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01 outubro, 2011

Gestão de crise



...ser gerido. Com o hype da crise económica, sobressaem os nossos gestores. Como não podia deixar de ser, os enfermeiros querem sobressair e exibem em primeira linha os seus dotes também de gestores, ou não sejam eles "pau para toda a colher" (estranhamente por vontade própria). "É preciso reduzir 15% nas horas extraordinárias"... todos os outros fogem, escondem-se, fingem-se surdos, cegos e mudos, tentam passar despercebidos para não pagarem a fatura da crise, mas os enfermeiros não, os enfermeiros, solidários como sempre, dão um passo em frente e reduzem, não 15%, mas ainda mais que isso, enquanto os outros esfregam as mãos... se os enfermeiros pagarem a totalidade da fatura, não sobra nada para eles. Pergunto eu se nós não pagámos já o suficiente da fatura ao longo de todos estes anos em que não estamos a ser remunerados de acordo como o nosso grau académico (ainda não descobri se isso não será inconstitucional). É claro que as competências de gestão dos nossos superiores hierárquicos são do mais avançado que existe... é preciso economizar? Corta-se, reduz-se! Eficiência? O que é isso? Se em vez de 5 enfermeiros por turno tivermos só 3, estamos a economizar... quem disse que economizar é difícil?! Depois na próxima reunião de administração já me posso gabar que consegui reduzir mais de 30% nas horas dos enfermeiros, ficando bem visto à custa de escravizar os meus subalternos (colocando em risco da segurança dos doentes) e garantindo o meu lugarzinho na instituição. A esperança de que "a crise" desenvolvesse noções de gestão nos enfermeiros vai-se desvanecendo no meio de tanta trapalhada e passos em falso. Os prestadores de cuidados, sempre preocupados com a economia, usam agulhas de calibre inferior para aspirar ampolas, para conseguirem economizar escassos cêntimos... "é pouco, mas se toda a gente fizer isso isso já dá alguns euros por mês", vê-se que não sabem qual é o orçamento de um hospital e o impacto disso no mesmo, mas o melhor de tudo é que o preço das agulhas até é o mesmo independentemente do calibre. O mesmo enfermeiro, em seguida vai executar um penso, a um doente em fase terminal, com poucas  mais horas de vida e usa material no valor de dezenas de euros (para além de causar desconforto ao moribundo). Querem economizar? Comecem por dar lições de economia ás pessoas, abram-lhes os olhos, chamem-nas à realidade, uma realidade com números com que elas nem sonham.

20 julho, 2011

CSI



...encaixar provavelmente em certos "perfis típicos". Alguém adivinha (sem consultar a fonte nem pesquisar no google) de que é este perfil típico? Será de um enfermeiro?

"Perfil típico de um (?)

    
    Os (?) normalmente não se imitam uns aos outros. Mas por qualquer motivo, o modo de agir é idêntico, como se todos fossem geneticamente iguais ou criados num mesmo ambiente

 Aparência Geral
    Inteligente. Intenso. Abstraido. Surprendentemente, para uma profissão que é sedentaria, a maioria dos (?) tende a ser magra; ambos os extremos são mais comuns que em qualquer outro lugar. Os bronzeados são raros.

 Forma de vestir
    Casual, vagamente pós-hippie; t-shirts, jeans, ténis, sandálias ou pés descalços. Cabelo comprido, barbas e bigodes são comuns. Alta incidência de t-shirts com “slogans” (tipo "vai ao cinema mas não me chames").
      Uma minoria substâncial prefere roupas “de camping”: coletes e calças militares e de campismo, etc.
    Os (?) vestem-se para o conforto, a funcionalidade e para terem o mínimo de manutenção, pecando na aparência (alguns levam isso a sério e negligênciam a higiene pessoal). Os (?) têm um índice de tolerância baixo a roupas de "negocios"; e até é comum eles largarem um emprego para não usarem roupa formal. (?) do sexo feminino tendem a nunca usar maquilhagem visivel. A maioria não usa.

 Hábitos de leitura
    Normalmente com grandes quantidades de ciência e ficção cientifica. Qualquer coisa como “American Scientific”, “Super Interessante”, "Science & Vie", etc.
    Os (?) normalmente têm uma capacidade de leitura de coisas tão diferentes que impressionam pessoas de vários géneros. Têm porém a tendência de não comentar muito isso. Muitos (?) gastam a ler o que outros gastam a assistir TV e têm sempre estantes e estantes de livros selecionados em casa.

