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13 julho, 2012

A greve de década



...fazer o rescaldo daquela que me parece ter sido a greve mais mediática dos últimos tempos - a greve geral dos médicos. A principal razão desta greve parece-me ser claramente a pretensão da demissão do ministro da saúde, para ir para o seu lugar (mais) um médico e assim terem tudo o que querem, como tem sido regra até agora, daí só agora terem feito greve (em 25 anos!) e sem disponibilidade para negociações antes desta, mesmo perante cedências do ministro. A outra razão serão as condições laborais/salariais; mesmo com o país falido, onde (quase) toda a gente tem de se sacrificar, correndo grandes riscos de ir parar ao desemprego, os médicos decidiram fazer greve porque nas suas horas extra diminuíram de 80 (!!!) para 30€/h (só???). O privilégio desta classe não é segredo nenhum e nem adianta disfarçá-lo, só a certeza de emprego seguro aquando da finalização do curso vale o que vale, mas os inúmeros privilégios não começam só aqui e acabam bem longe. 

Gostei da intenção dos médicos de fazerem os utentes acreditarem que não valia a pena deslocarem-se ás instituições de saúde porque estas não estariam a funcionar (a saúde são médicos, só!) e ainda gostei mais da conivência de alguns enfermeiros que cancelaram as consultas de enfermagem por estas não fazerem sentido sem haver consultas médicas (depois não se podem queixar muito dos 7€/h ou mesmo dos 4); recordo-me de na última greve dos enfermeiros os médicos terem tirado o estetoscópio do pescoço e se terem armado em enfermeiros, furando a greve por pena dos doentinhos (essa desta vez esfumou-se).

A minha última reflexão vai para os serviços mínimos assegurados. Chegou a hora de fazer contas... no meu serviço, turno da manhã:
  - enfermeiros: dia normal, 20; dia de greve, 12 - mínimos: 60%
  - médicos: dia normal, 16 (80 contando com os internos); dia de greve, 1 - mínimos: 6% / 1%
Que conclusões se podem tirar destes números, e destas, quais as acertadas?
Porque é que só são precisos 1 - 6%  dos médicos para realizar os serviços mínimos, quando são precisos 10 - 60 vezes mais enfermeiros? Será que 60% daquilo que os enfermeiros fazem é o mínimo indispensável, enquanto que 94 - 99% do trabalho dos médicos é perfeitamente dispensável? Será que os enfermeiros são assim tão mais eficientes que os médicos? Se alguém conseguir tirar mais alguma conclusão, esteja à vontade para a publicar...



11 dezembro, 2011

This one's 4 U!


...(d)escrever uma reflexão tida no Water Closet... Quanto mais falsas são as pessoas, menos eu gosto delas. Sim, já tinha falado disso anteriormente, mas é uma coisa que me irrita deveras e estão sempre a aparecer no meu caminho pessoas destas. Felizmente tenho (a julgar pelo histórico) um boa capacidade para avaliar rapidamente as pessoas e detetar uma pessoa falsa, pelo que assim estas têm azar pois não vou nas suas cantigas, nos elogios, nas falinhas mansas, nos presentinhos e não hesito em demonstrar que "já te topei, vai bater a outra porta". É no entanto engraçado como a maioria das pessoas se deixa levar nestas conversas e nestes presentinhos (envenenados) oferecidos àqueles de quem querem a confiança para daí obterem benefícios. Começam por se mostrar muito humildes e simpáticas com toda a gente, até terem conseguido avaliar quem lhes interessa ludibriar e depois então põem as garras de fora e mostram o seu carácter, mas conseguindo enganar muitas pessoas, pessoas que se julgam muito espertas, mas que acabam por não resistir a tanta adulação e quando dão conta que caíram na teia, é tarde demais. Só é pena não haver um autoclismo que se possa "puxar" para mandar estes excrementos sociais pelo cano abaixo.

07 setembro, 2011

E tudo o vento levou...

 

...demonstrar a nossa ignorância. Um turno inteiro, cerca de 7 horas de esforços para fazer boa figura, para se superiorizar ao colega que assiste calado ás manifestações de egocentrismo, de auto-bajulação, de indiretas (ás vezes bastantes diretas). Tão boa figura faz a colega que critica o trabalho dos outros e eleva as suas ações ao expoente máximo da enfermagem, que ensina o que é enfermagem ao colega que deve estar calado com vergonha de trabalhar modestamente ao lado de alguém tão competente, tão capaz, uma verdadeira artista do cuidar. Tanto tempo gasto, tanto esforço para nada... foi tudo por água abaixo em menos de 1 minuto, no minuto em que o colega calado decidiu abrir a boca, no momento em que tomar uma decisão importante para os cuidados de enfermagem foi preciso e a colega que até então se tinha em tão boa conta teve de se resignar à sua burrice, à insignificância das suas rotinas gastas e ineficientes, tendo poucos argumentos para se defender por saber que contra factos (científicos) não há argumentos. A colega aprendeu a falar menos e teve de aturar o resto do turno o silêncio do colega que a partir daí passou a soar a "vai buscar!"

12 agosto, 2011

É hoje!


