09 outubro, 2010

Teoria da evolução


...resistir à evolução natural das coisas. A informática está a invadir tudo, incluindo a saúde e como sempre, os enfermeiros são um ponto de resistência à inovação. Na enfermagem, a informática ainda faz pouco mais que substituir o papel pelo "digital" e mesmo assim a implementação é difícil. Parece uma anedota, mas teima-se em passar do registo em papel para o registo digital (até agora tudo bem) e depois... imprimir uma cópia (em papel) dos registos digitais! Mais uma vez, seguindo minha a "mania", pergunto, para quê? Como seria de esperar, as respostas são tão descabidas (para não lhes chamar outra coisa) como o ato em si. Questionam o valor legal da assinatura digital, quando este está decretado desde 1999 no Decreto-Lei n.º 290-D/99, sendo recentemente confirmado pelo Decreto-Lei n.º 62/2003. Falam do risco de perda de informação digital; mesmo sem saber a qualidade do sistema informático do ministério da saúde, sei que é muito difícil perder informação digital, quase de certeza guardada em mais que um servidor, de certeza absoluta mais difícil de perder do que uns papéis mal presos a uma capa velha que corre o hospital e por vezes o exterior deste, por várias mãos; qual a facilidade dos papéis se perderem? Enquanto os papéis podem voar, arder, dissolver-se em água e sei lá que mais fragilidades, os registos digitais dificilmente se perdem ou adulteram, dada a sua extrema fiabilidade (qual a probabilidade de uma catástrofe eletromagnética?). E qual o valor de uma impressão não autenticada, não assinada, não carimbada ou coisa que o valha? Um papel que eu posso muito facilmente copiar e adulterar num programa tão simples como um editor de texto. Quando os frágeis argumentos são rebatidos, resta a habitual afirmação "lá estás tu a ser do contra", quando eu até estou a favor (da evolução tecnológica). Porque insistem os enfermeiros em contrariar a mudança, a evolução, em vez de a usarem para tirarem proveito dela? Damn it! Assim não "saímos da cepa torta"...

2 comentários:

Visão ENFernal disse...

Há uns séculos atrás (sensivelmente até ao século XIX), as doenças infecto-contagiosas eram tratadas com recurso às ditas "sangrias". Uma dita panaceia que só sucumbiu graças aos progressos da medicina como ciência. Se dependesse dos cépticos, ainda hoje tratávamos unhas encravadas com a ajuda da flebotomia.
Se dependessemos dos enfermeiros cépticos, resignados e inertes, ainda hoje o único registo que fariam num turno completo seria o de ponto, para comprovação da sua presença no local de trabalho.
Por este motivo, na nossa classe não basta mudar, antes... impor.

Como diria um tal "Hooker" uma vez

"As mudanças nunca ocorrem sem inconvenientes, até mesmo do pior para o melhor"

Cumprimentos

r m s couto disse...

Sistemas críticos, dados críticos são tratados com especial cuidado, sendo armazenados em data centers, que não são mais que armazéns que guardam dados. Nestes data centers os dados são guardados, e replicados o número de vezes que for necessário. Existe um grande trabalho de engenharia de arquitecturas de hardware por trás, com muitas práticas que asseguram a persistência e segurança dos dados.
A segurança dos dados é praticamente 100%, muito provavelmente superior à do suporte físico. Exemplo disso é o facto dos dados da segurança social (por exemplo), estarem todos guardados num data center dedicado em Portugal. Seria engraçado imprimir todos os registos para arquivar...