 Outros interesses
    Alguns hobbies são bastante partilhados e reconhecidos como tendo a haver com a cultura: ficção cientifica, musica, medievalismo (na forma activa praticada por Grupos que se isolam da sociedade e organizações similares) xadrez, gamão, jogos de guerra e jogos intelectuais de todos os tipos. (os RPGs eram muito difundidos até começarem a ser explorados pela massa). Há muitos (?) que praticam rádio amadorismo e outros que se dedicam a construir robots e máquinas electrónicas, empregando tecnologia muito avançada na sua construção.

 Actividade física ou desportos
    Muitos não seguem nenhum desporto e são anti-exercício. Aqueles que fazem, não curtem ficar a ver os outros fazer, como espectadores. Para os (?) o desporto é algo que se faz e não algo que se vê os outros fazer. Também evitam desportos de grupo como se fossem a peste, com possivel excepção de voleibol. Os desportos desse tipo são, quase sempre, aqueles que envolvem competição individual e auto-superação, concentração, força interior, e capacidades motoras como: as artes marciais, andar de bicicleta, corrida de karts ou automóveis, escalagem, aviação, tiro ao alvo, navegar, esquiar, andar de skate, snowboard, etc.

 Educação
    Quase todos os (?), acima da adolescência, são portadores de diploma ou educados até um nivel equivalente. O (?) que aprendeu sozinho é sempre considerado (pelo menos para os outros (?)) como mais motivado, e pode ser mais respeitado que o seu equivalente com o canudo. As áreas incluem (além da obvia ciência de computação e engenharia electrónica) a fisica, a matemática, as linguas e a filosofia.

 Coisas que os (?)detestam e evitam
    Mainframes da IBM. Burocracias. Gente estúpida. Música fácil de ouvir (música barata e comercial, etc.). Televisão (excepto pelo velho "Star Trek" e os "Simpsons"). Desonestidade. Incompetência. Tédio. COBOL. BASIC. Interfaces não gráficas.
   
 Religião
    Agnóstica. Ateista. Judeu não praticante. Neo-pagão. Mais comum, três ou quatro desses aspectos combinados. Crentes sâo muito raros mas não desconhecidos."


09 junho, 2011

Tanto por tão pouco


...querer saber porque é que em enfermagem tudo tem de ser tão difícil, tão complicado, tão demorado. Penso que começa logo no curso, onde 4 anos me parece ser demasiado tempo para se ensinar tão pouco. Depois começamos a trabalhar (após termos esperado muito tempo por um mísero lugar) e levamos com (mais de) 40 horas semanais para um ordenado equiparável ao de uma auxiliar (desculpem, mas prefiro esta terminologia) e para o auferirmos ainda temos de trabalhar por roullement, dar cabo do nosso ritmo circadiano, passar festas sem a família, entre os outros (mais que) muitos "ossos do ofício", que por sinal são bem duros de roer. Depois, pensamos em ascender na carreira... qual carreira? Isso já não existe há muito, mas... podes "subir" a especialista! Ai sim? Claro, perdes 2 anos, em que para além das (mais de) 40 horas semanais ainda tens de ir ás aulas, estudar em casa e provavelmente arranjar um part-time para pagar as propinas, e no fim... só com muito custo vais lucrar com isso (se querem adquirir conhecimentos, há outras maneiras de o fazer). Então e um mestrado ou doutoramento? Também podes tirar, mas a história repete-se. Então e posso ser chefe? Sim, se te esforçares para isso desde o início, passados uns 30 anos, com muitos sacrifícios pelo meio, muito dinheiro gasto, muito tempo perdido, muitos sapos engolidos e muita graxa passada podemos ter sorte... ou não! E vale a pena? Para mim, por maior que a alma seja, não vale! Então, mas a enfermagem é uma profissão tão ampla, podemos trabalhar em tantos sítios diferentes, em sítios bem interessantes... sim, mas esses já estão todo ocupados e com uma fila de espera de vários anos, por mais sacrifícios que façamos. Então e se tivermos valor pelas nossas capacidades? Ah... ninguém que saber disso, quanto pior fores tu, melhor sou eu. É engraçado que isto que se passa a um nivel "macro", tambem se passa a um nivel "micro". No nosso dia a dia, naquilo que fazemos, nos nossos turnos, ou aquilo que fazemos exige demasiados sacrifcios  (muitas vezes para nada) ou se não for suficientemente complicado, os enfermeiros tratam de o tornar como tal. Noutras áreas, noutras profissões, procuram-se pessoas com valor, pessoas com potencial, e ajudam-se a desenvolver o mesmo, em vez de se querer aquelas pessoas que se sacrificam por (sozinhas) desenvolverem todo o seu potencial, esgotando-o e ficando a um nível muito aquém do que outros poderiam alcançar. Com muito menos sacrificio, as pessoas passam a desempenhar funções muito mais importantes, de maior reponsabilidade e de valor reconhecido. Em enfermagem não se estimula as pessoas a desenvolver-se, não se reconhece o valor das pessoas, não se deixa crescer e ser mais do que os outros, ser quem se pode ser. As maiores figuras da enfermagem (sobretudo a nível nacional) são pessoas de grande valor/potencial, são verdadeiros génios? Ou serão por outro lado pessoas que sacrificaram tudo o resto pela sua carreira (quão triste isso é), ou pessoas que sacrificaram a sua dignidade e o seu orgulho para ascender, ou ainda produtos da política? 
Dizem que "em terra de cegos, quem tem olho é rei", mas na enfermagem, quem tem olho é preso nas masmorras pelo rei (também ele cego).

