12 julho, 2010
Escala de valores
...avaliar e ser avaliado. Começou desde que entrei para a escola, quando comecei a ser avaliado e não terminou agora que já o não sou (por enquanto), tendo apenas mudado de lado, passando de avaliado a (potencial) avaliador. Desde então sempre me meteu confusão o uso que os avaliadores fazem da escala de avaliação que teoricamente vai de 0 a 20 (por exemplo), mas que depois é restringida até 17 ou 18 valores porque "o 20 é para Deus, o 19 para o avaliador e o 18 para o aluno ou nem isso"; ou então "para ter 20 tem de ser excelente em tudo e isso é impossível". Esta é mais uma daquelas "faltas de visão" que realmente me irrita e me leva a discutir com as pessoas, em discussões perdidas porque as pessoas não admitem que estão erradas, ainda que "contra factos não haja argumentos" e sempre me levaram a perguntar porque querem os avaliadores ficar "com as notas para eles". Se a escala é de 0 a 20, isso significa que desde o 0 até ao 20, todos os valores são para o aluno, sem qualquer margem para dúvidas ou discussões possíveis. Por outro lado, para "ter 20" não é preciso ser excelente em tudo e melhor até que o avaliador (ainda que tal não seja impossível); numa avaliação, existem objectivos a atingir pelo avaliado e se estes forem atingidos na plenitude a única avaliação possível será a máxima (20), podendo até o avaliado ser péssimo nalgum aspecto que o avaliador ache importante, mas que não influencia nenhum dos parâmetros a ser avaliado. Assim, para mim, a escala de avaliação será sempre usada em toda a sua extensão e não tenho nenhuma objecção em atribuir a nota máxima ao avaliado que atinja a plenitude doa objectivos e a nota mínima àquele que não os atinja minimamente. Para terminar, recordo só "a teoria" de um professor meu durante o curso de enfermagem que não atribuía mais que 14 aos seus alunos pois essa era a sua a média final de curso (de medicina) e não havia nenhum aluno melhor que ele; se agora até dá alguma vontade de rir, na altura não sei o que faria se concedesse livre arbítrio à minha vontade.
03 julho, 2010
GAP
...querer inovar. Surgiu-me esta ideia fruto da necessidade. E se... criassem em todos os locais de atendimento ao público (inclusivamente instituições de saúde) um Gabinete de Atendimento à Pessoa? Enquanto cliente, perco várias vezes a paciência (que até há quem diga ser de santo) quando estou numa fila à espera de ser atendido, por vezes com pressa e a pessoa (normalmente reformada) à minha frente decide estabelecer um diálogo com o funcionário para desabafar, para passar algum tempo (que certamente tem de sobra) sem querer saber de quem continua à espera de ser atendido. Ciente da importância que estes diálogos poderão ter para muitas pessoas, mas também do facto de haver outras pessoas à espera e do funcionário não estar lá para "isso", sugiro então a criação de um gabinete onde essas pessoas que precisam de desabafar coisas da sua vida sejam encaminhadas e onde está alguém designado para o efeito. Enquanto profissional, seria também muito útil para poder trabalhar sem ser interrompido (normalmente pelas visitas) evitando quebras de pensamento e de actividades, com consequências que podem ser mais ou menos graves. Já sei que haverá quem não concorde com isto, pela importância que tem o contacto com as visitas, com os familiares, mas eu não quero retirar tal importância, distingo é os contactos realmente importantes para os meus cuidados daqueles que não têm qualquer importância, sobretudo quando isso rouba tempo aos cuidados que os doentes realmente necessitam. Fica a sugestão, quem sabe um dia...
17 junho, 2010
Chefes auxiliares
...ser avaliado... por auxiliares de enfermagem/assistentes operacionais (AO). Esta não é a primeira vez que falo das AO e como já referi não concordo com a sua existência. A grande maioria dos chefes que "tenho apanhado" estabelece uma relação (a meu ver) estranha com as AO; as AO são os "radares do chefe" (expressão de um anterior chefe) que observam e avaliam os enfermeiros, para depois relatar ao chefe. Esta inversão não me cabe na cabeça e pergunto-me como é possível que uma AO avalie o desempenho de um enfermeiro, se não tem qualquer formação em enfermagem. Os tais chefes obviamente não admitem directamente isto e as AO regozijam-se com o "estatuto" que lhes é atribuído e com a protecção que os chefes obviamente passam a dar aos seus "radares/espiões". Noto ainda que tendem a vê-las como "coitadinhas", feitas de empregadas ou escravas pelos mauzões dos enfermeiros, acredito que esta visão venha de tempos antigos em que os referidos chefes estavam na prestação directa de cuidados e elas seriam assim tratadas. Pergunto-me se eu tenho tido azar com os chefes/AO ou se esta situação é geral.
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08 junho, 2010
Como? Porquê?
