...ficar pissed off com a "burrocracia" que reina em Portugal. Penso que tenho direito a algo, até porque me parece mais que legitimo; vou aos sites dos respetivos organismos públicos... informação vaga e por vezes contraditória, e apontando para meia dúzia de leis; vou ler as leis... estas vão fazendo saltar a leitura apontando de uns artigos para outros e no final de tanta volta chego à conclusão que de concreto nada têm, pelo contrário, transbordam de ambiguidade de modo que posso interpretar de várias maneiras, até contraditórias; telefono para lá ou desloco-me lá para ver se me esclarecem... aconselham-me a ir a outro sítio e nesse sítio dizem-me "não é aqui" e mandam-me para outro sítio e assim vou andando até acabar por voltar ao primeiro; começam por dizer que sim, mas depois dizem-me que não... entretanto "arrisque!"... hum?! Bem, se eles dizem, vamos lá arriscar... olha, afinal tinha mesmo direito, fiz bem arriscar; passado algum tempo, uma carta no correio... olha, afinal não tinha direito e vou ter de devolver tudo; então mas ali o senhor da padaria disse-me que na mesma situação teve direito e tudo, vou ver o que se passou... "pois, se está na carta, é porque é assim"... "Disseram-lhe? e quem foi?"... eh pá, devia ter guardado o nome das dezenas de pessoas com quem já tinha falado até aqui... "mas se não concorda, reclame"; se calhar é boa ideia, gastar 100 para depois recuperar 10... E pronto, mesmo que até possa ter direito, fico sem nada, apenas com muito tempo gasto, algum dinheiro e dores de cabeça. Assim é este país e sem perspetivas de mudanças (para melhor), viva o chico-espertismo, a sorte, o compadrio, os connects e "as castas".
10 Fevereiro, 2012
31 Dezembro, 2011
Armagedão
...desejar a todos boas saídas e óptimas entradas no ano que se aproxima.
Para muitos, surge o temor do "fim do mundo", e para muitos irá certamente ser mesmo "o fim do mundo", grande parte deles acompanhados de perto por um enfermeiro, a quem cabe a tarefa ingrata (?) de ver partir os outros e superar instantaneamente qualquer pensamento triste/angustiante natural na mente de qualquer humano, para que os doentes da enfermaria ao lado não se apercebam de nada e para conseguir manter a sua sanidade mental neste frágil equilíbrio com fronteiras nem sempre bem definidas entre a sanidade e a insanidade, entre a loucura e a genialidade.
Bom ano 2012 ! (e não se esqueça de ser feliz)
24 Dezembro, 2011
11 Dezembro, 2011
This one's 4 U!
...(d)escrever uma reflexão tida no Water Closet... Quanto mais falsas são as pessoas, menos eu gosto delas. Sim, já tinha falado disso anteriormente, mas é uma coisa que me irrita deveras e estão sempre a aparecer no meu caminho pessoas destas. Felizmente tenho (a julgar pelo histórico) um boa capacidade para avaliar rapidamente as pessoas e detetar uma pessoa falsa, pelo que assim estas têm azar pois não vou nas suas cantigas, nos elogios, nas falinhas mansas, nos presentinhos e não hesito em demonstrar que "já te topei, vai bater a outra porta". É no entanto engraçado como a maioria das pessoas se deixa levar nestas conversas e nestes presentinhos (envenenados) oferecidos àqueles de quem querem a confiança para daí obterem benefícios. Começam por se mostrar muito humildes e simpáticas com toda a gente, até terem conseguido avaliar quem lhes interessa ludibriar e depois então põem as garras de fora e mostram o seu carácter, mas conseguindo enganar muitas pessoas, pessoas que se julgam muito espertas, mas que acabam por não resistir a tanta adulação e quando dão conta que caíram na teia, é tarde demais. Só é pena não haver um autoclismo que se possa "puxar" para mandar estes excrementos sociais pelo cano abaixo.
14 Novembro, 2011
Não acredito nelas, mas...
...escrever o post provavelmente mais curto de sempre. Depois das férias, não só as minhas, apetece-me dizer... "Ele há coisas do Diabo!"
16 Outubro, 2011
01 Outubro, 2011
Gestão de crise
...ser gerido. Com o hype da crise económica, sobressaem os nossos gestores. Como não podia deixar de ser, os enfermeiros querem sobressair e exibem em primeira linha os seus dotes também de gestores, ou não sejam eles "pau para toda a colher" (estranhamente por vontade própria). "É preciso reduzir 15% nas horas extraordinárias"... todos os outros fogem, escondem-se, fingem-se surdos, cegos e mudos, tentam passar despercebidos para não pagarem a fatura da crise, mas os enfermeiros não, os enfermeiros, solidários como sempre, dão um passo em frente e reduzem, não 15%, mas ainda mais que isso, enquanto os outros esfregam as mãos... se os enfermeiros pagarem a totalidade da fatura, não sobra nada para eles. Pergunto eu se nós não pagámos já o suficiente da fatura ao longo de todos estes anos em que não estamos a ser remunerados de acordo como o nosso grau académico (ainda não descobri se isso não será inconstitucional). É claro que as competências de gestão dos nossos superiores hierárquicos são do mais avançado que existe... é preciso economizar? Corta-se, reduz-se! Eficiência? O que é isso? Se em vez de 5 enfermeiros por turno tivermos só 3, estamos a economizar... quem disse que economizar é difícil?! Depois na próxima reunião de administração já me posso gabar que consegui reduzir mais de 30% nas horas dos enfermeiros, ficando bem visto à custa de escravizar os meus subalternos (colocando em risco da segurança dos doentes) e garantindo o meu lugarzinho na instituição. A esperança de que "a crise" desenvolvesse noções de gestão nos enfermeiros vai-se desvanecendo no meio de tanta trapalhada e passos em falso. Os prestadores de cuidados, sempre preocupados com a economia, usam agulhas de calibre inferior para aspirar ampolas, para conseguirem economizar escassos cêntimos... "é pouco, mas se toda a gente fizer isso isso já dá alguns euros por mês", vê-se que não sabem qual é o orçamento de um hospital e o impacto disso no mesmo, mas o melhor de tudo é que o preço das agulhas até é o mesmo independentemente do calibre. O mesmo enfermeiro, em seguida vai executar um penso, a um doente em fase terminal, com poucas mais horas de vida e usa material no valor de dezenas de euros (para além de causar desconforto ao moribundo). Querem economizar? Comecem por dar lições de economia ás pessoas, abram-lhes os olhos, chamem-nas à realidade, uma realidade com números com que elas nem sonham.