24 outubro, 2010

Adiável mas inevitável


...assistir à chegada dos "auxiliares de enfermagem" ou como lhe querem chamar "técnico auxiliar de saúde". Como eu já esperava, aconteceu o inevitável, e foi publicada a Portaria 1041/2010 que leva à criação destes técnicos. Lendo as funções designadas, à partida, estas pouco ou nada acrescentam ás atuais funções das assistentes operacionais (AO), com a diferença de terem formação específica para as funções a desempenhar e terem funções legalmente definidas, o que nem sempre acontecia com as AO. O enfermeiro deve cuidar do doente, da pessoa com uma doença (nunca podemos negligenciar esta condição). Não se focalizando na doença, que será do domínio médico, o enfermeiro é responsável por assegurar a satisfação das necessidades humanas básicas do doente enquanto este se encontra numa instituição de saúde, atendendo ás limitações impostas pela doença e pela institucionalização, mas é também responsável pela preparação do doente para a sua vida após a alta, com as novas condições impostas pela doença. O enfermeiro deve atuar não enquanto ser humano (com as limitações impostas enquanto tal), mas enquanto profissional de saúde, com o poder, o conhecimento e as competências para ajudar a pessoa doente. Atenção que o facto de ser responsável pela satisfação das necessidades, não significa que tenha de ser ele a executar todas as tarefas, muitas delas podem ser delegadas, sobretudo se tivermos pessoas com um mínimo de formação a quem as possamos delegar. Aos enfermeiros que dizem que vão ficar com pouco trabalho, eu respondo "se quiserem"... Se o enfermeiro fica mais liberto daquelas tarefas rotineiras, que pouco exigem de si enquanto profissional diferenciado que é, tem de aproveitar o tempo que ganha, para estar de facto com os doentes, analisando toda a situação do mesmo com o tempo necessário, todos os problemas, e encetar as medidas necessárias para os ultrapassar ou minimizar, sendo que poderá gastar mais tempo com um doente independente nas AVD's mas com outras necessidades por resolver do que com um doente totalmente nas AVD's, mas que pouco requer na verdade do enfermeiro, o que atualmente só pode acontecer teoricamente. Os doentes começarão a sentir que o enfermeiro está de facto ao seu lado quando necessita dele e não quando este quer/pode (dadas as rotinas impostas) e a imagem social do enfermeiro começará a ser valorizada, com todas as vantagens que daí advêm. Por outro lado, o enfermeiro fica com mais tempo para investir na formação, na sua, na do doente e familiares/cuidadores, devendo ainda aumentar a sua autonomia nas tarefas que desempenha, ou seja, reduzir as intervenções dependentes/interdependentes ao máximo de modo a poder prestar cuidados de modo mais eficaz e eficiente. Espero (embora não acredite muito) que a enfermagem portuguesa saiba aproveitar este impulso, esta indicação do caminho certo a tomar e consiga tornar o enfermeiro num profissional indispensável, coisa que como facilmente se percebe não acontece atualmente.

