Mostrar mensagens com a etiqueta deveres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta deveres. Mostrar todas as mensagens

13 agosto, 2012

A vendilhona (pouco) misteriosa



...tentar descobrir o mistério de uma grande vendilhona. Já antes tinha falado do assunto de forma genérica, mas agora vou comentar um caso em concreto, uma enfermeira directora de um hospital do Porto (que dizem ser parecido com o Santa Maria). Esta misteriosa senhora, entrou para o cargo na altura do governo socrático e o grande mistério é ainda o manter depois da "mudança de cor" ocorrida (após umas demissões e readmissões polémicas). Afinal que "camisola veste" esta individualidade? Rosa ou laranja? Nem uma nem outra, tendo em conta que foi candidata (suplente) à assembleia de freguesia de Moreira da Maia pelo... BE! Trata-se portanto de mais uma enfermeira a "vestir a camisola" vermelha (que pouco abona a favor da enfermagem). Mas então porque ocupa ela o cargo de directora? Como seria de esperar pelo título do post, porque é uma (grande) vendilhona! Vende a preço de saldo quase 2000 enfermeiros (e de forma indireta muitos mais). Esta senhora é conhecida por atitudes para com os seus "colegas" muito pouco dignas e de nenhuma "camaradagem", como seja o desprezo por estes, os insultos a enfermeiros de modo pouco (ou nada) civilizado, em pleno corredor, incluindo a enfermeiros-chefe, é conhecida por expressões como "não gostas manda embora que tenho centenas deles a bater à porta todos os dias" - referindo-se a colegas enfermeiros, e agora em "época de crise económica", gosta de fazer o seu brilharete cortando de forma cega na dotação de enfermeiros por turno, ignorando todas as teorias da motivação (no trabalho); será que não teve Psicologia Organizacional durante o Curso de Administração de Serviços de Enfermagem? Não compreende algo tão simples como o facto dos turnos menos trabalhosos serem uma compensação que ajuda a tolerar (física e psicologicamente) os turnos com verdadeiro trabalho de escravatura e que os enfermeiros olhando para o lado vêem os médicos que apesar de auferirem ordenados bem mais chorudos não são dispensados do trabalho e estão lá a "esfregar as barrigas" toda a manhã por não terem um único doente? Ou resolve tudo mandando embora estes e admitindo mais uns quantos dos que batem à porta (e alguns se calhar até à janela)? E tudo isto em troca de quê? Dos €80.000 anuais? Somando ainda uma Avensis "da empresa", quando ela até é das que menos usa "o carro da empresa", com apenas cerca de 20.000 Km anuais... talvez prefira usar o telemóvel, onde é a mais gastadora (os seus camaradas não devem ser Vodafone).  Assim, em troca de "pouca coisa", prostitui tantos enfermeiros, como se não bastasse a prostituição (de nível menor) que eles já vão cometendo e é destes "paus-mandados" que os governos gostam, por isso vai continuando "no poleiro". Como diz o outro, we are doomed!

26 agosto, 2011

Rica vida


...ser mais uma vez do contra. Tenho mais uma opinião que a par da opinião do sufrágio universal/restrito poderá levantar alguma polémica, porquê? Porque me parece ser aceite como irrefutável (sobretudo nesta altura de crise económica) que os ricos devem pagar mais esta crise que os pobres, ou seja, que "os ricos devem descontar mais que os pobres" e eu não concordo com isso, pelo menos com o significado com que é dito. Concordo que quem tem mais desconte mais, mas numa lógica percentual, que matematicamente também pode ser vista como "todos descontam o mesmo (valor percentual)". Esta visão comunista da sociedade estimula a preguiça, a inércia, a negligência... padece das fraquezas do comunismo. Para quê trabalhar, para quê esforçar-me para evoluir se depois o meu dinheiro vai ser distribuído por quem não se esforçou, por quem não trabalhou, pelos preguiçosos? Sim, tenho ideias/ideais capitalistas e se muitos mais portugueses tivessem também, não teríamos o país neste estado miserável em que se encontra, resultado de não ser capitalista, quando é o capital que move o mundo. Se queremos sair da crise, temos de produzir, de investir e não de poupar, sem contudo gastar mais do que aquilo que podemos como tem acontecido nos últimos anos. A sorte deste "país socialista" é existirem "países capitalistas" que o vão ajudando a levantar-se, obtendo obviamente alguns beneficios no processo (ou não fossem eles capitalistas). Na enfermagem, acho que também há uma grande deficiência desta visão capitalista das coisas. Os enfermeiros parecem não entender que as pessoas também são números, que a saúde são números (e bem grandes) e que temos de aprender a jogar com esses números em nosso favor.