...interessar-se (também) por astronomia. Hoje é um óptimo dia para fazerem uma coisa... sobretudo aqueles que se sentem os maiores, aqueles que acham que têm muito, ou que conseguiram muito, que são importantes, que são grandes... ao anoitecer dirijam-se para um sítio longe da cidade e da sua poluição luminosa (e já agora de todas as outras formas de poluição urbana), levem material que lhes permita deitarem-se no chão e roupa que os agasalhe minimamente. Ao chegarem ao sítio, dêem cerca de 10 minutos aos vossos olhos para permitir que as pupilas se dilatem, a rodopsina se regenere e a retina se ajuste de modo a disponibilizar mais bastonetes, depois deitem-se no chão e olhem para cima, para o firmamento e contemplem as centenas de estrelas que por certo conseguirão observar, e pensem no tamanho do Universo, comparem-no com o da Terra, com o do vosso país, da vossa cidade, da vossa casa, o vosso e não tenham medo por se sentirem tão pequenos, tão insignificantes, pois neste Universo infinitamente grande, é assim que vocês são. Enquanto estiverem absortos comtemplando a abóboda celeste, aproveitem para olhar na direção de Perseus, pois hoje é o pico das Perséiades e afinal de contas não é todos os dias que podem observar um fenómeno da Natureza tão fascinante, que ocorre pelo menos há 2 mil anos, independentemente de vocês ou de qualquer outra pessoa e que vão continuar a ocorrer anualmente mesmo depois de vocês desapareceram e serem esquecidos pelo tempo. Aproveitem o dia de hoje portanto, para caírem na realidade, para terem a real percepção de vocês mesmos e do vosso lugar no Universo.

"Apenas duas coisas no Universo são infinitas: o próprio Universo e a ignorância dos homens."
 Albert Einstein

20 julho, 2011

CSI



...encaixar provavelmente em certos "perfis típicos". Alguém adivinha (sem consultar a fonte nem pesquisar no google) de que é este perfil típico? Será de um enfermeiro?

"Perfil típico de um (?)

    
    Os (?) normalmente não se imitam uns aos outros. Mas por qualquer motivo, o modo de agir é idêntico, como se todos fossem geneticamente iguais ou criados num mesmo ambiente

 Aparência Geral
    Inteligente. Intenso. Abstraido. Surprendentemente, para uma profissão que é sedentaria, a maioria dos (?) tende a ser magra; ambos os extremos são mais comuns que em qualquer outro lugar. Os bronzeados são raros.

 Forma de vestir
    Casual, vagamente pós-hippie; t-shirts, jeans, ténis, sandálias ou pés descalços. Cabelo comprido, barbas e bigodes são comuns. Alta incidência de t-shirts com “slogans” (tipo "vai ao cinema mas não me chames").
      Uma minoria substâncial prefere roupas “de camping”: coletes e calças militares e de campismo, etc.
    Os (?) vestem-se para o conforto, a funcionalidade e para terem o mínimo de manutenção, pecando na aparência (alguns levam isso a sério e negligênciam a higiene pessoal). Os (?) têm um índice de tolerância baixo a roupas de "negocios"; e até é comum eles largarem um emprego para não usarem roupa formal. (?) do sexo feminino tendem a nunca usar maquilhagem visivel. A maioria não usa.

 Hábitos de leitura
    Normalmente com grandes quantidades de ciência e ficção cientifica. Qualquer coisa como “American Scientific”, “Super Interessante”, "Science & Vie", etc.
    Os (?) normalmente têm uma capacidade de leitura de coisas tão diferentes que impressionam pessoas de vários géneros. Têm porém a tendência de não comentar muito isso. Muitos (?) gastam a ler o que outros gastam a assistir TV e têm sempre estantes e estantes de livros selecionados em casa.

 Outros interesses
    Alguns hobbies são bastante partilhados e reconhecidos como tendo a haver com a cultura: ficção cientifica, musica, medievalismo (na forma activa praticada por Grupos que se isolam da sociedade e organizações similares) xadrez, gamão, jogos de guerra e jogos intelectuais de todos os tipos. (os RPGs eram muito difundidos até começarem a ser explorados pela massa). Há muitos (?) que praticam rádio amadorismo e outros que se dedicam a construir robots e máquinas electrónicas, empregando tecnologia muito avançada na sua construção.

 Actividade física ou desportos
    Muitos não seguem nenhum desporto e são anti-exercício. Aqueles que fazem, não curtem ficar a ver os outros fazer, como espectadores. Para os (?) o desporto é algo que se faz e não algo que se vê os outros fazer. Também evitam desportos de grupo como se fossem a peste, com possivel excepção de voleibol. Os desportos desse tipo são, quase sempre, aqueles que envolvem competição individual e auto-superação, concentração, força interior, e capacidades motoras como: as artes marciais, andar de bicicleta, corrida de karts ou automóveis, escalagem, aviação, tiro ao alvo, navegar, esquiar, andar de skate, snowboard, etc.

 Educação
    Quase todos os (?), acima da adolescência, são portadores de diploma ou educados até um nivel equivalente. O (?) que aprendeu sozinho é sempre considerado (pelo menos para os outros (?)) como mais motivado, e pode ser mais respeitado que o seu equivalente com o canudo. As áreas incluem (além da obvia ciência de computação e engenharia electrónica) a fisica, a matemática, as linguas e a filosofia.

 Coisas que os (?)detestam e evitam
    Mainframes da IBM. Burocracias. Gente estúpida. Música fácil de ouvir (música barata e comercial, etc.). Televisão (excepto pelo velho "Star Trek" e os "Simpsons"). Desonestidade. Incompetência. Tédio. COBOL. BASIC. Interfaces não gráficas.
   
 Religião
    Agnóstica. Ateista. Judeu não praticante. Neo-pagão. Mais comum, três ou quatro desses aspectos combinados. Crentes sâo muito raros mas não desconhecidos."