12 julho, 2010

Escala de valores


...avaliar e ser avaliado. Começou desde que entrei para a escola, quando comecei a ser avaliado e não terminou agora que já o não sou (por enquanto), tendo apenas mudado de lado, passando de avaliado a (potencial) avaliador. Desde então sempre me meteu confusão o uso que os avaliadores fazem da escala de avaliação que teoricamente vai de 0 a 20 (por exemplo), mas que depois é restringida até 17 ou 18 valores porque "o 20 é para Deus, o 19 para o avaliador e o 18 para o aluno ou nem isso"; ou então "para ter 20 tem de ser excelente em tudo e isso é impossível". Esta é mais uma daquelas "faltas de visão" que realmente me irrita e me leva a discutir com as pessoas, em discussões perdidas porque as pessoas não admitem que estão erradas, ainda que "contra factos não haja argumentos" e sempre me levaram a perguntar porque querem os avaliadores ficar "com as notas para eles". Se a escala é de 0 a 20, isso significa que desde o 0 até ao 20, todos os valores são para o aluno, sem qualquer margem para dúvidas ou discussões possíveis. Por outro lado, para "ter 20" não é preciso ser excelente em tudo e melhor até que o avaliador (ainda que tal não seja impossível); numa avaliação, existem objectivos a atingir pelo avaliado e se estes forem atingidos na plenitude a única avaliação possível será a máxima (20), podendo até o avaliado ser péssimo nalgum aspecto que o avaliador ache importante, mas que não influencia nenhum dos parâmetros a ser avaliado. Assim, para mim, a escala de avaliação será sempre usada em toda a sua extensão e não tenho nenhuma objecção em atribuir a nota máxima ao avaliado que atinja a plenitude doa objectivos e a nota mínima àquele que não os atinja minimamente. Para terminar, recordo só "a teoria" de um professor meu durante o curso de enfermagem que não atribuía mais que 14 aos seus alunos pois essa era a sua a média final de curso (de medicina) e não havia nenhum aluno melhor que ele; se agora até dá alguma vontade de rir, na altura não sei o que faria se concedesse livre arbítrio à minha vontade.

08 junho, 2010

Como? Porquê?


...preocupar-se demais com o "como" (advérbio) e de menos com o "porquê". A grande maioria dos enfermeiros (que eu conheço) preocupa-se em saber como executar as técnicas, mas atrapalham-se todos quando lhes é questionado o porquê de as executar, uma vez que o fazem "porque sim... porque me ensinaram assim... porque os outros também fazem". Nós não somos meros técnicos de saúde a quem só importa a técnica. Podíamos formar facilmente qualquer pessoa para executar as técnicas, como aliás fazemos aquando dos ensinos aos cuidadores, sendo que o que nos distingue é o conhecimento por trás das técnicas, o referido "porquê" e só este conhecimento nos pode trazer a autonomia na nossa prática; se soubermos porque estamos a fazer isto ou aquilo e porque o fazemos dessa forma e não de outra, se actuarmos de forma fundamentada, ninguém nos conseguirá descredibilizar. Um bem haja aos enfermeiros que incutem nos potenciais futuros colegas este espírito critico, esta capacidade reflexiva, este "thinking outside the box", para que no futuro da enfermagem o nosso valor enquanto profissionais licenciados não seja questionado e não tenha de ser exigido com greves.

27 março, 2010

Cipes, sapes e cepos


...cipar. Mais uma vez queremos ser inovadores mas nem conseguimos aprender com os erros dos outros. Não querendo discutir os prós e os contras da CIPE (Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem), que (quase) todos já devemos ter ouvido, pergunto só porque insistem os enfermeiros em criar uma linguagem comum à enfermagem mundial, em vez de apostarem numa linguagem científica que seja comum a todos os profissionais da equipa de saúde, com quem interagimos, de acordo com a Língua nacional, para não andarmos com "rigorosas" traduções da "linguagem comum à enfermagem" para ficarmos com termos que em português correcto/corrente são ridículos. De que adianta falar se ninguém nos entende? Para piorar o cenário, decidiram, criar o SAPE (Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem), visando a informatização dos registos de enfermagem com base no cipês (deviam dar formação aos enfermeiros sobre esta nova "Língua" estranha). Para além de se basear em, algo mau à partida, foi um programa mal desenvolvido com erros grosseiros.  Quem trabalha/trabalhou com o mesmo, sabe do que vou falar, como seja o mau interface do programa, que demonstra um total desconhecimento de HCI (Human–computer interaction) por parte de quem o desenvolveu. Os cuidados de enfermagem são tratados com sendo estanques, absolutamente padronizados e não como individualizados para cada doente. Outro exemplo são (a meu ver) as intervenções "vigiar" - pergunto eu se o enfermeiro não vigia tudo nos doentes, e assim teria de seleccionar todas estas intervenções. Penso que os cuidados de enfermagem são demasiado complexos para poderem ser padronizados desta forma, "tabelados", inseridos numa espécie de totoloto, de escolha múltipla. Podia expor muitos exemplos mais específicos das deficiências e dos erros, mas deixo isso para os comentários de quem também lida diariamente com o programa. Concordo com a informatização dos registos de enfermagem e admito que traz muitas vantagens, sobretudo a nível de outputs, mas não assim, como se tivesse sido desenvolvido por cepos.