"A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objetivo. O interessante é o jogo." 
 Aristóteles Onassis

05 maio, 2011

Livro de reclamações s.f.f.!


...descobrir conversando. "Aqui ninguém faz nada... em França é que era bom... estão a gozar com os doentes... era chamar cá a SIC para ver isto... demoram tanto tempo só para fazer isso?!... poupam numas coisas mas estragam noutras e aqui estraga-se muito dinheiro dos nossos impostos...". Assim ia mais um turno a ouvir o doente mais queixoso do serviço, mas nesse dia tinha (miraculosamente) um tempinho livre e então decidi sentar-me para conversarmos e tentar perceber a verdadeira origem de tanta revolta. Passados poucos minutos cheguei onde queria "Aqui as empregadas estragam muito" (dizia ele) -"Não acho isso" (respondo eu) -"Ah... a mim também pouco me importa" (ele) -"Mas devia importar, se estragam, é dinheiro de todos nós."(eu) -"Meu, não!"(ele) -"Não?! Como assim?"(eu) -"Porque eu não desconto nada para impostos e ainda é o estado que me paga um subsídio por causa de eu ter miopia desde a nascença (?!)..." Pronto, está a explicação encontrada, confirmando o que eu defendo, quem não desconta, quem não paga os serviços é quem mais reclama, quem mais abusa, quem mais direitos quer ter, passando mesmo os limites onde começam os dos outros. É por estas e por outras, que eu sou a favor do fim do SNS... Saúde gratuita e universal para todos é uma grande treta, nada é gratuito, há sempre um preço, o que varia é quem o paga. Pago eu com os meus impostos, para outros que não pagam nada usufruírem, para usarem e abusarem, porque nem têm nenhuma taxa que modere o uso do mesmo, mas não há problema, nós pagamos, pagamos o público, "universal e gratuito" para eles e pagamos depois o privado onde temos de recorrer quando precisamos, porque o público está entupido pelos outros. É certo e sabido que geralmente não se dá o devido valor ao que é gratuito por isso nada o devia ser e ainda vêm agora com a implementação do regime de dispensa gratuita de medicamentos após a alta de internamento... estou enganado ou estamos numa severa crise económica, praticamente à beira da falência? Quantos medicamentos não vão parar ao lixo, quantos medicamentos pagos por quem tem mais deveres do que direitos não vão mas é poluir solos e águas por esse país fora? Assim é este país miserável, que IMHO troika nenhuma conseguirá mudar.

