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27 agosto, 2009
Ciganos
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24 agosto, 2009
À vontade do freguês

...trabalhar com o doente (e não para o doente). Os enfermeiros tendem a passar os limites daquilo que são cuidados de enfermagem para aquilo que é trabalho de criado. Isto acontece, para além de outras razões, porque os limites entre os dois campos não estão bem definidos. Alguns dirão: "o enfermeiro deve ajudar o doente nas tarefas que o mesmo não consegue ou não tem motivação para realizar"; então eu pergunto: e se o doente costumava usar um leque para se refrescar mas agora não consegue? será que o enfermeiro, tendo disponibilidade, deve ficar ali a abanar o leque para o doente? Qualquer doente dirá "sim!", eu próprio (no papel de doente) diria, afinal de contas, de criados (quase?) toda a gente gosta. A grande maioria dos chefes dirá: "sim, devemos fazer o doente sentir-se em casa", mas será que devemos cuidar do doente como estando num hospital (ou outra instituição de saúde) ou como se estivesse em casa? Será que isso não é fazer papel de servo? Onde terminam os direitos do doente e começam os meus? Como será de esperar, a imagem o enfermeiro pouco tem a ganhar com uma mistura com a imagem do criado, servo, escravo (diria até). Então insisto, será que só por ter disponibilidade, o enfermeiro deve satisfazer "todas as vontades" do doente?
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19 agosto, 2009
Notas soltas

...escrever e falar demais (ou não). Estou-me a referir respectivamente aos registos de enfermagem e à passagem de turno. O que me leva a postar sobre este assunto são todas as vezes que saí atrasado porque os meus colegas (sobretudo do género feminino) decidem relatar o que todos os doentes fizeram desde o início ao fim do turno (com ou sem relevância para os cuidados e sua continuidade), e mais grave ainda, quando o fazem lendo os registos escritos que previamente redigiram. Não sabem que a passagem de turno deve complementar a informação escrita, o que nos leva a outro ponto - nem tudo deve ficar escrito em notas de enfermagem (algumas das coisas serão transmitidas via oral), mas apenas os factos essenciais, significativos e pertinentes, de forma clara, precisa e concisa, o que raramente se verifica. O objectivo dos registos de enfermagem é assegurar a continuidade de cuidados, estabelecer um meio de comunicação entre os membros da equipa de saúde, contribuir para a avaliação da qualidade e eficiência dos cuidados e ainda constituir um suporte legal para a nossa actuação. Pergunto então eu, qual o objectivo de descrever o que o doente não tem? "Não tem cefaleias, nem mialgias, nem sialorreia, nem teve dejecções..." Se nalguns raros casos dizer se pode justificar a referência a algo "que o doente não tem" ou "que não se passou", na grande maioria das vezes, o que deve ser referido é o que se passou, "o que o doente teve", "o que eu fiz", "o que precisa de ser feito" para assegurar a continuidade dos cuidados, as alterações dignas de registo. Se houve algum problema que até foi resolvido entretanto, não é preciso (geralmente) descrever todos os passos dados para a sua resolução, a menos que isso constitua uma oportunidade de formação em serviço/em situação, obviamente. Caros(as) colegas, eu não quero saber se o doente esteve a ver o programa do Goucha ou do João Baião, se quiserem podem-me dizer que esteve a ver TV e chega! Também não há necessidade de repetir registos; se já registaram a terapêutica em folha própria (ou electronicamente) para quê repetir o registo (e isto inclui soroterapia)?
16 agosto, 2009
Enfermagem assistida

...não concordar com a existência de auxiliares de acção médica, ou, actualizando o termo, assistentes operacionais (AO). Se o jardineiro lá do hospital tem formação na sua área, o mesmo se passando com os funcionários de limpeza, como é que pode haver profissionais em contacto directo com o doente sem formação específica? A solução para este problema é atribuír a supervisão do trabalho dos AO aos enfermeiros; assim, o enfermeiro que executa as suas funções definidas e pelas quais é responsável, tem de assumir ainda a responsabilidade pelas funções exercidas por outro profissional. Sou só eu que vejo aqui um grande problema, uma vez que os enfermeiros não são omnipresentes? É assim natural que muitas vezes (sempre que possível) o enfermeiro prefira fazer ele próprio as coisas, do que solicitar a alguém que, não sendo responsável pelo que faz e não tendo formação para tal, poderá fazer asneira. É neste sentido que defendo a substituição dos AO pelos auxiliares de enfermagem, profissionais que quando solicitada a sua colaboração, se saiba que têm formação nesses sentido, podendo transmitir confiança e que sejam responsáveis pelas suas acções (previamente definidas). Até à criação dos mesmos, não vejo porque se critica as contas feitas pela Ordem dos Enfermeiros ao equiparar os rácios enfermeiros/utentes de Portugal com os dos países onde se aplica enfermeiros+auxiliares de enfermagem/utentes; afinal de contas, em Portugal não são os enfermeiros que fazem o trabalho dos auxiliares de enfermagem de outros países?
13 agosto, 2009
Trabalho de licenciado