...preocupar-se demais com o "como" (advérbio) e de menos com o "porquê". A grande maioria dos enfermeiros (que eu conheço) preocupa-se em saber como executar as técnicas, mas atrapalham-se todos quando lhes é questionado o porquê de as executar, uma vez que o fazem "porque sim... porque me ensinaram assim... porque os outros também fazem". Nós não somos meros técnicos de saúde a quem só importa a técnica. Podíamos formar facilmente qualquer pessoa para executar as técnicas, como aliás fazemos aquando dos ensinos aos cuidadores, sendo que o que nos distingue é o conhecimento por trás das técnicas, o referido "porquê" e só este conhecimento nos pode trazer a autonomia na nossa prática; se soubermos porque estamos a fazer isto ou aquilo e porque o fazemos dessa forma e não de outra, se actuarmos de forma fundamentada, ninguém nos conseguirá descredibilizar. Um bem haja aos enfermeiros que incutem nos potenciais futuros colegas este espírito critico, esta capacidade reflexiva, este "thinking outside the box", para que no futuro da enfermagem o nosso valor enquanto profissionais licenciados não seja questionado e não tenha de ser exigido com greves.
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23 abril, 2010
Profissão mais antiga do mundo
...praticar diversas formas de prostituição. Não, não venho falar da famosa história das alunas de enfermagem (nesta altura já enfermeiras?) que eram/são simultaneamente "acompanhantes de luxo". Vou falar de outros tipos de prostituição, com outros tipos de recompensas. Falo de enfermeiros que se prostituem a si e prostituem toda a enfermagem a troco de um favor do sr. doutor, de um reconhecimento dos seus superiores ou de trabalho de outros. São os enfermeiros que servem de empregados aos srs. doutores porque precisam de um favor para si ou para um familiar, e então lhe atendem o telemóvel, lhe buscam um café ou o que o sr. doutor precisar (cada um com distintos limites); são os enfermeiros que fazem de tudo para agradar aos seus chefes e caírem nas suas boas graças, são os enfermeiros que se sujeitam a executar tarefas que não são suas para que as assistentes operativas façam o trabalho que seria deles. Mas ainda mais grave que estas formas de "auto-prostituição" (ainda que prostituam toda a classe) são os casos dos enfermeiros que usam os seus colegas com quem trabalham; estou-me a referir por exemplo aos enfermeiros-chefe que prostituem os enfermeiros do seu serviço a troco de uma promoção/nomeação ou ainda a troco de umas horas de empregada doméstica (leia-se assistentes operativas) gratuita em sua casa, sendo que neste caso a prostituição é também das assistentes operativas. Há quem lhe chame "banco de favores", mas eu chamo-lhe mesmo prostituição, uma vez que esta num sentido mais lato e figurado também pode ser vista como um banco ou uma troca de "favores". Colegas, prostituam-se à vontade, mas deixem-me fora disso que eu não me importo de continuar com "saldo zero" no "banco de favores" e envergonhem-se de vender ao desbarato a enfermagem!
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03 abril, 2010
Saudação Pascal
...ser teísta. Por ser Páscoa, achei que devia falar sobre mais uma das coisas que observo e tento analisar/reflectir e que poderão ter alguma relevância na prática dos enfermeiros - ateísmo. Parece-me a mim que o ateísmo é mais uma espécie de "moda", de fuga à maioria, uma afirmação de diferença e superioridade de pensamento/raciocínio em relação à "maioria" e que acaba por ser chic, salvo algumas excepções (poucas, julgo eu). Não concordo é que os teístas sejam apelidados de "crentes", pois penso que seja necessária uma maior fé/crença para acreditar que o universo na sua complexa perfeição surgiu e evoluiu unicamente através de "fenómenos naturais" do que acreditar que houve algures uma intervenção divina e que nem tudo tem uma explicação racional. Sendo que acredito na existência de uma entidade superior/divina/sobrenatural a que chamo Deus, cito Max Planck: "Para os que acreditam, Deus está no princípio. Para os cientistas, Deus está no final de todas as suas reflexões. O impulso de nosso conhecimento exige que se relacione a ordem do universo com Deus." Assim, para todos os crentes, os menos crentes e os descrentes, uma BOA PÁSCOA. Que seja melhor que a minha, que vai ser passada com a família... dos outros (dos doentes), a trabalhar, porque se assim não for, nem os míseros €1020 me pagam.