07 fevereiro, 2010

A outra face da inveja


...ser invejado. Porquê? Por incrível que pareça, por ser uma classe trabalhadora, por trabalhar em mais que um sítio, por trabalhar mais horas que as outras pessoas. Farto de tanto ouvir falar nas "acumulações dos enfermeiros" (sobretudo nestas alturas de greves e manifestações) e esclarecendo desde já que eu só trabalho num sítio, 40 horas semanais (não me importava nada de trabalhar só 35), vou expor aqui a cegueira induzida pela inveja de muitas pessoas. Eu trabalho só num sítio, não por falta de oportunidades, mas porque para mim é mais fácil poupar o dinheiro do que ganhá-lo, mas tenho vários colegas a acumularem funções em vários sítios. Porque têm esta tendência os enfermeiros? por quererem levar um nível de vida superior ao que o seu ordenado permite? Para exibir um status sócio-económico à altura daquilo que a sociedade projecta? Para a maioria das pessoas, os enfermeiros ganham muito dinheiro, pelo que o base de €1020 revelado nesta fase de luta foi uma grande surpresa para a maioria das pessoas. Porque "os colegas também fazem"? Não sei, mas poderia-se fazer um trabalho de investigação sobre o assunto (como eu já referi anteriormente, para os psicólogos, sociólogos ou semelhantes, não para os enfermeiros investigarem). Já agora, investiguem também porque gera tanta inveja que os enfermeiros se sujeitem a trabalhar tanto, se o esforço é deles, se não roubam nada a ninguém, se trabalhar não é nenhuma regalia. Antes de virem falar de atitudes diferentes no público/privado, lembrem-se que é exigido o mesmo nos dois sectores e toda a gente sabe como reclamar de maus profissionais/falta de profissionalismo. E aqueles que têm tanta inveja, porque não arranjam eles também um segundo ou terceiro emprego? Conheço enfermeiros a acumular funções no Lidl... a arrumar prateleiras durante a noite, a acumular funções como empregadas de limpeza... concorrem a estes lugares em igualdade de circunstâncias. E para os que se admirarem com isto, pensem bem: nestes cargos, conseguem ganhar tanto ou mais (actualmente) que a trabalhar como enfermeiros num privado e têm (muito) menos responsabilidades, menos riscos laborais, provavelmente menos esforço físico e sem dúvida menos esforço mental e nem o estatuto varia assim tanto actualmente. Só para terminar, refiro outra coisa "comichosa", que parecem ser as "horas extra que os enfermeiros ganham"; é preciso esclarecer as pessoas que estas horas implicam trabalho, implicam trabalhar mais do que o que seria previsto, significa abdicar de horas de descanso, horas com a família, planos previamente feitos... E se acham que o facto de serem remuneradas  a um valor superior compensa isto tudo, digo-lhes que no meu serviço ninguém quer horas extraordinárias, é sempre um sacrifício e na maioria das vezes é preciso sortear quem será o sacrificado. Talvez esses invejosos por aí espalhados queiram vir assegurá-las... depois de assegurarem um turno, acredito piamente que não voltariam a invejar tal sorte.
  
"Inveja-se a riqueza, mas não o trabalho com que ela se granjeia."

25 janeiro, 2010

GREVE DIAS 27, 28 E 29



...apelar à greve. Porque o momento assim o exige, apelo a todos os enfermeiros (e futuros enfermeiros) que façam greve nos dias 27, 28 e 29 e que participem na manifestação nacional, em Lisboa no dia 29. Apelo ainda à participação em todas as manifestações regionais organizadas de modo a pararmos não só o SNS mas o país na medida do possível, valendo-nos do nosso elevado número. Não basta demonstrarmos a nossa importância na saúde, temos de captar a atenção das pessoas para as injustiças de que a nossa classe profissional é constantemente alvo, interferindo com o seu quotidiano, perturbando-as, captando a atenção dos media para assim levarmos o nosso descontentamento a toda a gente. Este é o verdadeiro momento para os enfermeiros do "agora ou nunca", pois tudo vai ficar decidido e não haverá mais greves ou manifestações que possam reverter a situação. Não podemos dar desculpa aos sindicatos para não conseguirem negociar uma carreira condigna à semelhança de todos os outros profissionais portugueses que recebem um ordenado correspondente ao seu grau académico. Quem não quiser/puder participar na manifestação deve assegurar os cuidados mínimos de modo a permitir a participação dos colegas interessados e quem assegurar mínimos tem de compreender que um dia de greve não é um dia normal e o serviço não deve funcionar normalmente ou se possível nem funcionar de todo e doentes e seus familiares devem sentir os efeitos da greve de modo a que esta seja eficaz. Não podemos continuar a ser (literalmente) o "parente pobre" da saúde. A greve assume-se neste momento como uma obrigação e não um direito!