02 julho, 2011

Obrigado, mas prefiro monopólio


...entrar em jogos mesmo sem querer. Vai entrar um doente totalmente dependente (regras de jogo):
1.Tenho mais doentes - "ah e tal porque é dependente e a tua enfermaria tem menos dependentes, é melhor ir para lá... eu depois ajuda-te a dar a entrada"
2.Tenho menos doentes - "tem de ir para a tua enfermaria porque tens menos doentes"
3.Mesmo número de doentes (os teus mais dependentes) - "vai para a tua enfermaria que está melhor"
4.Mesmo número de doentes (os meus mais dependentes) - "vai para a tua enfermaria... olha, nem reparei que estava mais pesada que a minha"
5.[Esta já é para especialistas] Tenho mais doentes e mais dependentes: "olha, pus o doente na tua enfermaria porque vai haver mais altas lá e depois fica muito vazia" ou -"é melhor ir para a tua enfermaria porque na minha os doentes têm mais pensos" ou ainda -"é melhor ir para a tua enfermaria porque tenho um doente a descompensar"... aqui, depende da imaginação criativa do "jogador"...
Isto é só mais um daqueles joguinhos em que entramos e muitas vezes nem nos apercebemos, tudo para não ter o trabalho de fazer a admissão do doente e este é só mais um no meio de tantos outros, para se beneficiar a si próprio pisando nos outros. Sinceramente estou um bocado farto destes jogos, de andar sempre a ver o que está por detrás das ações dos colegas, porque infelizmente parece haver sempre uma segunda intenção.

22 junho, 2011

Politologia


... questionar o inquestionável. Os ministros foram apresentados, são pessoas aparentemente competentes com um currículo respeitável e obra feita, mas no meio disto tudo há um problema, um grande problema... para chegar ao lugar que ocupam e para se manter lá, precisam dos votos das pessoas e infelizmente toda a gente pode votar e o voto daquele que procura eleger a pessoa mais competente para governar o país, vale tanto como o voto daquele com interesses mais mesquinhos, mais obscuros, que não se importa de trocar o bem do país e de todos os seus habitantes pelo seu bem individual, por "um tacho", por uma benesse ou apenas por querer que ganhe o seu partido da mesma maneira que quer que ganhe o seu clube de futebol. Sim, eu estou a questionar se o direito de sufrágio devia ser universal, mesmo sabendo que muita gente me chacinaria por isso enquanto me falavam interminavelmente do 25 de Abril. Será que toda a gente tem capacidade reflexiva para acompanhar os conflitos sociais, económicos, jurídicos e filosóficos que o Estado enfrenta e escolher as pessoas mais capazes para o cargo? Será que que todos os eleitores colocam a defesa da sua sociedade e espécie acima do seu bem-estar e sobrevivência? Eu acredito que a resposta a todas estas perguntas, sobretudo em Portugal é um redondo "não"! A consequência disto é que os políticos, que precisam dos votos, têm de ir de encontro à maioria da vontade dos eleitores, sendo que esta nem sempre passa pelo rigor, pela transparência e pela competência. Os eleitores preferem muitas vezes uma mentira bonita a uma verdade feia, preferem um bom marketing a uma transparência, preferem gastar enquanto há do que poupar para o que virá, dizem que estão contra "os tachos", mas todos os querem e se não se houver "jobs for the boys", não há "boys" e não há portanto quem angarie votos. É isto que leva a que se deixe o país na quase bancarrota, para se conseguir os votos que nos permitem ficar lá mais uns anitos, é por isso que se dizem tantas mentiras na política mesmo sabendo que mais tarde ou mais cedo acabam por ser desmascaradas, é por isso que eu suspeito do sucesso (político) deste governo, apesar de estar muito confiante no seu sucesso na recuperação económica (e até social) do país.
E por isso questiono o sufrágio universal e acredito que no futuro este venha a dar lugar a um sufrágio restrito, confirmando a visão de Heinlein em "Starship Troopers".

29 maio, 2011

Σωκράτης


...não votar no PS de José Sócrates. Podia até dizer que não compreendo como há quem vote numa pessoa tão inadequada para o cargo a que se candidata, mas até percebo. Parte dos 60 MM euros estourados serviram para comprar votos; há muita gente à boa vida a viver de subsídios, pagos com o dinheiro dos trabalhadores, dos contribuintes, há muitos boys com bons empregos (pouco trabalho e muito dinheiro), há ainda os homossexuais (há quem fale em lobby gay) que agora se podem casar, há as mulheres que passaram a usar o aborto como "método contraceptivo", há alguns mais crentes quem acreditam que se pode continuar a viver gastando mais do que o que se tem, há quem assimile o medo que Sócrates incute nos portugueses relativamente a tudo e todos (menos a ele), há quem goste de fazer a escolaridade sem por os pés numa escola, quem goste de ser um doutor burro e desempregado, há quem seja partidarista e vote sempre no mesmo partido, independentemente de quem seja o seu candidato, há quem prefira uma boa mentira do que uma má verdade.
Não gostam de nenhum dos outros candidatos/partidos? Não votem em ninguém, votem em branco, votem em todos simultaneamente, façam tudo menos votar em quem tem tem conduzido o país para o abismo e que pelos crimes económicos cometidos devia ser julgado. Tendo em conta o ritmo a que desperdiça dinheiro, de quanto tempo precisará para gastar os quase 78 MM Euros emprestados? Os tais que iam ser conseguidos com o PEC IV (como?!)... José Sócrates jamais conseguirá cumprir os compromissos assumidos com a "troika", tal não está sequer previsto no seu programa eleitoral (ou melhor, folheto publicitário), nunca agiu de forma séria e não vai mudar agora de repente; adiou até ao último momento o pedido de ajuda externa, mentindo aos portugueses enquanto prejudicava exponencialmente a economia do país, agravando a recuperação só para se poder manter no poder mais algum tempo. Não votem em quem brincava aos TGV's e aos aeroportos mesmo com a dívida astronómica que contraiu, em quem sempre esteve envolvido numa série de escândalos mais ou menos abafados, desde a sua licenciatura tirada ao Domingo até ao Freeport e muito mais, em quem promoveu um ambiente de censura... "quem não é por mim é contra mim!". E os enfermeiros, tão prejudicados por este governo, sobretudo enquanto funcionários públicos, pelo menos considerados como tal nos deveres, não têm nenhuma razão para nutrir a mínima simpatia pelo mesmo, não podem continuar nesta situação de bode expiatório, não podem continuar a trabalhar cada vez mais e a descontar cada vez mais (ganhando cada vez menos) para pagar a boa vida dos que não querem trabalhar. Não pretendo dizer-lhes em quem devem votar, pretendo apenas manifestar a minha opinião e ao mesmo tempo alertar os mais desantentos, os que se deixaram entorpecer pela eficaz super-máquina de marketing socialista, para não correr o risco de ver este país na bancarrota, para que eu, os meus filhos e os meus netos não tenhamos de pagar a factura da desmedida sede de poder de  um incompetente, mentiroso e ainda por cima cínico. Não tenho nada a ganhar em particular com os vossos votos, mas posso ter muito a perder (todos nós!).
Sócrates, nunca mais!