07 Setembro, 2011
E tudo o vento levou...
...demonstrar a nossa ignorância. Um turno inteiro, cerca de 7 horas de esforços para fazer boa figura, para se superiorizar ao colega que assiste calado ás manifestações de egocentrismo, de auto-bajulação, de indiretas (ás vezes bastantes diretas). Tão boa figura faz a colega que critica o trabalho dos outros e eleva as suas ações ao expoente máximo da enfermagem, que ensina o que é enfermagem ao colega que deve estar calado com vergonha de trabalhar modestamente ao lado de alguém tão competente, tão capaz, uma verdadeira artista do cuidar. Tanto tempo gasto, tanto esforço para nada... foi tudo por água abaixo em menos de 1 minuto, no minuto em que o colega calado decidiu abrir a boca, no momento em que tomar uma decisão importante para os cuidados de enfermagem foi preciso e a colega que até então se tinha em tão boa conta teve de se resignar à sua burrice, à insignificância das suas rotinas gastas e ineficientes, tendo poucos argumentos para se defender por saber que contra factos (científicos) não há argumentos. A colega aprendeu a falar menos e teve de aturar o resto do turno o silêncio do colega que a partir daí passou a soar a "vai buscar!"
26 Agosto, 2011
Rica vida
...ser mais uma vez do contra. Tenho mais uma opinião que a par da opinião do sufrágio universal/restrito poderá levantar alguma polémica, porquê? Porque me parece ser aceite como irrefutável (sobretudo nesta altura de crise económica) que os ricos devem pagar mais esta crise que os pobres, ou seja, que "os ricos devem descontar mais que os pobres" e eu não concordo com isso, pelo menos com o significado com que é dito. Concordo que quem tem mais desconte mais, mas numa lógica percentual, que matematicamente também pode ser vista como "todos descontam o mesmo (valor percentual)". Esta visão comunista da sociedade estimula a preguiça, a inércia, a negligência... padece das fraquezas do comunismo. Para quê trabalhar, para quê esforçar-me para evoluir se depois o meu dinheiro vai ser distribuído por quem não se esforçou, por quem não trabalhou, pelos preguiçosos? Sim, tenho ideias/ideais capitalistas e se muitos mais portugueses tivessem também, não teríamos o país neste estado miserável em que se encontra, resultado de não ser capitalista, quando é o capital que move o mundo. Se queremos sair da crise, temos de produzir, de investir e não de poupar, sem contudo gastar mais do que aquilo que podemos como tem acontecido nos últimos anos. A sorte deste "país socialista" é existirem "países capitalistas" que o vão ajudando a levantar-se, obtendo obviamente alguns beneficios no processo (ou não fossem eles capitalistas). Na enfermagem, acho que também há uma grande deficiência desta visão capitalista das coisas. Os enfermeiros parecem não entender que as pessoas também são números, que a saúde são números (e bem grandes) e que temos de aprender a jogar com esses números em nosso favor.
"A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objetivo. O interessante é o jogo."
Aristóteles Onassis
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12 Agosto, 2011
É hoje!
...interessar-se (também) por astronomia. Hoje é um óptimo dia para fazerem uma coisa... sobretudo aqueles que se sentem os maiores, aqueles que acham que têm muito, ou que conseguiram muito, que são importantes, que são grandes... ao anoitecer dirijam-se para um sítio longe da cidade e da sua poluição luminosa (e já agora de todas as outras formas de poluição urbana), levem material que lhes permita deitarem-se no chão e roupa que os agasalhe minimamente. Ao chegarem ao sítio, dêem cerca de 10 minutos aos vossos olhos para permitir que as pupilas se dilatem, a rodopsina se regenere e a retina se ajuste de modo a disponibilizar mais bastonetes, depois deitem-se no chão e olhem para cima, para o firmamento e contemplem as centenas de estrelas que por certo conseguirão observar, e pensem no tamanho do Universo, comparem-no com o da Terra, com o do vosso país, da vossa cidade, da vossa casa, o vosso e não tenham medo por se sentirem tão pequenos, tão insignificantes, pois neste Universo infinitamente grande, é assim que vocês são. Enquanto estiverem absortos comtemplando a abóboda celeste, aproveitem para olhar na direção de Perseus, pois hoje é o pico das Perséiades e afinal de contas não é todos os dias que podem observar um fenómeno da Natureza tão fascinante, que ocorre pelo menos há 2 mil anos, independentemente de vocês ou de qualquer outra pessoa e que vão continuar a ocorrer anualmente mesmo depois de vocês desapareceram e serem esquecidos pelo tempo. Aproveitem o dia de hoje portanto, para caírem na realidade, para terem a real percepção de vocês mesmos e do vosso lugar no Universo.
"Apenas duas coisas no Universo são infinitas: o próprio Universo e a ignorância dos homens."
Albert Einstein
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