Quem não berra, não mama!
                                    Sabedoria popular


(E quem não "berrar" agora, "que se cale para sempre")

16 janeiro, 2010

Sem rumo



...navegar sem rumo. A enfermagem portuguesa ainda não definiu o seu rumo, pelo que como seria de esperar, navegando desnorteados, acabamos por nos começar a afundar (a alta velocidade) como se pode ver p.e. pelas actuais negociações da nossa carreira (APELO À GREVE!!!). Considero haver uns enfermeiros que tentam girar o leme no sentido de uma profissão mais autónoma naquelas que são actualmente as nossas competências, ambicionando ainda adquirir mais competências de grau superior de complexidade (de resto condizentes com o grau de licenciado e conhecimentos técnico-científicos subjacentes), tentando adaptar a profissão ás exigências sócio-económicas; considero haver um segundo grupo que tenta rumar em direcção ao cuidar (no seu sentido mais restrito) e este merecerá um próximo post dedicado; por fim, há um terceiro grupo contrastante com estes dois, sem dúvida o pior deles, que representa aqueles enfermeiros que fogem da autonomia porque sabem que esta acarreta responsabilidade, são aqueles que não procuram o conhecimento porque não querem precisar dele, não querem novas competências (de maior complexidade) mas pelo contrário tentam descartar as suas actuais competências mais complexas para outros profissionais (que prontamente as aceitam) mas aceitando prontamente tarefas menos complexas, preferem trabalhar como robôs nas suas rotinas diárias, à espera que o dia da reforma chegue enquanto se refugiam nos ganhos que os outros colegas vão conseguindo para a profissão. É no meio deste triplo "puxar de cordas" que nos encontramos e se actualmente um dos grupos apresenta vantagem, diria que infelizmente parece ser o último dos referidos. Não conseguimos definir a nossa área de actuação para nos podermos distinguir dos restantes profissionais de saúde e assim, enquanto nos vamos desmembrando, "os abutres" à nossa volta vão aproveitando para ficar com o bocado que mais lhe apraz , sejam os injectáveis, seja a emergência pré-hospitalar, a reabilitação, ou outro qualquer dos que recentemente temos facilmente perdido. Enquanto gastamos as forças a puxar cada um para seu lado, o governo aproveita a nossa fraqueza para nos dar o golpe final (que nem sequer de misericórdia é).

11 novembro, 2009

(Des)ordem



...ser ordenado. Penso que a maioria dos enfermeiros espera mais do Ordem dos Enfermeiros (OE) do que aquilo que ela tem feito até hoje e parte deles não concorda com a sua existência que parece servir apenas para nos cobrar as quotas sem perdoar. Se por um lado também acho que a OE podia fazer mais pela enfermagem e pelos enfermeiros, por outro não pondero sequer a hipótese da sua extinção (e das respectivas quotas). Como se pode ler no Estatuto da Ordem dos Enfermeiros  "A Ordem goza de personalidade jurídica e é independente dos órgãos do Estado, sendo livre e autónoma no âmbito das suas atribuições" - aqui começa a nossa autonomia, os enfermeiros começam a auto-regular-se, tornam-se independentes dos órgãos do Estado. Continuando para (algumas das) suas atribuições:
-"Exercer jurisdição disciplinar sobre os enfermeiros"; assim, temos enfermeiros a avaliar enfermeiros e não somos regulados por outros profissionais.
-"Proteger o título e a profissão de enfermeiro, promovendo procedimento legal contra quem o use ou exerça a profissão ilegalmente"; um poder que a ser correctamente usado, puniria muitos AAM (entre outros profissionais)...
-"Contribuir, através da elaboração de estudos e formulação de propostas, para a definição da política da saúde"; um grande poder... subaproveitado ou não verdadeiramente atribuído;
-"Zelar pela função social, dignidade e prestígio da profissão de enfermeiro, promovendo a valorização profissional e científica dos seus membros"; upsss... aqui a OE falha um bocado (grande);
-"Promover a solidariedade entre os seus membros"; solidariedade entre enfermeiros?! yeah right...
-"Fomentar o desenvolvimento da formação e da investigação em enfermagem, pronunciar-se sobre os modelos de formação e a estrutura geral dos cursos de enfermagem"; quanto à investigação, já me pronunciei sobre o assunto, quanto aos cursos de enfermagem, tenho poucas dúvidas que será a área onde a intervenção da OE recolhe mais criticas.
Assim sendo, a importância da OE revela-se no mesmo sítio que os seus pontos fracos. Apesar de se ter assistido ultimamente a uma OE mais interventiva, mais mediática, espera-se mais, espera-se que usufrutue ao máximo dos seus direitos legais e que estes sejam vistos como deveres perante todos os enfermeiros deste país. Para finalizar, espero que a OE passe esta fase "inicial" onde apenas exerce o seu poder de acção disciplinar sobre os enfermeiros para os fazer cumprir os seus deveres, para se dirigir para uma OE que defenda todos os direitos dos enfermeiros, incluindo a "dignidade e prestígio" da  profissão que se manifesta também nos seus salários, nas suas regalias económicas, apesar de este ser um campo preferencial dos sindicatos (que actualmente parecem estar inertes). Concluindo, espera-se que a OE siga o exemplo de outras Ordens Profissionais mais "maduras" e evolua de uma imagem castigadora, para uma imagem protectora.