"O socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros."
(Margaret Thatcher)

02 março, 2011

Penso, logo existo


...tomar noção de si próprio. Na enfermaria, duas enfermeiras discutem sobre lençóis, qual a melhor técnica para os dobrar e afins, numa outra, estagiários de enfermagem empolgam-se pela possibilidade de poderem observar um procedimento médico (efetuado por um médico), ao mesmo tempo, os médicos reúnem-se na sua sala para discutir sobre a melhor maneira de curar as doenças dos seus doentes, entro no elevador e dois delegados de informação médica trocam números de telemóvel de médicos "é que ela é das mais importantes e tenho de a avisar que o horário do voo foi alterado", empregadas da limpeza sonham em voz alta o que fariam se lhes saísse o Euromilhões enquanto esfregam o chão, o administrador passa no corredor em passo apressado e com ar pensativo, em que pensará? Numa medida que pode afetar a vida de milhares de pessoas? E enquanto eu observo isto, numa atitude socrática, penso: o que estão os outros 7 biliões de pessoas a fazer? Haverá com certeza engenheiros a preparar o futuro, aquele de que nós só vamos tomar conhecimento daqui a muito tempo, ou mesmo nunca, haverá professores  a ensinar futuros enfermeiros, médicos e engenheiros, a abrir-lhes as mentes para o mundo do conhecimento, do pensamento, da existência; haverá cientistas prestes a descobrir coisas que nós nem imaginamos, a inventar coisas que num futuro não tão longínquo nos poderão fácil e eficazmente substituir depois de devidamente desenvolvidas pelos engenheiros; haverá lideres mundiais prestes a tomar decisões capazes de mudar o mundo e a história, haverá terroristas prestes a mudar o mundo de algumas pessoas; haverá soldados a lutar por ideais e ideias que não são deles; haverá pessoas a tentar bater recordes mundiais; haverá pessoas a transaccionar dinheiro em quantidades para nós inimagináveis, apesar de também ser nosso, e ganhando muito com isso... enfim, o que fazemos nós enquanto isso? Estamos a contribuir para mudar o mundo ou pelo menos o mundo de alguém, ou somos meros peões? 
Ás vezes dá-me para isto...

14 fevereiro, 2011

Ditadura na saúde


...referir-se a um assunto, não tanto como enfermeiro, mas mais como utente/cliente, pois acho que as "relações interdependentes" (como p.ex. limpar o suor da testa ao cirurgião), podiam e deviam tender para a extinção, mas sobre isto estou a pensar referir-me noutro post. A prescrição por DCI volta a estar "na berlinda" e os mais importantes de todo o processo (os utentes) ficam a ver passar "a berlinda" sem poderem fazer nada. Confesso que fico um pouco chocado (neste país já começa a ser difícil haver algo que me choque muito) ao ver a insolência com que os médicos se assumem como ditadores na saúde (ou melhor, na doença) dos seus utentes/doentes e mais que isso, na carteira dos mesmos. Assim de repente "só" me surgem muitas perguntas em que a resposta pouco terá a ver com a "defesa dos doentes":
-No curso de medicina, aprendem a prescrever substâncias ativas ou marcas?
-Ainda que diferentes marcas possam ter efeitos terapêuticos diferentes, como sabem os médicos quais são os melhores? Experimentam-nos neles, fazem dos doentes cobaias, ou acreditam no Pai-Natal (leia-se delegado de informação médica)?
-A quem cabe avaliar a qualidade dos medicamentos à venda no mercado português? À Ordem dos Médicos ou ao Infarmed? Quem tem a competência e capacidade técnica para tal e quem tem uma opinião corporativa e baseada em mitos?
-Se no internamento prescrevem por principio ativo, porque não o fazem em ambulatório, prescrevendo normalmente uma marca diferente daquela na qual confiaram durante o internamento e que melhorou o doente?
-Porque é que a opinião do bastonário da OM é sempre coincidente com a da indústria farmacêutica e sempre com preocupações mais industriais que científicas?
O nosso Presidente (da República) que percebe imenso de medicina, vetou o diploma, zelando pela saúde dos doentes, para que estes não andem por aí a tomar medicamentos baratos (o que não é nada chic) e como não têm dinheiro para os de marca, não tomam medicamentos, pelo que da cura já não morrem, morrerão da doença?
A Indústria Farmacêutica (e seu representante mais ativo, i.e. Bastonário da OM) congratulou-se com esta decisão (porque será) e até disse que assim foram salvos cerca de 1000 postos de trabalho (pagos com o dinheiro de quem?); resta saber se neste número estão incluidos os empregos relativos ao "turismo médico", negócio de LCDs/LEDs, smartphones e afins, sim, porque se para a opinião pública as prendinhas dos delegados de informação médica se calhar são só rumores, ajudada pela rapidez com que as denúncias fundamentadas/factuais destas situações são abafadas na comunicação social, quem como nós sabe a realidade (ou pelo menos parte dela), não pode deixar de sentir revolta por este sistema mafioso. A marca serve apenas para proteger o mercado e consequentemente o preço do medicamento após a caducidade das patentes (período após o qual começam a aparecer os genéricos), mas isto pouco interessa ao doente (e ao Estado), pelos vistos só interessa aos médicos (e à indústria farmacêutica). O doente, que compra o medicamento e que o vai tomar é que é lógica e racionalmente quem decide a marca, após o aconselhamento com o seu médico e com o farmacêutico (que por sinal percebe mais de farmacologia que o médico), de acordo com as suas possibilidades monetárias, numa decisão livre, informada e responsável. Ainda gostava de ver a reação de um médico se na próxima vez que fosse ás compras e quisesse comprar por exemplo leite, estivesse lá um nutricionista para o obrigar a comprar leite de determinada marca, uma vez que ele percebe mais de leites do que o médico. Situações ridículas num pais ridículo, onde os médicos nem precisavam de se preocupar tanto com esta situação, uma vez que para a maioria do portuguesinho, aquilo que o sr. dr. médico disser é lei. Coroam-nos e não querem que reinem?

