14 novembro, 2009

Trocas e baldrocas



...ser trocado. Uma das poucas vantagens (talvez a única verdadeira) do roullement é a flexibilidade do nosso horário, sendo que o podemos ajustar ás nossas necessidades. Qual é o limite deste ajuste? Excluindo aqueles chefes que (quase) proíbem as trocas (e os limites legais), "a nossa liberdade termina onde começa a dos outros", e aqui chegamos ao cerne deste post. O facto de se fazer uma troca significa que se vai trocar um turno nosso pelo turno de outro colega, o que pressupõe que alterando o nosso horário vamos também alterar o horário do colega. Aquilo a que eu assisto diariamente são colegas que conseguem em pouco tempo alterar (quase) todos os turnos, ficando com um horário completamente diferente, de acordo com as suas preferências; depois vejo as colegas que trocam menos turnos, mas decidem sempre juntar muitas folgas ou não querem fazer manhãs (p.ex.), temos ainda os colegas que trocam os turnos para ganhar mais algum em horas de qualidade e depois temos os colegas que só trocam mesmo os turnos por necessidade, por incompatibilidade e que acabam por fazer mais trocas porque lhe pedem. O que se passa é que normalmente (e se for bem elaborado), o horário encontra-se equilibrado em termos de tipos de turno, dias seguidos de trabalho, folgas... quem posteriormente troca activamente os turnos altera este equilíbrio a seu favor e quem troca passivamente acaba por ficar com um horário desequilibrado, ou porque acredita que quem troca o faz realmente por necessidade e portanto merece um sacrifício ou porque vai aceitando as trocas até dar conta do resultado final e a verdade é que raramente uma troca beneficia os dois intervenientes. Depois, há os mais variados métodos usados pelos "trocadores activos", que vão desde a mentira até à pressão psicológica/emocional, passando pela chantagem e o "suborno". Há ainda outro aspecto das trocas que merece atenção e que é o mesmo direito de todos a um horário equilibrado, que por vezes é "esquecido" por quem faz o horário e frequentemente pelos "trocadores activos"; todos têm esse direito, independentemente de terem filhos, pais ou animais, independentemente de terem outro emprego ou ocupação, independentemente de serem novos ou velhos, gordos ou magros, solteiros ou casados, homens ou mulheres... Como facilmente se percebe, incluo-me no grupo dos "trocadores passivos", pelo que já perdi folgas porque o colega "precisava muito" e depois reparei que precisava muito para juntar uma folgas e tirar umas "mini-férias", já fiquei sem folga quase 2 semanas porque o colega "precisava de ir à santa terrinha" e afinal descobri que não foi e nunca teve intenções de ir, já fiquei praticamente com "horário fixo" (só manhãs) porque o colega tinha umas coisas importantes para fazer, podia ter dito logo que acumulava noutro sítio, já desmarquei encontros com amigos porque o colega precisava de cuidar de um familiar e afinal o familiar foi cuidado por alguém enquanto o colega foi a uma festa, já ganhei menos trabalhando mais porque o colega não podia fazer aquela noite e o verdadeiro motivo era porque a minha noite era mais rentável (e menos trabalhosa). Assim, decidi restringir ao máximo as minhas trocas para evitar desequilibrar o meu horário. Eu não trabalho em mais que um sítio nem tiro uma especialidade (também) para não perder tempo livre, tempo de qualidade em família, tempo de descanso, por isso, porque hei-de perder esse mesmo tempo de qualidade para que outros colegas possam ganhar mais algum dinheiro? Fico sem o tempo e sem o dinheiro! É certo que o saldo final de horas acaba por ser sempre o mesmo, mas num rápido raciocínio se percebe que o tempo livre é diferente (qualitativamente) conforme os turnos que trabalharmos.

3 comentários:

Movimento de Acção na Saúde disse...

Movimento Acção na Saúde
http://accaonasaude.blogspot.com

EDITORIAL

Terminou mais um ciclo eleitoral. Nas legislativas, o PS perdeu mais de meio milhão de votos e 23 deputados, formando governo, agora sem maioria absoluta. Este desgaste significativo expressa de forma distorcida a contestação social que marcou o anterior governo. Deram-se lutas sucessivas de milhares de trabalhadores do sector público - com destaque para os professores – e de empresas do sector privado, que fecharam ou ameaçaram fechar; contestação popular por todo o país contra o encerramento de maternidades, urgências e centros de saúde; algumas das maiores manifestações desde o 25 de Abril. Mas tudo isto foi insuficiente para derrotar definitivamente Sócrates. Para tal, contribuíram a estratégia das direcções sindicais que, não só advogaram “tréguas eleitorais”, como assinaram vários acordos vergonhosos com o governo, bem como a das forças à esquerda do PS que abdicaram de construir uma plataforma unitária que surgisse como alternativa real de governo. Assim, Sócrates mostrou que a opção era entre ele e Ferreira Leite e Manuel Alegre aproveitou para apelar ao voto no PS, impedindo a perda de votos de um importante sector crítico que representava.

O novo Sócrates é igual a si mesmo, não nos iludamos. Na educação, Isabel Alçada já afirmou que não alterará a avaliação dos professores e o seu estatuto de carreira. No trabalho, Helena André - profissional sindical desde os 21 anos – fez prontamente saber que não será a ministra dos sindicatos e que “o anterior governo lançou uma série de políticas muito importantes" e que essas bases têm de ser consolidadas, estando fora de questão a revogação do Código do Trabalho. Quanto à saúde, a substituição ministerial deu-se na anterior legislatura, não para mudar de políticas, mas para travar a contestação. Até o ex-Director Geral da Saúde, Constantino Sakellarides, afirmou: “Há ministros do núcleo duro e há ministros simpáticos para apaziguar o povo. E a ministra da Saúde faz parte destes.” “Todas as reformas do Correia de Campos continuaram com um ritmo próprio da segunda parte do ciclo político.” Que é como quem diz, só não avançaram mais no ataque aos trabalhadores e aos utentes do SNS porque tinham de acalmar os ânimos e preocupar-se em ganhar as eleições novamente.

Mesmo sem maioria absoluta, Sócrates tem nas bancadas à sua direita muitos interessados em sair da crise à custa dos trabalhadores e do desmantelamento dos serviços públicos, que apoiarão as suas medidas neste sentido. A nossa resposta terá de ser de forte oposição, sem tréguas. À esquerda que não se revê neste governo, nomeadamente ao BE e PCP, apelamos para que lute unida, desde já, no parlamento e nas ruas. No parlamento, como oposição frontal, recusando apoios pontuais a medidas supostamente “positivas”; nas ruas, preparando novas mobilizações, ainda mais fortes, que o enfrentem e derrotem. As direcções sindicais devem, por sua vez, organizar a luta contra o código do trabalho, pela reposição de direitos na Segurança Social, pela redução do horário máximo semanal para as 35 horas, sem redução de salário, para combater o desemprego. Devemos também, desde já, pressionar os dirigentes sindicais e mobilizar-nos para que as nossas carreiras não sejam feitas à medida do governo, nas mesas de negociações, mas que traduzam melhorias nas nossas condições de trabalho. Com este governo já tivemos más experiências que cheguem.

finalista disse...

uma visão muito interessante. obrigado enf! ;)

Anónimo disse...

bem ... só aceita uma troca que nao pode fazer um totó :)