25 março, 2010

1º Encontro de Enfermagem da Unidade de Saúde Setentrional


...divulgar a pedido da comissão organizadora, o 1º Encontro de Enfermagem da Unidade de Saúde Setentrional, subordinado ao tema “Cuidar no Século XXI”, que vai decorrer na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, nos dias 22, 23 e 24 de Abril de 2010.
Este Encontro, tem como objectivos dar a conhecer o trabalho desenvolvido na Unidade de Saúde Setentrional, na área da Enfermagem, e contará com a participação de enfermeiros do CHLN (Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente) e dos Centros de Saúde da sua área de referência (Alvalade, Benfica, Loures, Lumiar, Odivelas e Pontinha).
Neste encontro serão debatidos temas da actualidade, nomeadamente:
• A Enfermagem na Unidade de Saúde Setentrional
• Uma sociedade multicultural: novas realidades, novas práticas
• Perspectivar os cuidados com base nas vivências dos doentes/famílias
• Quem cuida de nós
• Reflectindo sobre a prática
• Gestão da doença crónica
• Continuidade no cuidar
• Da Informação à Comunicação
E, serão também ministrados os seguintes cursos:
• Básico de Suporte de Vida/DAE
• Avaliação e Tratamento de Úlcera de Perna
• Ventilação Não Invasiva
• Auto-desenvolvimento
As inscrições para este encontro deverão ser feitas, preferencialmente online, no seguinte endereço: www.inscricoesencontrouss.com

05 novembro, 2009

Entesar a Enfermagem


...fugir ás suas competências. A Ordem dos Enfermeiros determina como competência do enfermeiro de cuidados gerais o seguinte: "Valoriza a investigação como contributo para o desenvolvimento da enfermagem e como meio para o aperfeiçoamento dos padrões de cuidados" e ainda "Contribui para o desenvolvimento da prática de enfermagem". Agora eu pergunto, quantos trabalhos de investigação e teses (de mestrado e doutoramento) realmente contribuem significativamente para o desenvolvimento da ciência e da prática de enfermagem? Quantos enfermeiros não desenvolvem teses que roçando ao de leve a enfermagem acabam, por investigar as áreas de psicologia, direito, ética, sociologia,  entre outras? Se é verdade que a prática da enfermagem também engloba estas ciências, não é menos verdade que existem profissionais específicos das referidas áreas a desenvolver essas ciências e devíamos portanto desenvolver mais a ciência de enfermagem, como determina a OE. Sendo que a enfermagem tem um carácter muito prático, penso ainda que a investigação devia trazer melhorias ao nível da prática, devia produzir conhecimentos exclusivos dos enfermeiros, devia contribuir para a individualização e imprescindibilidade da enfermagem e dos enfermeiros, que é algo que tanto estamos a precisar e que é decisivo para a afirmação e a evolução da enfermagem portuguesa. Assim, por favor colegas, dirijam os vossos esforços neste sentido e deixem-se de investigar burnouts, crenças dos enfermeiros e afins... Investiguem aquilo que por serem enfermeiros só vocês podem investigar, só vocês conhecem, que diariamente dão conta que necessitava de ser investigado, de ser melhorado e que traria benefícios aos nossos clientes/utentes. Se não estão dispostos a tal então é melhor fazer como eu e não investir na área da investigação. Não invisto nesta área porque não é dado valor a esse investimento, um investimento pessoal de dinheiro, de tempo, de bastante de nós, que depois ninguém reconhece, que ninguém aproveita, ao contrário do que acontece noutras profissões.

