03 dezembro, 2010

Vencer a resistência do consciente


...conviver todos os dias com as mesmas coisas e por vezes não pensar em todos os significados das mesmas. As coisas e as situações por vezes passam uma espécie de mensagem subliminar que nós nem sempre reparamos. Começo pela farda... porque se usa a farda? "Para fazer a distinção dos profissionais... porque é prático..."; só por isso? Porque é que nalgumas escolas as crianças têm de usar farda? Para não se confundirem com... os professores?! A farda também serve para uniformizar todas as pessoas que a usem. Todos os enfermeiros, usando a farda são uniformizados; a partir do momento em que despem a roupa "da rua" e vestem a farda, perdem a sua individualidade, ficando "todos iguais". Os médicos e outros profissionais que usam bata, não perdem a sua individualidade, usam uma bata (de preferência aberta), mantendo a sua roupa própria que os diferencia, que não lhes retira a sua individualidade. As enfermeiras são incentivadas a nem sequer usarem maquilhagem nem qualquer adorno e manter o cabelo preso, igual em todas, retirando qualquer possibilidade de expressão individual (porque é que "as das batas" fazem quase sempre o oposto?); resta-nos o calçado e as meias, que é usado por alguns da maneira mais criativa possível, como manifestação da sua individualidade e diferenciação dos demais colegas. E a mania dos médicos usarem o estetoscópio (que os identifica) à volta do pescoço? Qual a simbologia, que mensagem transmite? Passa a mensagem que o médico ouve o que mais ninguém consegue ouvir; mas o médico também consegue ver o que mais ninguém consegue ver, pois usa otoscópios e quadros brancos para visualizar radiografias, sendo instrumentos que socialmente também o identificam. Que instrumentos identificam os enfermeiros?  Para terminar, só mais uma reflexão... os doentes usam campainhas para chamar pelos enfermeiros... quem mais é chamado por campainhas? Os empregados, os criados, certo? Muitas mais coisas na nossa profissão são merecedoras de uma reflexão sobre a mensagem que passam, pois nada é feito/decidido ao acaso e existe muita gente ciente da importância desta mensagem subliminar, da simbologia das coisas, da imagem social e que a sabe usar em seu proveito; infelizmente os enfermeiros não estão incluídos neste grupo e só sabem queixar-se posteriormente da falta de reconhecimento social, sem pensar nas causas da mesma. Por vezes devíamos parar um pouco e refletir nos vários significados das coisas, nas mensagens que passamos, ver para além do óbvio e do concreto; a profissão estaria certamente melhor.

4 comentários:

Sant'Iago disse...

é uma verdade triste a analogia que fazes dos 'empregados' mas bem verdadeira.
e o nosso trabalho hospitalar tb acho que vai na mesma ideia, isto é, o nosso trabalho é todo concebido para o curriculo médico e não para o nosso.
este post merecia que agora o imprimisse e deixa-se, aqui, na sala de trabalho, e nas escolas.
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Sant'Iago disse...

ah, é verdade... elas por trás são parecidas sim senhor :D

Mauro_G disse...

Interessante esta análise.

As campainhas...
Deviam era existir campainhas com botões para cada profissional...lol

L.F.P disse...

BEM VISTO!
BEM ANALISADO!
UMA ANALISE,QUE VEM AO ENCONTRO DOS MEUS COMENTÁRIOS E RECLAMAÇÃO.
PARABÉNS,LProlog.
CUMPRIMENTOS,L.F.P