar de talvez "não poder ser"? Será o trabalho uma parte assim tão importante da nossa vida que se possa sobrepor à família, aos amigos, à saúde (física e mental), à felicidade? Quanto vale a possibilidade de se trabalhar em contacto directo com a natureza, combinando o ritmo desta com o nosso, aproveitando o que ela nos oferece e tentado oferecer-lhe também alguma coisa? Lucrar com o nosso trabalho e não deixar que alguém lucre com ele enquanto nos explora... São opções de vida ou uma questão de oportunidades? Mas quem é que mandou o raio do agricultor com as suas palavras tão simples quanto abaladoras?

11 outubro, 2009

No poupar é que está o ganho (?!)



...ser poupadinho. Esta é mais uma "daquelas coisas" que me deixa abismado com a estupidez, a tacanhez, a falta de visão que está embrenhada nos enfermeiros. Qual é o aluno que nunca foi aconselhado a "poupar material" pelo seu "enfermeiro orientador/supervisor", ou o enfermeiro que não recebeu o mesmo "conselho" da parte do seu chefe? Chega-se ao ridículo de usar agulhas de calibres menores para poder poupar uns cêntimos por caixa (quando não são até ao mesmo preço), ou de cortar compressas (ao meio ou até em quatro) para não gastar tantas; estão de olho na quantidade de adesivo ou de ligaduras que gastamos num penso e somos repreendidos se utilizarmos p.e. um frasco de soro de 1000ml quando um de 500ml podia ser suficiente. Que bom sermos assim poupados, pois conseguimos poupar aos contribuintes (ou nas EPE's, directamente ao hospital) uns cêntimos ao fim do dia, o que se transforma em meia dúzia de euros ao fim do mês, e para quê? Para em seguida vir um médico requisitar uma TAC, RMN ou outro exame ainda mais caro, num doente que até nem precisava, mas o médico decidiu pedir porque sim, por curiosidade (quem nunca assistiu a episódios destes?) e gasta num instante umas centenas de euros, que os enfermeiros vão poupar nalguns anos; isto é, no entanto, só um exemplo no meio de muitos outros de grandes gastos desnecessários, como doentes a fazer antibióticos (que até são por norma, baratinhos!) porque se esqueceram de suspender a prescrição. Pior que isso é que são os mesmos enfermeiros que poupam nas agulhas e nas compressas que depois vão fazer pensos antes da data aconselhada pelo fabricante do produto aplicado no penso "só para ver como está", ou que fazem pensos onde gastam dezenas de euros, num doente em fase terminal, não como medida de conforto, mas porque é assim que fazem sempre e não se sabem adequar ao contexto do doente. Deve ser por sermos os profissionais de saúde mais poupadinhos que somos tão bem remunerados... ou será que a nossa "excelente" remuneração é o reflexo da referida estupidez/tacanhez que nunca deixa de marcar presença na nossa classe?

05 outubro, 2009

Liberdade e Responsabilidade




...viver/trabalhar em contradições. Uma delas, foi estudada nas saudosas aulas de filosofia do secundário. Ensinaram-me nessa altura que a liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres se formos responsáveis, e só podemos ser responsáveis se formos livres. Chegado ao curso de Enfermagem, ensinam-me que em Enfermagem isto não é válido. Tomando por exemplo a prescrição terapêutica: o médico é livre de a prescrever, o enfermeiro não é, e cabe-lhe administrar; se "a coisa" correr mal, a responsabilidade é do médico e do enfermeiro; sim, eu sei que o enfermeiro "é livre" de administrar ou não, mas tem conhecimentos suficientes para decidir (ou prescrever) a administração ou não do fármaco X à pessoa Y? Se tem, porque não é livre de prescrever? Outro: Se não houver médico, o enfermeiro é responsável pela decisão de administração (i.e. prescrição) de medicação numa situação de urgência/risco de vida; tem conhecimentos para isso? se tem porque precisa de prescrição médica na presença deste? Só mais um: o assistente operacional leva o doente ao chuveiro e queima-o com água demasiado quente; sendo que o enfermeiro não tomou a decisão da regulação da temperatura da água (pois não é preciso ser licenciado nem perto disso para regular uma adequada temperatura para o banho), porque é responsável por este erro (ou má intenção)? Generalizando, o enfermeiro tem muita pouca liberdade na tomada de decisões do seu exercício diário, mas sempre que as coisas correm mal (nunca quando correm bem), a responsabilidade cai (quase) sempre sobre este (muitas das vezes com uma ajudinha da Ordem dos Enfermeiros nesse sentido).

25 setembro, 2009

Contra (in)formação



...pagar para trabalhar melhor. Verifica-se uma febre geral na enfermagem pelos "cursilhos de formação" que a ser contagiosa pareço estar imune. Para que servem afinal estes cursos? Na sua maioria para nada, pois (in)formam os enfermeiros sobre coisas que nunca vão exercer, que nunca lhe vão ser úteis ou que não têm autonomia para exercer, pelo que rapidamente passarão à sua zona de "reciclagem cerebral". Há no entanto alguns cursos de formação mais pertinentes (geralmente de carácter mais prático), sendo por norma (ainda) mais caros que os anteriores. E então, pergunto eu (sou uma pessoa cheia de questões): quem beneficia com esta formação, com a melhoria dos cuidados por mim prestados? A instituição em que trabalho, ou, em última instância os clientes da mesma, os doentes. Assim sendo, porque tenho eu de pagar essa mesma formação a somar ao tempo e neurónios gastos? O mesmo se aplica ás especialidades, que a par de outros países deveria dar direito a dispensa total de serviço, mantendo a remuneração e com posterior obrigação de permanência na instituição durante um período de tempo pré-acordado. Melhor ainda são os "posters e comunicações livres que contam para o currículo"... qual currículo? isto é mesmo ridículo (ou eu não estou a ver bem a coisa).