03 dezembro, 2010

Vencer a resistência do consciente


...conviver todos os dias com as mesmas coisas e por vezes não pensar em todos os significados das mesmas. As coisas e as situações por vezes passam uma espécie de mensagem subliminar que nós nem sempre reparamos. Começo pela farda... porque se usa a farda? "Para fazer a distinção dos profissionais... porque é prático..."; só por isso? Porque é que nalgumas escolas as crianças têm de usar farda? Para não se confundirem com... os professores?! A farda também serve para uniformizar todas as pessoas que a usem. Todos os enfermeiros, usando a farda são uniformizados; a partir do momento em que despem a roupa "da rua" e vestem a farda, perdem a sua individualidade, ficando "todos iguais". Os médicos e outros profissionais que usam bata, não perdem a sua individualidade, usam uma bata (de preferência aberta), mantendo a sua roupa própria que os diferencia, que não lhes retira a sua individualidade. As enfermeiras são incentivadas a nem sequer usarem maquilhagem nem qualquer adorno e manter o cabelo preso, igual em todas, retirando qualquer possibilidade de expressão individual (porque é que "as das batas" fazem quase sempre o oposto?); resta-nos o calçado e as meias, que é usado por alguns da maneira mais criativa possível, como manifestação da sua individualidade e diferenciação dos demais colegas. E a mania dos médicos usarem o estetoscópio (que os identifica) à volta do pescoço? Qual a simbologia, que mensagem transmite? Passa a mensagem que o médico ouve o que mais ninguém consegue ouvir; mas o médico também consegue ver o que mais ninguém consegue ver, pois usa otoscópios e quadros brancos para visualizar radiografias, sendo instrumentos que socialmente também o identificam. Que instrumentos identificam os enfermeiros?  Para terminar, só mais uma reflexão... os doentes usam campainhas para chamar pelos enfermeiros... quem mais é chamado por campainhas? Os empregados, os criados, certo? Muitas mais coisas na nossa profissão são merecedoras de uma reflexão sobre a mensagem que passam, pois nada é feito/decidido ao acaso e existe muita gente ciente da importância desta mensagem subliminar, da simbologia das coisas, da imagem social e que a sabe usar em seu proveito; infelizmente os enfermeiros não estão incluídos neste grupo e só sabem queixar-se posteriormente da falta de reconhecimento social, sem pensar nas causas da mesma. Por vezes devíamos parar um pouco e refletir nos vários significados das coisas, nas mensagens que passamos, ver para além do óbvio e do concreto; a profissão estaria certamente melhor.

18 outubro, 2010

Realidade Virtual


...ficar seriamente irritado. Fico mesmo com os nervos em franja com aqueles profissionais com quem (infelizmente) temos de lidar diariamente no trabalho que estão completamente alheados da realidade, sobretudo quando também são enfermeiros e que exercem funções dispensáveis, cargos criados para aqueles que ficaram sem nada que fazer quando extinguiram os anteriores cargos por serem dispensáveis (um ciclo viciosa à "tuga"). São aqueles indivíduos que vivem num outro mundo, numa realidade perfeita mas inexistente, penso que não seja por não conhecerem a verdadeira realidade, mas porque não a querem conhecer e porque não têm de a conhecer, já que ocupam sempre umas funções (leia-se "tachos") onde trabalhando (termo figurado) fisicamente distante acabam por não saber as condições de trabalho, as limitações e os sacrifícios de quem realmente trabalha e com o maior dos moralismos mandam palpites e tecem criticas sobre o nosso trabalho, como se tivéssemos o mesmo tempo e as mesmas condições que eles. Quando isso acontece, no mínimo tenho vontade de os obrigar a calçar umas luvas e fazerem tudo o que ainda está por fazer enquanto eu vou comer qualquer coisa, já que não entra nada no meu estômago há largas horas; depois de terem tudo feito, gostava de saber se ainda continuam a achar que "seria melhor fazer isto ou aquilo"; quando o tempo mal chega para o essencial, o que fazer a quem sugere que devíamos investir mais em coisas de menor importância? Já que aparentemente no nosso miserável país não se pode viver sem os "jobs for the boys", pelo menos devia-se envolver os "boys" no verdadeiro trabalho, criando interacções com todos os profissionais que lhes permitissem ter uma noção no mínimo aproximada da realidade; se nem isto for possível, então, pelo menos, que fiquem no seu canto ideal e não venham incomodar quem já trabalha mais do que o que é aparentemente possível.