05 novembro, 2009

Entesar a Enfermagem


...fugir ás suas competências. A Ordem dos Enfermeiros determina como competência do enfermeiro de cuidados gerais o seguinte: "Valoriza a investigação como contributo para o desenvolvimento da enfermagem e como meio para o aperfeiçoamento dos padrões de cuidados" e ainda "Contribui para o desenvolvimento da prática de enfermagem". Agora eu pergunto, quantos trabalhos de investigação e teses (de mestrado e doutoramento) realmente contribuem significativamente para o desenvolvimento da ciência e da prática de enfermagem? Quantos enfermeiros não desenvolvem teses que roçando ao de leve a enfermagem acabam, por investigar as áreas de psicologia, direito, ética, sociologia,  entre outras? Se é verdade que a prática da enfermagem também engloba estas ciências, não é menos verdade que existem profissionais específicos das referidas áreas a desenvolver essas ciências e devíamos portanto desenvolver mais a ciência de enfermagem, como determina a OE. Sendo que a enfermagem tem um carácter muito prático, penso ainda que a investigação devia trazer melhorias ao nível da prática, devia produzir conhecimentos exclusivos dos enfermeiros, devia contribuir para a individualização e imprescindibilidade da enfermagem e dos enfermeiros, que é algo que tanto estamos a precisar e que é decisivo para a afirmação e a evolução da enfermagem portuguesa. Assim, por favor colegas, dirijam os vossos esforços neste sentido e deixem-se de investigar burnouts, crenças dos enfermeiros e afins... Investiguem aquilo que por serem enfermeiros só vocês podem investigar, só vocês conhecem, que diariamente dão conta que necessitava de ser investigado, de ser melhorado e que traria benefícios aos nossos clientes/utentes. Se não estão dispostos a tal então é melhor fazer como eu e não investir na área da investigação. Não invisto nesta área porque não é dado valor a esse investimento, um investimento pessoal de dinheiro, de tempo, de bastante de nós, que depois ninguém reconhece, que ninguém aproveita, ao contrário do que acontece noutras profissões.

31 outubro, 2009

Atchimmm!!!