17 setembro, 2009

Táxi!


...detestar taxistas. Generalizando mais uma vez (até porque conheço taxistas que são boas pessoas), não gosto nada destes profissionais, que se acham "os reis da estrada", sempre com a mão na buzina, mas cometendo erros de condução frequentemente. Se há coisa que não percebo são as regalias dadas a esta classe profissional. Em primeiro lugar, o táxi é um transporte público que poucos benefícios traz para a (maioria da) população, pois a capacidade de transporte é a mesma dos carros próprios, ou ainda menor, tendo em conta que com o táxista, é menos um lugar disponível; pelos preços praticados é um meio de transporte acessível a poucos, e há ainda a acrescentar a fama de burlões de turistas; a poluição de um táxi é superior à de uma viatura própria, pois para levar e mais tarde trazer um passageiro, um táxi efectua 4 viagens, ao invés das 2 viagens que uma viatura própria realizaria, com a agravante da grande maioria dos táxis serem muito poluentes, pela alta cilindrada, pela idade do veículo, quilometragem e estilo condução normal dos táxistas. Assim sendo, expliquem-me (como se fosse um miúdo de 10 anos) porque é que os táxistas têm ajuda financeira na compra dos táxis - os enfermeiros têm alguma ajuda de custo na compra do material que necessitam para trabalhar ou para a compra de carro para ir trabalhar ou bilhete de transporte público? Porque é que os táxistas têm direito a circular nas vias reservadas para transportes públicos - quem tem dinheiro para pagar o táxi passa à frente dos outros? Andar de táxi é uma regalia! E estes senhores ainda estão sempre a exigir mais ajudas financeiras, como um preço reduzido nos combustíveis, como se os táxis dessem uma grande contribuição para o desenvolvimento do país. Qualquer dia ainda lhes é atribuído o subsídio de risco (aquele que os enfermeiros inexplicavelmente não têm).

10 setembro, 2009

As aparências iludem



...ser picuínhas (ou não). Todos os dias assisto a uma preocupação dos meus colegas com picuinhices, como se se tratassem de coisas exactas e rigorosas, como seja o registo de sinais vitais; se avaliarem uma segunda vez, com esfigmomanómetro automático ou manual, será que vão voltar a obter uma TA de 123/52 mm/Hg? Então porquê insistir em registar escrupulosamente os 123/45 e criticar quem regista antes 120/50? Uma colheita/junção de urina de 24h que iniciou ás 7:12h, não tem de terminar necessariamente ás 7:12h do dia seguinte, ou conseguem contabilizar a urina presente na bexiga no início e no final? Uma toma de antibiótico prescrito para as 23h não pode ser administrada ás 22h ("os antibióticos têm de ser à hora certa"), apesar da toma anterior (das 15h) ter sido ás 14h. A enfermagem parece no entanto ser feita destas picuinhices, de uma preocupação com "os adesivos, que têm uma ponta descolada" ou com "a dobra do lençol que está mal feita" e é refeita para no momento seguinte o doente voltar a desfazer porque se sente mais confortável assim. Será a enfermagem feita de aparências?

13 agosto, 2009

Trabalho de licenciado


... ouvir quase todos os dias o comentário: "eu não queria ser enfermeiro(a), eu sei que são precisos e ainda bem que há quem queira ser, mas eu não conseguia, é preciso gostar muito..."


Quais são as ilações que eu tiro destes comentários frequentes?


Porque é que as pessoas não querem ser enfermeiro(a)s? Se em tempos idos era por "falta de coragem para ver sangue ou picar pessoas", hoje é por "não terem coragem para tomar conta das pessoas dependentes, mudar-lhe a fralda, dar-lhe de comer, ser maltratado e responder com um sorriso". Os enfermeiros deixaram de ser "os das picas" para passarem a ser "os das fraldas" (ou outra coisa menos bonita, que não vou aqui dizer). A enfermagem passou a ser vista como uma profissão suja; que dignificação pode daqui advir para a imagem dos enfermeiros? De quem é a culpa desta mudança? Não será dos enfermeiros que começaram a achar que deviam ser menos tecnicistas (e até deixaram ir "as picas" para os farmacêuticos), para serem mais "humanistas" e se especializarem em técnicas como a "mudança da fralda" ou o "levar a comida á boca do velhinho"? Dos enfermeiros que pedem aos familiares para sair da enfermaria para "mudarem as fraldas"? Não ficarei surpreendido se/quando assistir ao aparecimento da "especialidade em mudança de fraldas" ou "mestrado em cuidados de higiene no chuveiro". Será isto o cerne da enfermagem? Será que é necessário um profissional licenciado para mudar uma fralda, levar a comida á boca ou levar ao chuveiro QUALQUER doente? Para terminar, porque é preciso gostar de ser enfermeiro para se ser "bom enfermeiro" e não é preciso gostar para se ser bom professor? Somos uma profissão baseada na ciência ou nos sentimentos?