05 agosto, 2010

Todos diferentes todos iguais


...ser menor do que os iguais. Os humanos são todos iguais na sua essência, basicamente com as mesmas fraquezas, os mesmos receios, a mesma composição. Existe no entanto muita gente que não pensa nisso e se acha maior que uma microscópica poeira no meio do infinito Universo, mas não o são e esta visão egocêntrica não manifesta mais do que a ignorância dos mesmos, relativamente ao que são e ao que os rodeia. São pessoas que, talvez tentando disfarçar a sua fraqueza interior se aproveitam do seu estatuto por exemplo nos locais de trabalho e exercem opressão sobre os que lhe são hierarquicamente inferiores, abusam do poder e fazem ameaças, desconhecem as regras da boa educação e viram as costas deixando as pessoas a falar sozinhas; e quando saírem para o exterior e tirarem aquela máscara? Será que também vão ter coragem de virar as costas sabendo que no mundo exterior já não são mais fortes? Quando se virem numa situação de crise, acidental ou intencionalmente criada, também viram a cara aos que eram mais fracos mas nesta situação são mais fortes? Se calhar deviam pensar nisto, pois nunca sabemos o que o destino nos reserva e quem o pode moldar de variadas formas, mesmo aqueles que pensamos ser mais fracos e a quem viramos as costas ignorando o risco de sermos "apunhalados pelas costas".

01 março, 2010

Tempo é dinheiro



...subvalorizar-se. Daquilo que eu constato no meu dia-a-dia, os enfermeiros tendem a dar pouco valor ao seu tempo e ao seu trabalho e se nós não dermos valor, quem dará? Um exemplo daquilo a que eu me estou a referir é a disponibilidade exagerada dos enfermeiros para tudo e mais alguma coisa. Observo com frequência um colega estar ocupado com qualquer tarefa e deixar o que está a fazer para ir falar com um familiar de um doente que está ao telefone, ou para ir ajudar o médico a fazer alguma coisa (não urgente). O que quem está do outro lado pensa é que ou o enfermeiro não estava a fazer nada, ou estava a fazer algo sem importância. Pergunto-me é se quem está deste lado (os próprios enfermeiros) pensarão o mesmo, o que seria a meu ver, grave. Outro exemplo é a disponibilidade dos enfermeiros aquando do planeamento de alguma actividade como ensinos ao cuidador. O cuidador é quem costuma marcar o dia e a hora e o enfermeiro está sempre disponível, adaptando todo o seu trabalho posteriormente; mais uma vez, será que o enfermeiro costuma estar sempre sem fazer nada? Há uns dias atrás fui a uma consulta médica privada, paga a peso de ouro como costume, e mesmo assim tive de esperar uns dias pela mesma e no dia, ainda tive de esperar uns largos minutos para ser atendido (depois da hora previamente marcada). Como já disse anteriormente, não basta fazer as coisas, é preciso mostrar que fazemos as coisas e que as fazemos bem, que temos muitas tarefas, muita responsabilidade, e consequentemente muito valor; assim não precisávamos de greves e manifestações para o demonstrar.

21 fevereiro, 2010

Momento musical


...ser "banhista". Serve o seguinte post para opinar sobre a importância dos banhos ou dos "cuidados de higiene e conforto", que tanta é para alguns enfermeiros. Para muitos, o banho é um importante momento para fazer tudo e mais alguma coisa... mas o enfermeiro não está 24 horas com o doente? Para mim há cuidados de higiene susceptíveis de serem executados obrigatoriamente por enfermeiros, há cuidados de higiene susceptíveis de serem supervisionados obrigatoriamente por enfermeiros e há cuidados de higienes susceptíveis de serem executados por qualquer pessoa. A grande maioria dos cuidados de higiene a dependentes são executados por não enfermeiros, mas quando chegam ao hospital passam a ser uma técnica espantosa e espectacularmente diferenciada da enfermagem. Quando um enfermeiro ensina um cuidador informal, ensina a dar banho ou ensina cuidados de higiene e conforto? O cuidador informal passa a ser enfermeiro na arte do banho? Para quem julga que os enfermeiros têm o controlo sobre os cuidados de higiene neste país, como técnica própria de enfermagem, saibam que há fisioterapeutas e outros profissionais da área como terapeutas ocupacionais, formados em geriatria a ensinarem cuidados de higiene (os aspectos mais técnicos como vestir e despir o doente com AVC, os cremes a utilizar, as massagens…). Porque se preocupam tanto que nos possam tirar os preciosos cuidados de higiene e a optimização da fralda? Nem os auxiliares ou assistentes operacionais os querem! Não se preocupam com os injectáveis que já foram para os farmacêuticos, com a reabilitação que já foi para os fisioterapeutas/fisiatras, com as colheitas de sangue que vão para os técnicos, com a enfermagem obstétrica que vai para as doulas, com a emergência pré-hospitalar que vai para os "tais TAE's", com técnicas de enfermagem que os médicos começam a querer usurpar... logo que possamos continuar de esponja na mão a lavar doentes e mudar fraldas, ninguém nos tira a dignidade!  Este assunto faz-me lembrar um tema da "música ligeira portuguesa" (ou "pimba"), mas com uma letra adaptada assim:

Podes ficar com os injectáveis, a EPH e a reabilitação
Mas não fiques com os banhos.
E até as colheitas de sangue, e a entubação,
Mas não fiques com o cocó.
Podes ficar com as grávidas e dizer que eu não presto,
Mas não fiques com o vómito.
Tira-me todas as técnicas, e o mais que consigas,
Mas não fiques com a relação de ajuda holística.