... ouvir quase todos os dias o comentário: "eu não queria ser enfermeiro(a), eu sei que são precisos e ainda bem que há quem queira ser, mas eu não conseguia, é preciso gostar muito..."
Quais são as ilações que eu tiro destes comentários frequentes?
Porque é que as pessoas não querem ser enfermeiro(a)s? Se em tempos idos era por "falta de coragem para ver sangue ou picar pessoas", hoje é por "não terem coragem para tomar conta das pessoas dependentes, mudar-lhe a fralda, dar-lhe de comer, ser maltratado e responder com um sorriso". Os enfermeiros deixaram de ser "os das picas" para passarem a ser "os das fraldas" (ou outra coisa menos bonita, que não vou aqui dizer). A enfermagem passou a ser vista como uma profissão suja; que dignificação pode daqui advir para a imagem dos enfermeiros? De quem é a culpa desta mudança? Não será dos enfermeiros que começaram a achar que deviam ser menos tecnicistas (e até deixaram ir "as picas" para os farmacêuticos), para serem mais "humanistas" e se especializarem em técnicas como a "mudança da fralda" ou o "levar a comida á boca do velhinho"? Dos enfermeiros que pedem aos familiares para sair da enfermaria para "mudarem as fraldas"? Não ficarei surpreendido se/quando assistir ao aparecimento da "especialidade em mudança de fraldas" ou "mestrado em cuidados de higiene no chuveiro". Será isto o cerne da enfermagem? Será que é necessário um profissional licenciado para mudar uma fralda, levar a comida á boca ou levar ao chuveiro QUALQUER doente? Para terminar, porque é preciso gostar de ser enfermeiro para se ser "bom enfermeiro" e não é preciso gostar para se ser bom professor? Somos uma profissão baseada na ciência ou nos sentimentos?
11 agosto, 2009
Karting
...fazer uma tarde de karting com um amigo e reparar na curiosa semelhança entre o karting e a enfermagem: em ambos parece que atingimos altas velocidades, faz-nos sentir a adrenalina a correr, mas na verdade a velocidade não é tanta quanto isso; se conseguirmos melhorar um pouquinho (no tempo de volta) ficamos todos contentes; andamos andamos sempre ás voltas e acabamos por nunca sair do mesmo sítio; se tentamos ir um pouco mais depressa que o que devemos, vamos contra as protecções e acabamos por nos atrasar, se vamos mais devagar, levamos uma pancada do colega que vem atrás, e por fim, quando terminamos, estamos cansados e com mialgias. A enfermagem só ainda não se paga para praticar, embora esteja a caminhar para isso, havendo já quem pratique de graça. A maior diferença é que quem for mesmo bom no karting pode chegar ao sucesso e na enfermagem o mesmo não acontece.
07 agosto, 2009
O melhor do mundo

...conhecer crianças que não o podem ser, têm de crescer demasiado rápido, porque uma doença, tão cruel que não cabe nos seus inocentes pensamentos levou a mãe e o pai alcoólico nunca será um pai para elas e os irmãos que acabam por ficar ao seu cuidado. Ser enfermeiro é conhecer outras crianças que não vão ter tempo de crescer, porque a doença com a qual começavam a aprender a viver, lhes roubou a vida e partiram deste mundo que mal conheciam, mas permanecem sempre nos pensamentos dos enfermeiros que inevitavelmente a eles se afeiçoam, povoando os seus pesadelos quando dormem, mas também quando ficam acordados a tentar não pensar no trabalho, que ficou no hospital (?). Não é dificil perceber porque a enfermagem é uma das classes com maior risco de suicídio dos profissionais.
06 agosto, 2009
Roullement

...pôr a pé ás 7h, trabalhar até ás 16h, dormir um pouco e voltar a trabalhar das 22h até ás 8h, dormir de dia e mais um pouco durante a noite, para no dia seguinte voltar a trabalhar das 15h até ás 23h, chegar a casa e dormir o pouco tempo que resta, para no dia seguinte trabalhar de novo das 7h ás 16h, dormir durante o dia para voltar a trabalhar das 22h até ás 8h. A semana acabou... o que vivi nesta semana? Nada... só trabalho. Enfermagem, profissão de desgaste rápido? Só para quem a exerce, não para quem legisla.
05 agosto, 2009
"Ser ou não ser, eis a questão"

...começar um blog por incentivo de um amigo, desenvolvê-lo por curiosidade e terminá-lo quando simplesmente me apetecer. Assim surge mais um blog, como sempre, mais interessante para quem o elabora do que para quem o visita. Falar-se-á de enfermagem, sempre de um ponto de vista muito pessoal e de coisas pessoais (quase) sempre com o toque da enfermagem. Aos poucos se vai construindo uma definição de um enfermeiro em particular e do actual contexto da enfermagem em geral.
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