...ser cobaia. Penso que seria inadmissível não dedicar um post à gripe A e à adesão (ou não) por parte dos enfermeiros à polémica Pandemrix, uma vez que até um "bastordinário" de uma Ordem que não a dos enfermeiros "mandou  bitaites" sobre o assunto (que não lhe dizia respeito). Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que os enfermeiros não são considerados grupo prioritário por serem um grupo de risco pela maior probabilidade de contacto com o vírus, mas sim por serem necessário em caso de (verdadeira) pandemia, ou seja, não é para a sua protecção pessoal mas para a protecção da mão-de-obra; não querem saber dos nossos riscos laborais mas do nosso trabalho (barato), colegas desenganem-se! Podia dissertar sobre o verdadeiro risco da gripe A e os números da mortalidade, comparados com outras doenças, incluindo a gripe sazonal, mas penso que já serão do conhecimento geral. Passando então à Pandemrix, uma vacina comercializada pela GlaxoSmithKline, que misteriosamente deixou de poder ser consultada no site da mesma, não é considerada segura por todos os organismos. Segundo o Infarmed, foi "estabelecida a relação benefício-risco e o benefício foi considerado superior ao risco" pela Agência Europeia do Medicamento. Esta vacina não foi aprovada pelos Estados Unidos por conter substâncias na sua composição que podem alegadamente causar danos à saúde, a Suiça impõe restrições à toma da mesma e os políticos alemães optaram por tomar antes a Cevalpan (da Baxter) - será que os nosso estão a fazer o mesmo "ás escondidas"? Penso no entanto que a relutância dos enfermeiros não está tanto nos riscos conhecidos da vacina, pela sua constituição, mas como frisa Rui Nunes, porque "sabem que não há ainda resultados verdadeiramente sólidos que permitam determinar com clareza se a pessoa deve ser vacinada". Os enfermeiros sabem que o tempo que demora a desenvolver e comercializar qualquer medicamento é normalmente muito superior ao que foi despendido nestas vacinas. Os enfermeiros sabem que ainda decorre o período experimental das vacinas e que na verdade servirão de cobaias. Os enfermeiros sabem que se vão sujeitar aos riscos do tiomersal para que se possa utilizar o sistema da multidose e do escaleno para reduzir o tempo da cultura de vírus inactivos, para que a produção do medicamento satisfaça a procura em menos tempo de produção e aumente exponencialmente os lucros das respectivas farmacêuticas como se tem vindo a verificar (por exemplo, valores de 27 dólares em Março deste ano para 42 dólares actualmente, por acção da GSK) . Os enfermeiros sabem que são pressionados a correr estes riscos para diminuir os riscos de contágio da restante população. Os enfermeiros sabem, e Pedro Nunes, não sabe? Então a ignorância é dele! Pelos vistos os seus colegas também sabem e seguem o mesmo caminho dos enfermeiros e já agora, da maioria das restantes pessoas consideradas como grupos prioritário, incluindo os deputados. Eu pessoalmente, não estou disposto a servir de cobaia e arriscar a minha saúde pela saúde dos meus clientes/utentes/doentes - o meu altruísmo não chega a tanto e julgo ter tanto direito a uns dias "de baixa" com uma gripe como qualquer outro profissional (sarcasmo) e apenas pelo maior risco de contacto com o vírus e para evitar contagiar os meus familiares pondero correr os riscos e ser vacinado.

28 outubro, 2009

Trabalhar para aquecer



...trabalhar para ganhar dinheiro. Pelo menos eu trabalho para isso, mas há colegas que dizem trabalhar pelo doente. Será que se não lhe pagassem trabalhavam na mesma? É que doentes há sempre. Os "patrões" é que gostam de saber disto... se trabalham pelos doentes, damos-lhes doentes e não dinheiro, sempre sai (bem) mais barato. São os mesmos colegas que quando se fazem greves, não sabem o que são "cuidados mínimos" e acabam por fazer tudo na mesma (ainda que com menor número de enfermeiros) "porque o doente não tem culpa". Não sabem o que é uma greve; quem querem "que pague"? Os ministros?! Esses nunca sofrem com nenhuma greve, quem tem de sofrer são os clientes, são os eleitores que os elegeram. Pela mesma ordem de ideias, não existiam greves nenhumas, porque a culpa é sempre dos patrões e não dos clientes, mas têm de ser estes a sofrer, a queixarem-se, a fazerem-se ouvir aos patrões; os professores não faziam greve porque nem os alunos nem os pais têm culpa. É mais uma arma que os enfermeiros não sabem aproveitar. Não me canso de repetir que praticar enfermagem (já) não é praticar caridade. É uma profissão que deve ser encarada como qualquer outra, sem necessidades de vocações, mas com necessidade de ciência, de remuneração, com clientes, com horários. Não aceito quando me dizem que ser enfermeiro é algo mais que uma profissão (à qual nos podemos dedicar mais ou menos, como qualquer outra). É só uma profissão e mesmo assim, uma profissão cada vez pior... pior remunerada, com pior visibilidade/respeito, com piores condições de trabalho e estou convicto que a culpa disto é só de quem a pratica.