18 outubro, 2009

Pontos de vista



...ser autodida(c)ta. Pela razão expressa no anterior post, recorri ao material de estudo que tinha guardado (há uns anos) de Pediatria, para esclarecer dúvidas de pai. A questão é que fiquei na mesma. Não me esclareceu nem uma; o Google, que teimosamente me "envia" para sites brasileiros, provou ser  uma ferramenta bem mais útil. Que conclusões posso eu tirar daqui? No curso, não me transmitiram nenhum conhecimento verdadeiramente útil na área de pediatria; muita patologia, teoria sobre coisas incomuns e nada sobre coisas mais comuns e práticas, que possa transmitir à maioria dos pais (essa não é função nossa?). Felizmente a maioria dos colegas do serviço de obstetrícia (Hospital S. João), demonstraram ter alguns desses conhecimentos, adquiridos quase de certeza por iniciativa própria, com formações pagas a posteriori, ou mesmo no já referido popular motor de busca, que transmitindo aos pais, demonstravam ter (enaltecendo a profissão), ficando então uma nota positiva para eles. No outro lado da balança, está a equipa médica, que por várias razões (sempre as mesmas) fica com nota negativa. Para finalizar vou "deitar uma acha na fogueira" (para esta não se apagar): como não podia deixar de ser, o facto de ser enfermeiro, fez com que recebesse "um tratamento" diferente por parte dos colegas no hospital... note-se que o diferente, aqui, significa PIOR. Com amigos assim, quem precisa de inimigos?

13 outubro, 2009



...divulgar uma informação a pedido da organização: nos dias 3, 4 e 5 de Dezembro vai ter lugar o Congresso Nacional de Enfermagem de Reabilitação da APER 2009, em Espinho, para mais informações clicar aqui. Aproveitemos enquanto esta importante valência da Enfermagem não é completamente "roubada" pelos fisioterapeutas, médicos de medicina física de reabilitação e sabe-se lá quem mais. Os colegas especialistas de reabilitação que façam uso dos seus conhecimentos, para com a sua prática dar visibilidade à enfermagem, o que é fácil num campo com resultados tangíveis e a que a população atribui muita importância; não se deixem cair, portanto, em trabalhos secundários de secretariado/gestão, como infelizmente se vai vendo por aí.

01 outubro, 2009

Desistir para vencer



...desistir da causa. Parece estar cada vez mais iminente o instante em que o receio de mudar, de alterar os planos de futuro que pareciam estar já consolidados, o medo de assumir o risco e a preocupação de desperdiçar precioso tempo da minha vida, será suplantado pelo sonho em espera, pelo futuro promissor, pela muito provável melhoria de qualidade de vida e pela hipótese de realização profissional e sobretudo pessoal. "Ajudado" em grande parte pelo Eng.(?) Sócrates (herói nacional reeleito) e seus leais súbditos, mas também por quem tem o poder de fazer algo contra mas parece estar em estado vegetativo, que têm inferiorizado a enfermagem ao limite do ridículo e levado os enfermeiros ao desânimo total. Assim sendo, e se nada posso contra eles, mas também a eles não me quero juntar, só me resta desistir, ou melhor, lutar por outra vida, por outra profissão que me faça chegar ao fim do dia com um sentimento de plenitude mínima e de ânimo para o dia seguinte. Estando ainda não negociadas por completo as negociações da nossa carreira, mas a realizar-se o cenário mais provável, tomarei a médio prazo uma daquelas decisões da nossa vida, que por serem tão importantes também são tão difíceis. A ver vamos o que o futuro (pouco promissor) nos reserva.

25 setembro, 2009

Contra (in)formação



...pagar para trabalhar melhor. Verifica-se uma febre geral na enfermagem pelos "cursilhos de formação" que a ser contagiosa pareço estar imune. Para que servem afinal estes cursos? Na sua maioria para nada, pois (in)formam os enfermeiros sobre coisas que nunca vão exercer, que nunca lhe vão ser úteis ou que não têm autonomia para exercer, pelo que rapidamente passarão à sua zona de "reciclagem cerebral". Há no entanto alguns cursos de formação mais pertinentes (geralmente de carácter mais prático), sendo por norma (ainda) mais caros que os anteriores. E então, pergunto eu (sou uma pessoa cheia de questões): quem beneficia com esta formação, com a melhoria dos cuidados por mim prestados? A instituição em que trabalho, ou, em última instância os clientes da mesma, os doentes. Assim sendo, porque tenho eu de pagar essa mesma formação a somar ao tempo e neurónios gastos? O mesmo se aplica ás especialidades, que a par de outros países deveria dar direito a dispensa total de serviço, mantendo a remuneração e com posterior obrigação de permanência na instituição durante um período de tempo pré-acordado. Melhor ainda são os "posters e comunicações livres que contam para o currículo"... qual currículo? isto é mesmo ridículo (ou eu não estou a ver bem a coisa).