27 março, 2010
Cipes, sapes e cepos
...cipar. Mais uma vez queremos ser inovadores mas nem conseguimos aprender com os erros dos outros. Não querendo discutir os prós e os contras da CIPE (Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem), que (quase) todos já devemos ter ouvido, pergunto só porque insistem os enfermeiros em criar uma linguagem comum à enfermagem mundial, em vez de apostarem numa linguagem científica que seja comum a todos os profissionais da equipa de saúde, com quem interagimos, de acordo com a Língua nacional, para não andarmos com "rigorosas" traduções da "linguagem comum à enfermagem" para ficarmos com termos que em português correcto/corrente são ridículos. De que adianta falar se ninguém nos entende? Para piorar o cenário, decidiram, criar o SAPE (Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem), visando a informatização dos registos de enfermagem com base no cipês (deviam dar formação aos enfermeiros sobre esta nova "Língua" estranha). Para além de se basear em, algo mau à partida, foi um programa mal desenvolvido com erros grosseiros. Quem trabalha/trabalhou com o mesmo, sabe do que vou falar, como seja o mau interface do programa, que demonstra um total desconhecimento de HCI (Human–computer interaction) por parte de quem o desenvolveu. Os cuidados de enfermagem são tratados com sendo estanques, absolutamente padronizados e não como individualizados para cada doente. Outro exemplo são (a meu ver) as intervenções "vigiar" - pergunto eu se o enfermeiro não vigia tudo nos doentes, e assim teria de seleccionar todas estas intervenções. Penso que os cuidados de enfermagem são demasiado complexos para poderem ser padronizados desta forma, "tabelados", inseridos numa espécie de totoloto, de escolha múltipla. Podia expor muitos exemplos mais específicos das deficiências e dos erros, mas deixo isso para os comentários de quem também lida diariamente com o programa. Concordo com a informatização dos registos de enfermagem e admito que traz muitas vantagens, sobretudo a nível de outputs, mas não assim, como se tivesse sido desenvolvido por cepos.
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25 março, 2010
1º Encontro de Enfermagem da Unidade de Saúde Setentrional
...divulgar a pedido da comissão organizadora, o 1º Encontro de Enfermagem da Unidade de Saúde Setentrional, subordinado ao tema “Cuidar no Século XXI”, que vai decorrer na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, nos dias 22, 23 e 24 de Abril de 2010.
Este Encontro, tem como objectivos dar a conhecer o trabalho desenvolvido na Unidade de Saúde Setentrional, na área da Enfermagem, e contará com a participação de enfermeiros do CHLN (Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente) e dos Centros de Saúde da sua área de referência (Alvalade, Benfica, Loures, Lumiar, Odivelas e Pontinha).
Neste encontro serão debatidos temas da actualidade, nomeadamente:
• A Enfermagem na Unidade de Saúde Setentrional
• Uma sociedade multicultural: novas realidades, novas práticas
• Perspectivar os cuidados com base nas vivências dos doentes/famílias
• Quem cuida de nós
• Reflectindo sobre a prática
• Gestão da doença crónica
• Continuidade no cuidar
• Da Informação à Comunicação
E, serão também ministrados os seguintes cursos:
• Básico de Suporte de Vida/DAE
• Avaliação e Tratamento de Úlcera de Perna
• Ventilação Não Invasiva
• Auto-desenvolvimento
As inscrições para este encontro deverão ser feitas, preferencialmente online, no seguinte endereço: www.inscricoesencontrouss.com
12 março, 2010
Oferece-se trabalho
...trabalhar gratuitamente. Estou-me a referir aqueles colegas que teimam em chegar ao serviço antes da hora certa (a partir da qual são remunerados) para "começarem a preparar" o turno, ou seja, para trabalharem mais tempo do que aquele que lhes é pago. O pior ainda é que os ditos colegas acabam por estorvar os colegas que estão a finalizar o turno e se tentam despachar para terminar os assuntos pendentes. Sinceramente estes colegas são quase tão irritantes como aqueles que acabam por ficar no serviço 1 ou 2 horas depois do seu turno ter acabado, a ver os colegas a trabalharem... é caso para dizer "get a life!"
01 março, 2010
Tempo é dinheiro
...subvalorizar-se. Daquilo que eu constato no meu dia-a-dia, os enfermeiros tendem a dar pouco valor ao seu tempo e ao seu trabalho e se nós não dermos valor, quem dará? Um exemplo daquilo a que eu me estou a referir é a disponibilidade exagerada dos enfermeiros para tudo e mais alguma coisa. Observo com frequência um colega estar ocupado com qualquer tarefa e deixar o que está a fazer para ir falar com um familiar de um doente que está ao telefone, ou para ir ajudar o médico a fazer alguma coisa (não urgente). O que quem está do outro lado pensa é que ou o enfermeiro não estava a fazer nada, ou estava a fazer algo sem importância. Pergunto-me é se quem está deste lado (os próprios enfermeiros) pensarão o mesmo, o que seria a meu ver, grave. Outro exemplo é a disponibilidade dos enfermeiros aquando do planeamento de alguma actividade como ensinos ao cuidador. O cuidador é quem costuma marcar o dia e a hora e o enfermeiro está sempre disponível, adaptando todo o seu trabalho posteriormente; mais uma vez, será que o enfermeiro costuma estar sempre sem fazer nada? Há uns dias atrás fui a uma consulta médica privada, paga a peso de ouro como costume, e mesmo assim tive de esperar uns dias pela mesma e no dia, ainda tive de esperar uns largos minutos para ser atendido (depois da hora previamente marcada). Como já disse anteriormente, não basta fazer as coisas, é preciso mostrar que fazemos as coisas e que as fazemos bem, que temos muitas tarefas, muita responsabilidade, e consequentemente muito valor; assim não precisávamos de greves e manifestações para o demonstrar.
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