22 outubro, 2009

O bom, o mau e o vilão



...ser bom. Normalmente os profissionais ficam contentes quando as pessoas os elogiam como sendo "bons profissionais". Vamos ver o que acontece na Enfermagem: o cliente/doente diz-nos (geralmente) que somos bons enfermeiros quando fazemos mais que o nosso dever, quando executamos uma tarefa que seria de outro profissional menos diferenciado (AAM, telefonista, esteticista, empregado de limpeza, moço de recados...); o familiar diz-nos que somos bons enfermeiros quando também fazemos tarefas que não nos competem ou quando quebramos as regras institucionais. Não nos elogiam por cumprir rigorosamente e com profissionalismo as  nossas tarefas... "isso é obrigação dele", "é para isso que lhe pagam"... Já um médico que seja competente, é um excelente profissional... "podia não ser, mas ele é muito bom médico" (ser competente é uma mais valia e não uma obrigação, aqui já não "é para isso que lhe pagam").
Para quem nos avalia (enfermeiros chefe), ser bom enfermeiro é gastar pouco material, trabalhar por 2 ou 3 e manter os doentes e familiares sempre satisfeitos (independentemente das exigências). Para os médicos, ser bom enfermeiro é ser subalterno e servir de empregado. Para os AAM, ser bom enfermeiro é não lhes delegar nenhuma tarefa. Para os colegas, ser bom enfermeiro é fazer as trocas de horário que eles precisam, não deixar nenhum trabalho para o turno seguinte e pedir pouca colaboração.
Depois do exposto, só posso concluir que eu não quero ser bom enfermeiro, eu quero ser é um enfermeiro competente (como "eles" dizem... "é para isso que me pagam").

05 outubro, 2009

Liberdade e Responsabilidade




...viver/trabalhar em contradições. Uma delas, foi estudada nas saudosas aulas de filosofia do secundário. Ensinaram-me nessa altura que a liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres se formos responsáveis, e só podemos ser responsáveis se formos livres. Chegado ao curso de Enfermagem, ensinam-me que em Enfermagem isto não é válido. Tomando por exemplo a prescrição terapêutica: o médico é livre de a prescrever, o enfermeiro não é, e cabe-lhe administrar; se "a coisa" correr mal, a responsabilidade é do médico e do enfermeiro; sim, eu sei que o enfermeiro "é livre" de administrar ou não, mas tem conhecimentos suficientes para decidir (ou prescrever) a administração ou não do fármaco X à pessoa Y? Se tem, porque não é livre de prescrever? Outro: Se não houver médico, o enfermeiro é responsável pela decisão de administração (i.e. prescrição) de medicação numa situação de urgência/risco de vida; tem conhecimentos para isso? se tem porque precisa de prescrição médica na presença deste? Só mais um: o assistente operacional leva o doente ao chuveiro e queima-o com água demasiado quente; sendo que o enfermeiro não tomou a decisão da regulação da temperatura da água (pois não é preciso ser licenciado nem perto disso para regular uma adequada temperatura para o banho), porque é responsável por este erro (ou má intenção)? Generalizando, o enfermeiro tem muita pouca liberdade na tomada de decisões do seu exercício diário, mas sempre que as coisas correm mal (nunca quando correm bem), a responsabilidade cai (quase) sempre sobre este (muitas das vezes com uma ajudinha da Ordem dos Enfermeiros nesse sentido).

19 setembro, 2009

Apanha que é ladrão!!!