16 fevereiro, 2010

Olha a postura


...saber estar. Durante o tempo de curso, sobretudo em alturas de estágio, fui constantemente atormentado pelo "saber estar... saber ser", pela "postura" e penso que isto seja generalizado no nosso país. Com "postura", referiam-se certamente ao modo como nos comportamos, à nossa conduta durante o trabalho, perante os doentes e os outros profissionais, e já agora, perante os colegas. Na altura achava isto da "postura" um bocado ridículo... e contínuo a achar! Ridículo pela maneira como era abordado pelos nossos professores: "o cabelo tem de estar bem preso, nem um fio de cabelo solto no meio da testa... durante a passagem de turno e nas enfermarias, nada de estar encostado a nada ou com as mãos nos bolsos...". Depois incutiam-nos comportamento perante o doente de "ajuda... carinho... atenção... simpatia... ser prestável", e de maneira mais dissimulada, "servidão, escravidão, submissão e vassalagem" perante o doente, que "tem sempre razão" e "cujos desejos deverão ser as nossas ordens, pois estamos ali para o servir e sempre com um sorriso nos lábios", é a badalada "relação de ajuda" que a mim sempre me meteu alguma confusão, ainda não compreendi se pelo que é ou por aquilo que fazem dela. A verdade é que a "postura" é importante, em qualquer profissão e precisa realmente de ser melhorada nos enfermeiros onde existem muitas falhas que contribuem para uma imagem negativa da profissão. Contra mim falarei, mas quão comum não é os enfermeiros estarem numa enfermaria a discutir assuntos pessoais perante os doentes ou a contarem piadas, entre si ou com os doentes e já agora, na presença de outros profissionais? É isso comum noutros profissionais? Qual é a abordagem por exemplo dos médicos aos doentes? Contam-lhes o que almoçaram ou assumem uma atitude séria para serem levados a sério? Porque é que é visto como uma piada os cirurgiões agirem desta forma (descontraída/relaxada) durante uma cirurgia? Será que o nosso trabalho não é sério, rigoroso e exige concentração? Penso que devemos adoptar uma "postura séria" perante os outros para sermos levados a sério, para valorizarmos o nosso trabalho e mantermos alguma autoridade. Se pensarmos bem, quem nos atende com extrema simpatia é quem mais nos quer enganar. Os vendedores, sobretudo os "da banha da cobra" são de uma extrema simpatia. Já abordei a questão da simpatia e suas consequências anteriormente, acabando este post por ser um complemento do mesmo, mas surgindo por razões diferentes. A nossa imagem social é em grande parte construída por nós mesmos e será do nosso maior interesse sermos levados a sério por toda a gente para que ninguém tenha dúvidas de quando estamos "a brincar" ou "a sério" e assim nos darem a importância que precisamos por vezes e merecemos sempre.

07 fevereiro, 2010

A outra face da inveja


...ser invejado. Porquê? Por incrível que pareça, por ser uma classe trabalhadora, por trabalhar em mais que um sítio, por trabalhar mais horas que as outras pessoas. Farto de tanto ouvir falar nas "acumulações dos enfermeiros" (sobretudo nestas alturas de greves e manifestações) e esclarecendo desde já que eu só trabalho num sítio, 40 horas semanais (não me importava nada de trabalhar só 35), vou expor aqui a cegueira induzida pela inveja de muitas pessoas. Eu trabalho só num sítio, não por falta de oportunidades, mas porque para mim é mais fácil poupar o dinheiro do que ganhá-lo, mas tenho vários colegas a acumularem funções em vários sítios. Porque têm esta tendência os enfermeiros? por quererem levar um nível de vida superior ao que o seu ordenado permite? Para exibir um status sócio-económico à altura daquilo que a sociedade projecta? Para a maioria das pessoas, os enfermeiros ganham muito dinheiro, pelo que o base de €1020 revelado nesta fase de luta foi uma grande surpresa para a maioria das pessoas. Porque "os colegas também fazem"? Não sei, mas poderia-se fazer um trabalho de investigação sobre o assunto (como eu já referi anteriormente, para os psicólogos, sociólogos ou semelhantes, não para os enfermeiros investigarem). Já agora, investiguem também porque gera tanta inveja que os enfermeiros se sujeitem a trabalhar tanto, se o esforço é deles, se não roubam nada a ninguém, se trabalhar não é nenhuma regalia. Antes de virem falar de atitudes diferentes no público/privado, lembrem-se que é exigido o mesmo nos dois sectores e toda a gente sabe como reclamar de maus profissionais/falta de profissionalismo. E aqueles que têm tanta inveja, porque não arranjam eles também um segundo ou terceiro emprego? Conheço enfermeiros a acumular funções no Lidl... a arrumar prateleiras durante a noite, a acumular funções como empregadas de limpeza... concorrem a estes lugares em igualdade de circunstâncias. E para os que se admirarem com isto, pensem bem: nestes cargos, conseguem ganhar tanto ou mais (actualmente) que a trabalhar como enfermeiros num privado e têm (muito) menos responsabilidades, menos riscos laborais, provavelmente menos esforço físico e sem dúvida menos esforço mental e nem o estatuto varia assim tanto actualmente. Só para terminar, refiro outra coisa "comichosa", que parecem ser as "horas extra que os enfermeiros ganham"; é preciso esclarecer as pessoas que estas horas implicam trabalho, implicam trabalhar mais do que o que seria previsto, significa abdicar de horas de descanso, horas com a família, planos previamente feitos... E se acham que o facto de serem remuneradas  a um valor superior compensa isto tudo, digo-lhes que no meu serviço ninguém quer horas extraordinárias, é sempre um sacrifício e na maioria das vezes é preciso sortear quem será o sacrificado. Talvez esses invejosos por aí espalhados queiram vir assegurá-las... depois de assegurarem um turno, acredito piamente que não voltariam a invejar tal sorte.
  
"Inveja-se a riqueza, mas não o trabalho com que ela se granjeia."