...ver as suas funções serem usurpadas por todos e mais alguém. Vêm os farmacêuticos e ficam com a administração de injectáveis; vêm os TAE's e pretendem roubar-nos a emergência pré-hospitalar; vejo cada vez mais médicos a quererem aprender connosco técnicas de enfermagem como a colheita de sangue venoso, aspiração de secreções, entre outras e posteriormente a exexcutarem-nas, e pelo que ouvi dizer até já têm no curso uma cadeira de "técnicas de enfermagem" (isto não é ilegal?); vêm técnicos de tudo e mais alguma como os técnicos de colheitas de sangue ficar com funções nossas; Vêm fisioterapeutas e médicos de MFR roubar a reabilitação aos nossos especialistas; ultimamente assistimos ao aparecimento das doulas para ficar com funções também anteriormente nossas; entre outros muitos mais exemplos. Só não vejo no horizonte das possibilidades nenhum técnico de mudança de fralda, pelo que os enfermeiros terão grandes possibilidades de se tornarem os técnicos especializados na "optimização da fralda". O que eu pergunto é porque acontece isto? Na minha opinião, em primeiro lugar, porque a enfermagem abrange tantos campos de actuação que não nos conseguimos tornar "especialistas" em nenhuma campo específico, não conseguimos ser insubstituíveis em nada, o que é muito perigoso para uma profissão. Em segundo lugar, porque, começando na nossa Ordem e terminando nos próprios profissionais, só vejo preocupação que os AAM (ou AO) não usurpem funções como "levar a comida à boca do doente" ou "lavar as costas do doente no chuveiro" (a "optimização da fralda" nem os AAM querem), as outras funções, mais complexas, mais diferenciadas, com mais visibilidade mas também responsabilidade estão à disposição de quem as quiser roubar e até somos nós que lhes ensinamos as técnicas (pela ambição de mais "meia dúzia de tostões"). Quando daremos conta que nos vendemos a nós próprios?

27 agosto, 2009

Ciganos


...não gostar de ciganos. Correndo o risco de ser acusado de xenofobia e de generalização abusiva, venho por este meio manifestar o meu desagrado para com esta etnia. Os ciganos são um caso excepcional pois só possuem direitos e nenhum dever, pelo menos na "nossa sociedade", pois como eles dizem, "só obedecem ás suas próprias regras". Assim sendo, não têm o dever de pagar impostos, multas, seguros, nem de respeitar os demais; pelo contrário, têm de ter sempre prioridade no atendimento e tudo tem de ser feito à sua vontade e medida. Eu tenho de ter um cartão identificativo para entrar (e sair) do hospital; os ciganos entram e saem livremente, pois ninguém lhes barra a entrada por medo de serem depois abordados na rua por um verdadeiro exército de Ford's Transit brancas de onde sai quase uma centena de ciganos (de cada carrinha). Não têm de pagar impostos, pois isso não faz parte "das regras deles"; mas exigem casas novas (e gratuitas) porque o plasma ou o LCD (com respectiva TV Cabo e Sport TV) não lhe cabe na barraca e não têm garagem para guardar o Mercedes. Alguma vez viram um cigano sem-abrigo? Eu não. Se um turista estaciona a autocaravana num parque público durante a noite, é multado; os ciganos montam verdadeiras aldeias em qualquer sítio (incluindo os jardins dos hospitais) e "ninguém vê", ainda que destruam muitas das coisas que estiverem por perto e deixem uma verdadeira lixeira quando abandonam o lugar. Se não querem viver segundo as "nossas" regras sociais, então não usufruam das "nossas" regalias sociais. E depois ainda falam em abordagens multiculturais à pessoa...

24 agosto, 2009

À vontade do freguês

...trabalhar com o doente (e não para o doente). Os enfermeiros tendem a passar os limites daquilo que são cuidados de enfermagem para aquilo que é trabalho de criado. Isto acontece, para além de outras razões, porque os limites entre os dois campos não estão bem definidos. Alguns dirão: "o enfermeiro deve ajudar o doente nas tarefas que o mesmo não consegue ou não tem motivação para realizar"; então eu pergunto: e se o doente costumava usar um leque para se refrescar mas agora não consegue? será que o enfermeiro, tendo disponibilidade, deve ficar ali a abanar o leque para o doente? Qualquer doente dirá "sim!", eu próprio (no papel de doente) diria, afinal de contas, de criados (quase?) toda a gente gosta. A grande maioria dos chefes dirá: "sim, devemos fazer o doente sentir-se em casa", mas será que devemos cuidar do doente como estando num hospital (ou outra instituição de saúde) ou como se estivesse em casa? Será que isso não é fazer papel de servo? Onde terminam os direitos do doente e começam os meus? Como será de esperar, a imagem o enfermeiro pouco tem a ganhar com uma mistura com a imagem do criado, servo, escravo (diria até). Então insisto, será que só por ter disponibilidade, o enfermeiro deve satisfazer "todas as vontades" do doente?