14 dezembro, 2009

Fashion & Style



...ter estilo. Penso que seja generalizada a censura das escolas de enfermagem em relação à imagem/estilo dos seus alunos. Na minha escola em particular, em estágio era (e fui) "aconselhado" a cortar o cabelo por "já estar demasiado comprido" ou a cortar a barba, que "devia ser cortada todos os dias". Mais grave ainda era o facto de mesmo durante o tempo de aulas haver uma censura constante e atenta ás roupas e ao estilo dos alunos em geral. Nada de roupas mais extravagantes e um colega foi proibido pela directora de entrar na escola enquanto não mudasse o corte de cabelo (pouco convencional) que tinha feito. Sem me referir sequer aos aspectos legais, que autoridade (moral) tem qualquer professor ou director ou quem quer que seja na escola para me proibir de vestir qualquer roupa ou usar determinado penteado, piercing, tatuagem, de interferir com o meu estilo próprio, a minha identidade (respeitando obviamente o pudor público)? O mais interessante é que estas ideias são incutidas em grande parte dos alunos que depois, enquanto profissionais, acabam por exercer a mesma censura sobre os colegas que ousam afirmar o seu estilo, a sua identidade. Não basta já todos nós termos de usar um uniforme/farda que de estético pouco ou nada tem e cujos objectivos não são certamente conhecidos na totalidade pela maioria dos colegas (este assunto dará origem a um futuro post certamente interessante). Felizmente assistimos cada vez mais a enfermeiros que alheios a esta censura vivem e trabalham com o seu estilo próprio, com todo o tipo de penteados, piercings e tatuagens, como todos os profissionais, uma vez que isto não influencia a qualidade do seu trabalho. A enfermagem já não é (só) praticada por freiras!

20 novembro, 2009

A verdade da mentira



...ser atraiçoado pelos colegas. Dedico este post a todos aqueles enfermeiros que têm tanto de traiçoeiros como de graxistas, ou seja, a um grande número de colegas (pelo menos do meu universo). Já tinha falado anteriormente nesta falsidade que mina a enfermagem e que associei ao elevado número de mulheres na profissão, embora os homens também tendam a seguir o mesmo caminho. Desde sempre lidei com graxistas e pessoas falsas, desde os tempos da escola que reparei que ser graxista dava resultado e agora os colegas de profissão, que talvez por serem enfermeiros (tenho ideia que é uma profissão com pretensão para tal), são do mais graxista e falso que alguma tinha visto. Não importa serem bons profissionais, o que importa é fingirem e iludirem os superiores hierárquicos, com falinhas mansas, acusações de colegas (muitas vezes falsas) e outros métodos tão criativos como asquerosos. A verdade é que por mais imparcial que um chefe tente ser acaba por ser iludido por estas "bailarinas do ventre", que desviam a atenção da sua incompetência e que por vezes são tão boas que conseguem iludir mesmo os colegas que pensam contar com o mesmo apoio que lhes dão e na verdade estão a ser "apunhalados pelas costas" e só dão conta disso muito mais tarde. O que eu só descobri enquanto profissional foi um sub-tipo de graxista/falso, que é já uma refinação do graxista/falso básico, provavelmente especializado após vários anos de lambe-botas, de escovagem, que são os que eu denomino de graxistas-esponja e que absorvem tudo o que os colegas dizem (e fazem) para mais tarde citar (descontextualizadamente) tendo em vista a satisfação das suas próprias pretensões ou simplesmente descredibilizar e rebaixar os colegas perante outros; estas são pessoas cujo discurso, se escrito, estaria sempre entre aspas, nada do que dizem é da sua autoria, não têm ideias nem ideais, usam os dos outros, nunca querem nada (os colegas é que querem), nunca têm críticas fazer aos chefes - são os colegas, e assim vão subindo na vida (raramente chegam a cair), usando os colegas e abusando dos chefes.

O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém. (William Shakespeare)

05 novembro, 2009

Entesar a Enfermagem


...fugir ás suas competências. A Ordem dos Enfermeiros determina como competência do enfermeiro de cuidados gerais o seguinte: "Valoriza a investigação como contributo para o desenvolvimento da enfermagem e como meio para o aperfeiçoamento dos padrões de cuidados" e ainda "Contribui para o desenvolvimento da prática de enfermagem". Agora eu pergunto, quantos trabalhos de investigação e teses (de mestrado e doutoramento) realmente contribuem significativamente para o desenvolvimento da ciência e da prática de enfermagem? Quantos enfermeiros não desenvolvem teses que roçando ao de leve a enfermagem acabam, por investigar as áreas de psicologia, direito, ética, sociologia,  entre outras? Se é verdade que a prática da enfermagem também engloba estas ciências, não é menos verdade que existem profissionais específicos das referidas áreas a desenvolver essas ciências e devíamos portanto desenvolver mais a ciência de enfermagem, como determina a OE. Sendo que a enfermagem tem um carácter muito prático, penso ainda que a investigação devia trazer melhorias ao nível da prática, devia produzir conhecimentos exclusivos dos enfermeiros, devia contribuir para a individualização e imprescindibilidade da enfermagem e dos enfermeiros, que é algo que tanto estamos a precisar e que é decisivo para a afirmação e a evolução da enfermagem portuguesa. Assim, por favor colegas, dirijam os vossos esforços neste sentido e deixem-se de investigar burnouts, crenças dos enfermeiros e afins... Investiguem aquilo que por serem enfermeiros só vocês podem investigar, só vocês conhecem, que diariamente dão conta que necessitava de ser investigado, de ser melhorado e que traria benefícios aos nossos clientes/utentes. Se não estão dispostos a tal então é melhor fazer como eu e não investir na área da investigação. Não invisto nesta área porque não é dado valor a esse investimento, um investimento pessoal de dinheiro, de tempo, de bastante de nós, que depois ninguém reconhece, que ninguém aproveita, ao contrário do que acontece noutras profissões.